Comportamento

Roberto largou bar e virou artesão de mão cheia no mundo dos capacetes

Tudo começou com um “não” aos 18 anos; desde então, ele mostra que arte é dom, mas também teimosia

Por Natália Olliver | 29/06/2026 07:00
Roberto largou bar e virou artesão de mão cheia no mundo dos capacetes
Mais que talento, Roberto provou que arte também é teimosia (Foto: Osmar Veiga)

Aos 55 anos, Roberto Souza Maciel mostra que não é só o talento que faz alguém se dar bem na vida. A realização também pode estar na teimosia de aprender, na paciência de repetir e na coragem de transformar improviso em profissão. Diante de um não, ele meteu a cara na customização de capacetes e hoje se considera "fera" nisso. O trabalho artesanal é feito com técnica, cuidado e muitos anos de estrada.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

No estúdio, Roberto não se limita à pintura. Ele desmonta, restaura, costura forros, personaliza detalhes e também trabalha com personalização de motos. Há 20 anos, chegou a ser dono de um pub em Campo Grande, mas a rotina pesada o fez escolher outro caminho. Entre o balcão e a arte, ficou com aquilo que sabia fazer melhor: dar identidade a capacetes e transformar peças comuns em objetos únicos.

Designer formado e com duas graduações no currículo, Roberto poderia ter seguido por outros caminhos. Mas a paixão por motos falou mais alto. Desde criança, ele convive com integrantes de motoclubes e sempre gostou do universo das duas rodas. Foi nesse ambiente que, entre os 18 e 19 anos, decidiu aprender a pintar capacetes. A tentativa na época foi frustrante.

Tudo começou com um "não" aos 18 anos e hoje ele ganha vida personalizando capacetes (Foto: Osmar Veiga)

Ele e um amigo procuraram um personalizador para pedir orientação. A resposta foi seca: seria preciso "ter o dom". O profissional se recusou a ensinar. Mas os dois não desistiram da história. Ao contrário, tudo isso acendeu o pavio e deu ainda mais vontade de aprender. Irritados, os dois resolveram tentar por conta própria.

O primeiro trabalho foi um capacete com desenho do Frajola e do Piu-Piu. Sem compressor, sem internet e sem equipamentos adequados, a pintura saiu no improviso, feita com bombinhas de veneno. 

Além de capacetes, Roberto customiza motos e até costura forros (Foto: Osmar Veiga)

Hoje a cena parece quase absurda, mas foi dali que começou uma trajetória que já soma mais de 7 mil serviços, inclusive com peças enviadas para fora do Brasil. “Eu nunca fiz curso de aerografia. No início, eu mesmo cortava as máscaras de pintura à mão; hoje, uso computador e máquina de corte”.

O trabalho é solo. Ele conta que já tentou ter funcionários, mas o método de criação exige espaço, improviso e controle total sobre o processo. A estrutura também mudou com o tempo. Recentemente, ele montou uma estufa para enfrentar os dias frios porque a peça precisa ser aquecida antes do desenho e novamente antes do verniz. "Não é possível desenhar no frio sem isso".

O serviço vai além da pintura. Roberto também desmonta, personaliza, remonta e entrega capacetes novos ou usados, incluindo modelos caros. Em alguns casos, restaura a forração interna completa. Para isso, usa uma máquina de costura antiga, que pertenceu à avó de um amigo.

Os valores variam conforme o modelo e a complexidade do desenho. Uma personalização costuma custar entre R$ 200 e R$ 500. O prazo médio de entrega é de até 10 dias. Entre os pedidos mais comuns estão as logomarcas da Harley-Davidson. Apesar de solitário, Roberto não trocaria o trabalho por outra coisa. "Eu me realizo assim."

O estúdio dele fica na Rua Argemiro Fialho, 119, no bairro Vila Bandeirante.

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.

Veja Mais