Por que tanto campo-grandense adora um rolê no boteco da Célia?
Enquanto outros locais fecham as portas, comerciante segue firme há 36 anos com um boteco sem frescura
Por que tanta gente gosta do Bar da Célia, na Avenida Três Barras? O que tem no boteco que faz o pessoal voltar, comentar sobre e até reunir artistas famosos em volta da mesa? O Lado B voltou ao endereço do estabelecimento que continua querido há 36 anos. E a resposta para o sucesso, pelo jeito, vai muito além da bebida.
Enquanto bares fecham as portas pela cidade, Célia segue firme com um boteco raiz, sem frescura nem qualquer tipo de gourmetização. O que ela garante é cerveja gelada e um espaço "de boa para curtir". Mesmo assim, o lugar sempre rende indicações e comentários positivos.
Aos 67 anos, Célia Nogueira Flávio é apontada pelos próprios clientes como a grande responsável pela fama do lugar. O jeito espontâneo, a energia e a disposição para receber a turma fazem parte da receita de um bar raiz que, há três décadas, mistura música, amizade e histórias de quem frequenta a região.

“É a Célia, é somente ela. Não é nem a cerveja gelada, o povo animado, música boa. O pessoal vem aqui por causa da Célia”, resume o cantor Kaio, da dupla com Gabriel. Na tarde de quinta-feira, os artistas também estavam no bar ao lado do também sertanejo Vittor.
Mas não é só a dona que conquista a clientela. A castanheira plantada por ela quando começou a trabalhar no local também virou símbolo do boteco. Nos dias quentes de Campo Grande, a sombra da árvore é disputada por quem quer sentar sem pressa.
“Ela é minha rainha. O bar cresceu junto com ela e já faz parte de tudo aqui. O pessoal gosta d sentar debaixo, conversar, assar uma carninha”, diz Célia.
Com tanto bar fechando pela cidade, Célia acredita que segue firme e forte porque se junta à bagunça dos seus clientes. “Eu gosto é da moagem. Me divirto junto com o pessoal, gosto de festar e aqui é um lugar animado, onde deixo as pessoas à vontade. Mas tem gerência, viu”, avisa.
A história do lugar começou em 1990, quando Célia se separou e recebeu do irmão a sugestão de montar um boteco. Sem experiência no ramo, ela ficou receosa, mas decidiu encarar o desafio. O que começou como uma aposta se transformou no trabalho que sustentou seus três filhos.
Com o passar dos anos, o espaço deixou de ser apenas um lugar para beber. Virou cenário de amizades, encontros e histórias que atravessam gerações. Para quem mora nas redondezas, o bar faz parte da memória do bairro.
A fama do Bar da Célia também chegou aos músicos de Campo Grande. Artistas conhecidos passaram pelo endereço, e os encontros por lá acabaram se tornando parte da rotina de quem gosta de cantar e reunir os amigos. No último fim de semana, Jads e Jadson apareceram para uma gravação no boteco e essas visitas fazem parte da rotina.
“Já veio muito artista conhecido aqui. Jads e Jadson, Munhoz e Mariano... O pessoal vem, bebe, faz festa”, comenta a dona.
Para os sertanejos Caio, Gabriel e Vittor, a força do estabelecimento está justamente na capacidade de juntar pessoas. A ideia de fazer uma reunião musical aberta a mais gente surgiu durante uma conversa descontraída.
“Como nem sempre dá para reunir todo mundo na casa de alguém, o bar se tornou o lugar ideal. E a Célia sempre abriu as portas para os artistas, sempre fez todo mundo se sentir em casa”, destaca Vittor.
Já Gabriel, conta que mora a três quadras dali e que acompanha o movimento desde criança. O pai também costumava aparecer por lá, e ele cresceu vendo o estabelecimento cheio de gente dançando e se divertindo. “Desde criança eu vejo aqui cheio e todo mundo dançando e curtindo”, recorda.
Na memória dele, o boteco também tem espaço para romances e casamentos que nasceram entre uma conversa e outra. “É um bar que tem muita história, é muita galera, já fez muita amizade aqui, já saiu muito casamento por aqui”, comenta.
Aos 67 anos, Célia não tem planos de se aposentar tão cedo. Ela conta que pedala, faz academia e pretende continuar trabalhando enquanto tiver disposição. “Eu vou até onde der. Até onde eu aguentar, porque eu não vou parar”, afirma.
Para ela, o bar não é só uma fonte de renda. É também o lugar onde gosta de ficar, conversar e acompanhar o movimento. “Minha casa é no fundo do bar, mas eu nem gosto de ficar pra lá. Fico aqui pra frente”, finaliza.
O Bar da Célia abre todos os dias, das 9h às 22h. O endereço é na Avenida Três Barras, 1381.
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