Comportamento

Para tirar filho das telas, mãe faz livraria infantil dentro de boutique

Ideia começou com um armário de livros e cresceu com a procura de famílias por alternativas ao celular

Por Amanda Ferreira | 18/09/2026 07:59
Para tirar filho das telas, mãe faz livraria infantil dentro de boutique
Acervo reúne títulos para crianças e adolescentes, com opções em português e inglês (Foto: Amanda Ferreira)

O que começou com alguns livros comprados para o filho virou uma livraria dedicada à literatura infantil e infantojuvenil em Campo Grande. A ideia é da empresária Simone Francisca Morel, de 48 anos, que percebeu o interesse de outras famílias pelos títulos que levava para dentro de sua loja de roupas infantis.

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Quando o filho tinha por volta de 7 ou 8 anos, Simone aproveitava as viagens feitas para comprar roupas para procurar livros nas poucas editoras que participavam das mesmas feiras. As obras eram escolhidas para o menino, mas algumas começaram a ocupar um pequeno armário dentro da Boutique das Crianças.

Outras mães perceberam os livros e passaram a procurá-los para os próprios filhos ou para presentear. Com o aumento dos pedidos, Simone ampliou o acervo a cada viagem e o espaço dedicado à literatura cresceu até se transformar na Livraria Pequenos Contos, na Rua Jeribá, 305, Chácara Cachoeira.

“Eu comecei trazendo livros para o meu filho e colocando alguns aqui na loja. A procura foi crescendo e tomou uma proporção muito grande, muito rápido. Foi quando decidi ampliar e continuar investindo. Estamos há cerca de um ano e três meses nesse projeto. Tudo começou por causa do meu filho e, hoje, ele é um leitor”.

Livros infantis ocupam espaço que começou com apenas um armário dentro da boutique (Foto: Amanda Ferreira)

A procura pelos livros surpreendeu Simone, que inicialmente imaginava manter apenas uma pequena seção dentro da loja. Aos poucos, o acervo cresceu e passou a atender diferentes idades, dos bebês aos adolescentes.

“Eu comecei com o meu filho também por conta disso, para afastá-lo um pouco do celular, e ele acabou pegando gosto pela leitura. Depois, comecei a perceber essa mesma busca entre os pais. Pelo que sei, Campo Grande não tem outra livraria voltada somente ao público infantil e juvenil, desde os bebês até os adolescentes”.

Simone conta que também passou a conhecer melhor a literatura infantil a partir do projeto. Sem ter recebido incentivo à leitura durante a infância, hoje ela acompanha pais, avós e outros familiares em busca de livros para as crianças.

“Eu não tive esse incentivo à leitura e quis trazer isso para o meu filho. Esse universo também é novo para mim, então estou aprendendo e conhecendo muitas histórias. O que mais me surpreendeu foi ver pais e avós procurando livros para as crianças, muitos justamente querendo tirá-las um pouco das telas”.

Livros dividem as prateleiras entre clássicos, novidades e histórias para diferentes idades (Foto: Amanda Ferreira)

Na livraria, Simone percebe que os livros também despertam lembranças nos adultos. Alguns pais reconhecem títulos que leram na infância e mostram aos filhos. Entre as crianças menores, chamam atenção principalmente os livros interativos.

“Tem criança de 3 ou 4 anos que chega e já demonstra interesse. Às vezes, os brinquedos nem chamam tanto a atenção, porque elas querem pegar os livros, folhear, sentir e ver. Os livros com bichinhos e os pop-ups encantam muito. E vira e mexe aparece algum pai dizendo: ‘Esse livro eu li quando era criança’”.

Acervo - Simone não contabiliza o número de títulos disponíveis, mas conta que ampliou o acervo depois de visitar a Bienal e conhecer novas editoras. A livraria recebe, em média, de 6 a 12 clientes por dia, muitos acompanhados dos filhos. Os livros custam, em geral, entre R$ 29 e R$ 89, com opções que vão de R$ 19 a cerca de R$ 200.

O acervo tem livros em português e inglês, além de obras de autores sul-mato-grossenses que já participaram de sessões de autógrafos na loja. Há títulos sobre adoção, despedidas e emoções, voltados a crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. A livraria também já realizou uma ação com livros em inglês em uma escola de Campo Grande e prepara outra atividade escolar para o fim do ano.

Prateleiras priorizam livros e têm obras voltadas a leitores de 2 a 14 anos (Foto: Amanda Ferreira)


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