Comportamento

"Nunca mais você vai ficar longe de mim", diz mãe ao reencontrar filho

A separação aconteceu quando Enzo tinha apenas dois anos de idade, ao ser levado pelo pai; hoje ele tem 13

Por Lucia Morel | 08/08/2025 20:54
"Nunca mais você vai ficar longe de mim", diz mãe ao reencontrar filho
Enzo, ao meio, ao lado da mãe Elizete e do padrasto. (Foto: TJMS)

Após mais de uma década de busca, dor e esperança, uma mãe e seu filho, separados de forma abrupta pelo pai, se reencontraram nesta semana no Fórum de Ponta Porã. Com a história de Elizete e seu filho Enzo, de 13 anos, a Justiça do Mato Grosso do Sul ajudou a reescrever um novo capítulo, marcado por muita emoção e o tão esperado abraço.

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A separação aconteceu quando Enzo tinha apenas dois anos. A mãe, Elizete, viveu mais de 10 anos sem notícias do filho, mas nunca perdeu a esperança de encontrá-lo. "Meu filho foi levado de mim quando ele tinha dois anos, e nesse tempo todo tentei procurá-lo, mas sem sucesso. Não sabia onde ele poderia estar, mas nunca deixei de acreditar que estaríamos juntos novamente", conta.

O reencontro começou a se tornar possível em janeiro deste ano. Vivendo em situação de vulnerabilidade e sofrendo maus-tratos, o garoto foi abandonado e levado a uma casa de acolhimento em Ponta Porã. A partir daí, a equipe da instituição e a Justiça deram início a uma busca incansável para encontrar Elizete.

A coordenadora Tânia Jacques da Cruz e a psicóloga Thais Nantes Zacarias, do Abrigo Seu Félix, foram fundamentais. "Ele chegou falando o que tinha acontecido com ele, que tinha uma mãe e que a gente precisava encontrá-la, porque ela o amava muito e ele queria muito ter a família de volta", relata Tânia.

A busca deu resultado em abril, quando a equipe localizou Elizete, que agora vive no interior de outro estado com o marido e mais três filhos. Os primeiros contatos foram feitos por videochamada enquanto o trâmite judicial era finalizado. "Quando recebeu a notícia, ela não acreditou, ficou em choque, mas depois disso foi uma grande emoção para todo mundo", completa a psicóloga Thaís.

O desfecho, tão esperado, veio com uma decisão da juíza Thielly Dias de Alencar Pitthan, da 1ª Vara Criminal da comarca de Ponta Porã, que concedeu a Elizete a guarda provisória e uma medida protetiva contra o pai do menino.

"Esperei tanto por esse momento, o coração estava batendo muito forte. Quando o vi, foi a hora que apertou. Não tenho palavras para dizer o que estou sentindo", disse Elizete, em meio às lágrimas, logo após o primeiro abraço no filho. A mãe completou, com a voz embargada de emoção: "Nunca mais você vai ficar longe de mim, agora nossa família está completa e poderemos ser felizes de verdade".

O momento emocionante, que comoveu a todos os presentes, foi o resultado de um trabalho conjunto entre a equipe do abrigo, a assistente social do Fórum Samia Mahmoud e a Justiça. Para a juíza Thielly, o caso demonstra a importância de assegurar o direito à convivência familiar.

"É muito reconfortante conduzir um processo e acompanhar um desfecho como esse, em que há um reencontro entre mãe e filho, porque faz com que a gente continue acreditando na justiça", finaliza a magistrada.

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