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Fizemos a trend: veja como era a Campo Grande dos anos 80

Dos Menudos, Picarelli, ET do Morenão e ruas de terra, saiba de que forma a Capital vivia há 4 décadas

Por Clayton Neves | 08/09/2026 07:24
Fizemos a trend: veja como era a Campo Grande dos anos 80
Foto da Rua 14 de Julho refeita por Inteligência artificial no estilo da trend que bombou nas redes sociais.

Nos últimos dias, a trend “Como eu seria nos anos 80?” virou febre nas redes sociais, transformando fotos atuais em retratos que voltam quatro décadas ao passado. A IA (Inteligência Artificial) preserva os principais traços do rosto e muda cabelo, roupa, iluminação, cenário e acabamento para criar uma versão de como tudo era naquela época.

Mas trazendo a brincadeira para o contexto da cidade,

Como era Campo Grande na década de 1980?

Nos anos 80, Campo Grande recebeu o grupo Menudo no Guanandizão, viu o caso do “disco voador” no Morenão, o fenômeno de Maurício Picarelli na TV e tinha boates cheias, matinês, carnaval de salão e uma cidade que ainda estava crescendo para todos os lados.

Em 1980, Campo Grande tinha 291.777 habitantes. Onze anos depois, já eram 526.126 e praticamente ganhou outra cidade dentro dela durante aquele período.

O Lado B elencou 10 coisas que ajudam a entender essa versão oitentista da Cidade Morena:

  1. Grupo Menudo fez o Guanandizão ferver
m 1985, o então prefeito Lúdio Coelho com o grupo Menudos no aeroporto da Capital. (Foto: Roberto Higa)

Em 1985, a histeria adolescente dos Menudos chegou a Campo Grande, que recebeu seu primeiro show internacional. O grupo porto-riquenho se apresentou no Guanandizão e mobilizou fãs desde a chegada ao aeroporto.

A banda, que era uma das maiores febres pop da América Latina, levou milhares de pessoas ao ginásio. O show é lembrado até hoje como um dos grandes acontecimentos musicais internacionais da década na cidade.

2. Picarelli era líder de audiência na televisão

Apresentador Maurício Picarelli em foto tirada no ano na década de 1980, quando chegou a Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)

Se a inteligência artificial fosse recriar uma sala de estar campo-grandense dos anos 80, provavelmente teria uma televisão ligada e Maurício Picarelli aparecendo na tela.

Picarelli chegou a Mato Grosso do Sul em 1982 e, pouco depois, assumiu o “O Povo na TV”, programa popular que marcou a televisão local.

A atração ganhou enorme popularidade e se tornou uma das marcas da televisão popular de Campo Grande, com audiência consolidada desde os anos 1980.

3. O dia em que um “ET” apareceu no Morenão

Imagem do que seria um Ovini sobrevoando o Estádio Morenão em 1982. (Foto História do Futebol)

Mais de 24 mil pessoas em um estádio de futebol e, no meio da partida, uma luz estranha cruzou o céu. Foi isso que aconteceu em 1982, durante o jogo entre Operário-MS e Vasco, no Morenão, no episódio que ficou conhecido como o “disco voador do Morenão” e entrou para o imaginário da cidade.

O objeto foi visto por milhares de torcedores e até pelo árbitro da partida. Décadas depois, o caso continuou sendo estudado e virou tema de documentário e pesquisa acadêmica sobre ufologia, memória coletiva e identidade campo-grandense.

4. Parque das Nações Indígenas? Ainda não existia

Parque das Naçoes Indígenas ainda sendo construído em 1993. (Foto: Roberto Higa)

Hoje é difícil imaginar a região da Afonso Pena sem o Parque das Nações Indígenas. Mas quem viveu os anos 80 conheceu outra paisagem.

A área que hoje abriga o parque ainda era formada por chácaras e terrenos. O processo de urbanização daquela região avançou durante a década, mas a criação oficial do Parque das Nações Indígenas só veio em 1993, por decreto estadual.

Ou seja, aquela enorme área verde que hoje é cenário de caminhada, corrida, shows, passeios e encontros não fazia parte da rotina da Capital.

5. Shopping Campo Grande chegou no apagar das luzes da década

Foto tirada em 1989 antes da inauguração do Shopping Campo Grande, em região quase irreconhecível. (Foto: Roberto Higa)

O shopping que hoje parece fazer parte da paisagem de Campo Grande é, na verdade, um recém-chegado quando se olha para a história da cidade.

O Shopping Campo Grande foi inaugurado em outubro de 1989, no último ano da década. Foi o primeiro shopping center de Mato Grosso do Sul e surgiu em uma área da Avenida Afonso Pena que ainda tinha grandes espaços sem construções ao redor.

Era o começo de uma transformação no jeito de comprar, passear e se encontrar na cidade.

6. Parque dos Poderes sem a “muvuca” das corridas

Parque dos poderes em 1981, bem diferente do que se vê hoje em dia. (Foto: Arquivo Roberto Higa).

