Diversão

Amor pelo BTS é tão grande que até museu ficou roxo

De mãe a filha, admiradoras compartilham histórias de afeto e superação; homenagem segue disponível no local

Por Amanda Ferreira | 25/10/2026 08:00
Amor pelo BTS é tão grande que até museu ficou roxo
Luzes roxas transformam a fachada do Museu das Culturas Dom Bosco em homenagem ao BTS (Foto: Amanda Ferreira)

O roxo tomou conta do Museu das Culturas Dom Bosco, em Campo Grande, neste sábado (24), e ganhou um significado especial para as fãs do BTS, grupo sul-coreano que conquistou admiradores pelo mundo. A iluminação faz parte do projeto Brasil Roxo e permanecerá na fachada do museu até 31 de outubro, devido à turnê do grupo pelo território brasileiro. Para as chamadas ARMYs, como são conhecidas as fãs do grupo, a iniciativa vai além de uma homenagem musical e representa histórias de amizade, superação e até laços entre mães e filhas.

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Entre as admiradoras estão Bruna Ramos Scaff, de 20 anos, professora de natação, e Rhannah Cavalcante, de 27, que também trabalha como professora de natação. As duas acompanham o BTS há anos e descobriram a iniciativa pelas redes sociais. O projeto Brasil Roxo busca iluminar pontos emblemáticos do País com a cor que se tornou símbolo da relação entre o grupo e seus fãs.

Bruna conheceu o BTS em 2017, por acaso, enquanto assistia a um vídeo de reação no YouTube. A curiosidade se transformou em paixão, que acabou contagiando as amigas e até a mãe, Cristiane Scaff. "Eu comecei a falar para as minhas amigas e aí todo mundo começou a virar fã. Inclusive, minha mãe, ela era uma das que falava mal, só que ela começou a escutar tanto, e escutando que ela começou a virar fã também", conta.

Cristiane, que trabalha com a venda de saladas de frutas, confirma que a filha foi responsável por apresentá-la ao universo do K-pop. No começo, não entendia o interesse de Bruna, mas a convivência com as músicas e coreografias mudou sua opinião. Hoje, as duas compartilham a admiração pelo grupo e acompanham juntas as novidades dos artistas.

"Eu me tornei fã e admiro muito eles, as músicas são lindas, eles dançam muito e me tornei fã devido à Bruna, que não parava de escutar aquelas músicas dentro de casa. Aí começou a chamar atenção e aí ela cantando e dançando, aí eu falei, epa, pera lá, e não é que é bom negócio, né? Vou me tornar fã também", relembra Cristiane.

O interesse da mãe não ficou restrito às apresentações musicais. Ela conta que passou a admirar também as mensagens transmitidas nas letras, traduzidas pela filha, e as ações solidárias associadas aos integrantes do BTS. Para Cristiane, o comportamento dos artistas é um exemplo positivo, principalmente pelo incentivo ao cuidado com outras pessoas.

Já Rhannah acompanha o grupo desde 2015, quando conheceu as músicas por meio de um familiar. Na época, ainda não sabia quem eram os integrantes, mas começou a pesquisar e conhecer melhor a trajetória dos artistas. Desde então, a admiração se tornou parte de sua rotina.

João Henrique Miliosi Gouvea, de 23 anos, explica as adaptações feitas na iluminação do museu para homenagear o grupo sul-coreano (Foto: Amanda Ferreira)

Para ela, o vínculo com o BTS está diretamente ligado às mensagens transmitidas pelas canções. Em 2016, quando enfrentava dúvidas sobre o futuro, encontrou conforto no álbum Wings. "Foi uma parte da minha vida onde eu estava tendo muitos conflitos com a cabeça, duvidando do que seria da minha vida, o que eu faria, e meio que no álbum deles eu achei um conforto", relata.

Bruna também destaca que o grupo aborda sentimentos e situações com os quais muitos jovens se identificam. Segundo ela, a combinação entre música, videoclipes e letras faz com que os fãs encontrem mensagens de apoio em momentos difíceis. "Você para para escutar uma música deles, até você que não é fã, vê o significado, vê a letra deles e acaba vendo que aquilo lá, querendo ou não, você passa por aquilo também", explica.

