Consumo

Americanas encolhe loja após passar pela maior crise da história

Reforma diminuiu área de vendas entre 40 e 50%, redistribuiu prateleiras e repaginou o local

Por Clayton Neves | 24/07/2026 06:13

Tempos depois de anunciar a maior crise financeira da história e até demitir parte dos funcionários, a unidade das Americanas da Rua Marechal Rondon foi repaginada e perdeu entre 40% e 50% do espaço da área de vendas.

Ponto histórico de Campo Grande, a loja foi considerada por anos o principal comércio da região do Centro e até hoje é símbolo de memórias vividas pelos mais jovens e, especialmente, entre moradores de mais idade. Agora, apesar do espaço reduzido, o comércio dá sinais de saída da instabilidade.

“Lembro da época que tinha a lanchonete na loja. O pessoal ia só para passear e comer alguma coisa. Foi muito triste quando a gente viu que a loja ficou uma paradeira, quase sem produtos e com o povo sendo mandado embora”, comenta a diarista Elizabeth Alves, de 59 anos.

Americanas encolhe loja após passar pela maior crise da história
Fachada das Lojas Americanas na Rua Dom Aquino. (Foto: Paulo Francis)

Para ela, os indícios são de retomada do lugar em que ela frequentou tantas vezes na juventude. “Parece que agora está até mais cheia, tem mais gente comprando e mais pessoal pra atender”, pontua.

O Lado B esteve na loja e constatou que a redistribuição das prateleiras compensou a redução da área útil, o que deixou o ambiente mais compacto e com sensação de maior movimento, tanto de clientes quanto de produtos.

O espaço continua ocupando o quarteirão entre as ruas Marechal Rondon e Dom Aquino, mas ficou visivelmente mais estreito. Apesar de menor, a loja continua oferecendo as principais categorias que marcaram a história do local, como bomboniere, alimentos, bebidas, higiene pessoal e brinquedos.

Produtos estão melhor distribuídos no espaço. (Foto: Paulo Francis)

Na loja, a aposta ainda são os combos de produtos, que incluem itens como duas caixas de chocolate por R$ 11,99, quatro chocolates da Kit Kat a R$ 10, duas barras de chocolate recheadas por R$ 12,99 e kit shampoo e condicionador da Pantene a R$ 26,99.

Em março deste ano, a Americanas informou que não faria mais fechamento massivo de lojas no Brasil e que usaria as unidades como pontos de entrega, após concluir a reestruturação e pedir saída da recuperação judicial. Atualmente, a Americanas mantém 29 lojas no Estado, sendo quatro em Campo Grande.

A estratégia incluía estabilizar cerca de 1.470 lojas e retomar clientes, enquanto a empresa ainda acumulava dívida estimada em R$ 30 milhões com fornecedores em Mato Grosso do Sul, concentrada em fornecedores e serviços como energia e internet.

Loja perdeu parte do espaço, que foi otimizado. (Foto: Paulo Francis)

Crise - O marco foi em 11 de janeiro de 2023, quando a empresa registrou “inconsistências contábeis” que somavam R$ 20 bilhões, inicialmente. Logo depois, o valor mais que dobrou, chegando a R$ 43 bilhões. No mesmo ano, a Justiça carioca aceitou pedido de recuperação judicial da rede.

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