Hoje basta chegar ao Parque dos Poderes em determinados horários para encontrar gente caminhando, correndo, pedalando e fazendo exercícios. Nos anos 80, essa cena ainda não existia como conhecemos.

O Parque dos Poderes estava nascendo. As primeiras estruturas foram concluídas no início da década, e outras construções foram sendo entregues ao longo dos anos seguintes.

O complexo foi pensado principalmente para concentrar os órgãos públicos e dar uma nova configuração administrativa à Capital.

A imagem de centenas de pessoas usando o espaço como grande academia a céu aberto é uma construção de décadas posteriores.

7. A noite era cheia de clubes, matinês e boates

Show da banda Eclipse, de 1983, no União dos Sargentos.

Antes de shopping, aplicativos de namoro e redes sociais, o encontro acontecia na rua, nos clubes e nas pistas de dança. E Campo Grande tinha opções.

O Clube Surian viveu uma fase de ouro nos anos 80 com os famosos “passinhos”, festas que reuniam adolescentes e chegavam a receber cerca de mil pessoas.

O Círculo Militar, o União dos Sargentos e o Rádio Clube também aparecem nas memórias de quem viveu a década como espaços importantes de festas e domingueiras.

E havia a Chatanooga, inaugurada em 1987, que virou uma das boates mais badaladas da cidade, com discos importados, DJs e uma pista que chegou a receber mais de 1 mil pessoas em noites especiais.

O Túnel Club também fazia parte desse circuito e é lembrado como uma das casas que marcaram a noite campo-grandense dos anos 80.

Nas memórias de moradores também aparecem os bailes no Sindicato Rural ao som do Grupo Uirapuru, as matinês, o Carnaval do Rádio Clube e as domingueiras no União dos Sargentos como alguns dos programas que movimentavam a cidade.

E Carnaval não era só desfile. Em 1984, a prefeitura promoveu a chamada Batalha de Confetes, com apresentações em diferentes regiões. A cidade ganhou até o Jacaré Elétrico, um trio que animava micaretas na cidade.

8. Dom Bosco, Americanas e a galera matando aula

Colégio Dom Bosco era o mais bombado da época e todo mundo queria estudar lá. (Foto: Arquivo Municipal)

Nos anos 80, o Colégio Dom Bosco era o mais badalado da cidade e todo mundo queria ser aluno de lá. Entre os estudantes de lá e de outras escolas espalhadas pela cidade, as Lojas Americanas eram o point para ‘rolês’ de quem matava aula.

A loja chegou a Mato Grosso do Sul ainda nos anos 70 e, na década seguinte, virou ponto de encontro de adolescentes.

9. A cidade também tinha suas gangues

Gangue da Chavasca, do Bairro Mata do Jacinto, era um dos grupos que reinou na cidade nos anos 80 e 90.

Nem tudo era festa. Os anos 80 também ficaram marcados pela presença de gangues formadas por adolescentes e jovens em diferentes regiões de Campo Grande.

Um exemplo recente resgatado pelo Campo Grande News é o das Gatas Selvagens, grupo feminino que ganhou fama nas Moreninhas quando o bairro ainda começava a se desenvolver.

Relatos de antigos frequentadores do Surian também mencionam adolescentes de 14 e 15 anos que formavam gangues e circulavam pelos bailes.

Era uma juventude que encontrava nos clubes, nas ruas e nos bairros seus próprios códigos de convivência, e também suas disputas.

10. Entre a Ceará e o Parque dos Poderes era tudo vazio

Rua Ceará ainda quando não havia viaduto e sim um "trevo" no cruzamento com a Avenida Afonso Pena (Foto: IBGE) 

Talvez nenhuma imagem explique melhor a transformação de Campo Grande. Hoje, basta percorrer a Avenida Afonso Pena para encontrar uma das áreas mais valorizadas e movimentadas da cidade. No entanto, nos primeiros anos da década de 1980, a avenida terminava na Avenida Ceará.

O prolongamento da Afonso Pena até o Parque dos Poderes só foi inaugurado em 1983. O Parque dos Poderes também estava em implantação naquele período, enquanto a área ao redor ainda passava por um processo acelerado de urbanização.

Por isso, a lembrança de quem viveu aquela época é de uma cidade em que grandes vazios, terrenos e áreas de terra ainda separavam regiões que hoje parecem completamente integradas.

11. Cine Alambra demolido

Fachada do Cine Alhambra, inaugurado em 1937, na Avenida Afonso Pena, e demolido em 1987. (Foto: Reprodução) 

Em 1987 foi demolido o cinema construído em 1937 e considerado um marco na Capital. Após a aposentadoria do proprietário, o comerciante Karim Bacha, o espaço deu lugar à construção de um hotel que permanece inacabado até hoje.

O Alambra tinha capacidade para cerca de 1.700 pessoas, com piso de madeira, paredes de granito e poltronas estofadas.

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