A jovem conta que passou por uma experiência marcante em 2020, durante um período difícil da vida. Depois de uma noite de tristeza, sonhou que abraçava alguém vestido como J-Hope, um dos integrantes do BTS. Embora não tenha visto o rosto da pessoa, associou o sonho ao artista e passou a considerá-lo seu favorito. "Eu só abracei ele e acordei e parecia que eu tinha acordado com um abraço dele ainda, sabe? Parece que foi de verdade", recorda.

Outra lembrança importante para as fãs são os shows. Uma delas conta que acompanha o grupo desde 2017 e espera há sete anos pela oportunidade de assistir a uma apresentação. Em 2019, não conseguiu comparecer por ser muito nova. Agora, com um ingresso comprado no início do ano para um espetáculo marcado para o dia 30, vive a expectativa de realizar esse desejo. "Eu tenho um sonho já faz sete anos e vou realizar ele semana que vem. Como que você ficaria?", questiona.

Outra admiradora relembra a experiência de assistir à turnê Love Yourself, em 2019. Segundo ela, a interação dos artistas com o público transforma as apresentações em momentos especiais. A ansiedade e a emoção acompanham a expectativa de reencontrar um dos integrantes no palco, depois de tanto tempo.

Bruna, Rhannah e Cristiane compartilham a paixão pelo BTS e celebram a homenagem ao grupo em Campo Grande (Foto: Amanda Ferreira)

Roxo contra o preconceito – Além da homenagem, Bruna aproveitou a oportunidade para falar sobre o preconceito enfrentado por quem acompanha o K-pop. Segundo ela, muitas fãs ainda são alvo de comentários depreciativos por admirarem artistas sul-coreanos. Para a jovem, o gosto musical não deveria ser motivo de julgamento.

"A gente está aqui, a gente está feliz. Do mesmo jeito que você gosta do seu Neymar, do mesmo jeito que você gosta do seu funk, a gente gosta. Qual que é o problema de gostar de um grupo que nos reconforta, que tem palavras que nos reconfortam?", questiona.

Ela também ressalta que as fãs são pessoas de diferentes idades e profissões, unidas pela admiração aos artistas. "Não tem problema algum a gente admirar pessoas assim, sabe? Eu só queria falar isso porque a gente é muito usada como chacota, mas a gente também é uma pessoa normal, só que a gente tem os gostos que a gente tem, igual você também deve ter", afirma.

Museu iluminado – A homenagem em Campo Grande faz parte do projeto Brasil Roxo, que promove a iluminação de espaços conhecidos em diferentes cidades brasileiras. Na Capital, o Museu das Culturas Dom Bosco, localizado na Avenida Afonso Pena, 7000, na região do Parque das Nações Indígenas, foi escolhido para receber a iniciativa.

O assistente de turismo do Museu das Culturas Dom Bosco, João Henrique Miliosi Gouvea, de 23 anos, explicou que a equipe precisou adaptar a iluminação para deixar a fachada roxa. Como as lâmpadas não tinham a opção de mudar de cor, os funcionários fizeram testes com papel e decidiram pintá-las.

Museu das Culturas Dom Bosco recebe iluminação roxa em homenagem ao BTS, por meio do projeto Brasil Roxo (Foto: Amanda Ferreira)

 "A gente vai pegar todas essas lâmpadas aqui e pintar de roxo", contou. Segundo ele, parte da iluminação já estava pronta, enquanto as demais lâmpadas serão pintadas na segunda-feira (26). A previsão é que, até o meio da semana, toda a iluminação planejada esteja na cor que representa os fãs do BTS.

Além da iluminação especial, a parceria com o museu oferece uma oportunidade para os fãs conhecerem o espaço. Quem visitar o local usando qualquer peça de roupa roxa terá entrada gratuita durante o período da ação.

Normalmente, os ingressos custam R$ 20 para entrada inteira e R$ 10 para meia-entrada. O museu funciona de terça a sexta-feira, das 8h às 16h30, e aos sábados, das 14h às 17h30.

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