Comportamento

Morte de jornalista em MS inspirou IA que vê antecedentes antes do date

Sabrine criou ferramenta que dá às mulheres o poder da informação para mais segurança nos encontros

Por Natália Olliver | 04/12/2025 06:40
Morte de jornalista em MS inspirou IA que vê antecedentes antes do date
IA foi desenvolvida para checar antecedentes de parceiros ou futuros companheiros (Foto: Aletheya Alves)

Você sabe com quem está se relacionando? Foi a brutalidade do caso da jornalista Vanessa Ricarte que fez Sabrine Matos, de 29 anos, criar uma IA (inteligência artificial) para que as mulheres não ficassem mais à mercê das palavras de companheiros e futuros parceiros. Para ajudar a evitar tragédias como a da sul-mato-grossense, ela desenvolveu uma ferramenta para que as mulheres chequem os antecedentes criminais dos homens antes dos famosos dates, ou encontros amorosos.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Ao Lado B, a curitibana explica que o estopim para colocar a ideia em prática foi o choque de ouvir os áudios de Vanessa pedindo ajuda na delegacia e sendo tratada com descaso. A morte da profissional, assassinada pelo ex-noivo em fevereiro, não saiu da cabeça dela.


“Ouvir o tratamento que ela teve na delegacia me deixou totalmente em choque. Pensei que não tínhamos nenhum tipo de rastreamento sobre isso na cidade, no estado e no país, focado em preservar a anonimidade das usuárias. Trabalho com marketing, tecnologia e dados há mais de 10 anos e este ano, quando vi que existiam plataformas de IA para desenvolver produtos, fiquei com a ideia de fazer algo. Aí vi a reportagem sobre a Vanessa e comecei as pesquisas para desenvolver a plataforma”.

Foram dois meses de pesquisas e preparo da IA. Ela conta que tudo começou em abril, mas que o recurso só ficou disponível ao público em junho. O intuito era que fosse simples, com uma linguagem igualmente simples e acessível.

“É uma plataforma muito simples e você precisa apenas do nome e telefone para conseguir buscar os antecedentes. A parte mais difícil foi fazer o tratamento de dados, ter certeza de que estão certos. Trabalhamos muito na tecnologia para desenvolver isso. O nome Plinq ficou porque eu queria algo curto e internacional”.


Sabrine desenvolveu o recurso com mais duas pessoas, Felipe Bahia e Micael Marques, em uma plataforma de inteligência artificial sueca onde não era preciso conhecimento em programação.

Mas afinal, como funciona?

O processo é fácil. Basta entrar no site, digitar o nome completo da pessoa, telefone e data de nascimento para começar a busca. Em seguida, quem está pesquisando receberá um relatório no WhatsApp sobre os antecedentes criminais, processos judiciais e uma avaliação de risco gerada pela própria IA, chamada de bandeiras: Red Flag (bandeira vermelha), sinal de perigo extremo; Yellow Flag (bandeira amarela), atenção; e Green Flag (bandeira verde).

A IA oferece uma espécie de tradutor jurídico que explica, de forma clara, o que cada processo significa. No caso da Red Flag, ela orienta a usuária a proceder com extrema cautela, considerando que pode haver processos em segredo de justiça que dificultam saber se o homem pesquisado é vítima, acusado ou outra parte.

A Green Flag não significa segurança plena e a ausência de registros públicos não garante que a pessoa não tenha passado por situações que não estejam registradas.

Sabrine destaca que a consulta é confidencial. A pessoa consultada não saberá que a pesquisa foi realizada e que os dados e as buscas da usuária estão protegidos.

“Hoje temos mais de 28 mil usuárias e mais de 30 mil pesquisas realizadas na plataforma. Me surpreendi com o resultado. Já temos mais de 200 casos catalogados de usuárias, como o de uma que ia pegar carona, mas checou na Plinq e descobriu que o motorista tinha condenação por homicídio. Saber que a gente causa impacto na vida das pessoas é surpreendente.”

Sabrine Matos criou IA após caso de jornalista morta em Campo Grande (Foto: Reprodução)

Apesar de inovador, o recurso não é gratuito, pelo menos por enquanto. A plataforma opera em dois modelos de uso: R$ 27 para consulta avulsa e R$ 97 para consultas ilimitadas. 

Segundo Sabrine, oferecer tudo gratuitamente é um objetivo, mas para isso seria necessário que alguma instituição arcasse com os custos, possibilidade que já vem sendo discutida com secretarias de alguns estados interessadas em levar a ferramenta como política pública.

O projeto precisou ser financiado para existir e, até o momento, faturou mais de R$ 250 mil. A expectativa é alcançar três milhões de usuárias futuramente.

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