Diversão

Com noite de karaokê, Pizza Pub se despede da 14 de Julho após 4 anos

Mais um bar fecha as portas na rua que virou ponto boêmio de Campo Grande

Por Clayton Neves | 24/10/2026 08:02

A noite do adeus teve música, tristeza e vontade de aproveitar até o último minuto. Nesta sexta-feira (23), o Bar Pizza Pub se despediu da Rua 14 de Julho, com uma última rodada de karaokê. Com casa cheia, o clima foi de despedida do lugar que se tornou ponto boêmio da cidade e onde muita gente construiu memórias. 

Para Jean Paulo Costa, um dos proprietários, encerrar as atividades depois de quatro anos é deixar para trás um projeto que ajudou a movimentar a região. Antes de chegar à 14 de Julho, o bar funcionava na Rua Barão do Rio Branco até ir para a 14 de Julho no dia 8 de fevereiro de 2024, durante o Carnaval.

“A gente foi o segundo bar que abriu aqui e, com isso, conseguiu atrair mais gente, atrair mais bar. Então, acho que a gente fez o nosso papel social, cultural com Campo Grande”, avalia.

Com noite de karaokê, Pizza Pub se despede da 14 de Julho após 4 anos
Clientes aproveitaram a última noite para cantar e guardar lembranças do bar. (Foto: Clayton Neves)

Jean, que não nasceu em Campo Grande, diz que encontrou na cidade um lugar para construir sua história e retribuiu esse acolhimento por meio da cultura e da vida noturna.

A decisão de fechar as portas, segundo ele, passa por questões pessoais. “Eu tenho outro emprego e estou começando um mestrado, e minha esposa também tem uma rotina profissional que exige bastante tempo. Além disso, a falta de segurança e de apoio do poder público contribuiu para o encerramento. Isso faltou para a gente desde o começo que a gente abriu aqui”, afirma.

A despedida também foi difícil para quem encontrou no bar um lugar para vencer a timidez. Aos 22 anos, Kaíque Sampaio frequentava o espaço havia quatro ou cinco meses, mas o tempo foi suficiente para criar uma relação especial com o ambiente.

Bar estava na Rua 14 de Julho desde o Carnaval de 2024. (Foto: Clayton Neves)

Ele conta que procurava um lugar onde pudesse cantar e se sentisse confortável diante de outras pessoas. No Bar Pizza Pub, encontrou essa oportunidade e criou coragem para subir ao palco.

“Quando eu vim para cá, senti uma energia diferente. As pessoas são bem recebidas e aí eu me senti à vontade para cantar”, lembra.

Ele afirma que o anúncio do fechamento foi uma tristeza. “Eu tinha muitas músicas para cantar ainda aqui, porque aqui é um lugar de aconchego. Eu me sinto em paz e as pessoas são maravilhosas. Vai deixar saudade”, comenta.

Marcelo Henrique acompanhou a história do estabelecimento desde a abertura. Contratado inicialmente para trabalhar no salão, acabou indo para a cozinha e construiu ali uma caminhada profissional que guarda com carinho. “Nesses quatro anos foram os melhores quatro anos da minha vida trabalhando com eles”, afirma.

Enquanto funcionou, bar fez noites de karaokê, rodas de samba e apresentações de bandas de rock. (Foto: Clayton Neves)

Ele diz que leva as amizades e as experiências vividas no local. “Foram noites de karaokê, festas, samba e apresentações de bandas de rock, que ajudaram a movimentar a cidade”, destaca.

Para ele, ver mais um comércio encerrar as atividades na 14 de Julho é motivo de tristeza. “Vai deixar saudades, mas não é um adeus. Vamos ver o que o futuro espera pela gente”, diz.

Carlos Eduardo, o Cadu, de 24 anos, também esteve no bar na última noite. Segundo ele, a despedida reforça uma preocupação com a quantidade de estabelecimentos que fecham na cidade. “Tudo aqui em Campo Grande está fechando, né? A 14, nada rende, tudo acaba à meia-noite. A gente fica até se perguntando: ‘Que capital é essa, né?’”, questiona.

Noite da despedida teve karaokê para a galera soltar a voz. (Foto: Clayton Neves)

Para Cadu, os bares têm um papel que vai além do entretenimento. São espaços onde as pessoas se encontram, aliviam o peso da rotina e constroem lembranças. “Todo bar tem uma história. Todo mundo que vem aqui é para fugir da sua realidade, para se divertir, para criar momentos e memórias”, afirma.

Ele explica que, quando um estabelecimento fecha, as lembranças continuam vivas, mas já não é possível voltar ao mesmo lugar para revivê-las. “Quando o lugar fecha, parte dessas memórias morre. Não que elas vão morrer, mas a gente não vai poder voltar e retocar essa memória afetiva que a gente tem”, lamenta.

 

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