Comportamento

Famílias transformam cemitério em lugar de reencontros com quem está vivo

Cadeiras de praia, tereré, trabalho em equipe para limpar túmulo e conversas reaproximam familiares

Por Cassia Modena e Maria Gabriela Arcanjo | 02/11/2025 09:38
Famílias transformam cemitério em lugar de reencontros com quem está vivo
Abraço entre os túmulos é conforto para quem compartilha dor de perder alguém da família (Foto: Juliano Almeida)

A rotina de quem é vivo nem sempre permite ter contato com pessoas da mesma família. Para alguns, o Dia de Finados acaba virando justamente uma oportunidade de estar perto de quem se ama enquanto a morte não chega, seja rezando junto ou conversando em cadeiras de praia com um tereré ao lado.

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Um túmulo no Cemitério Santo Amaro, em Campo Grande, foi o ponto de encontro da aposentada Ramona Vargas, 76, e mais cinco parentes. O sol está forte neste domingo (2), e o local quase não tem árvores para fazer sombra, mas a família passou bastante tempo ali entre sorrisos, memórias e assuntos triviais.

De todos os membros, Ramona considera especial a presença dos netos que não chegaram a conhecer os mortos que hoje recebem a visita. "Eu me sinto triste porque é uma data em que a gente lembra daqueles que já se foram, mas é importante vir aqui e tentar lidar com essa tristeza. Importante trazer as crianças e mostrar a eles quem já se foi." 

Mulher segura garrafa térmica e tereré que acompanham a visita (Foto: Juliano Almeida)

A aposentada sente saudades do filho, que morreu afogado há 25 anos, e do irmão que perdeu há 6 anos. Todos os anos ela volta ao Santo Amaro para revisitar as lembranças dos dois.

Trabalho em equipe - É também em família que o técnico de enfermagem Vitor Pedro dos Santos, 29, foi ao mesmo cemitério. A mãe e a tia o ajudaram na faxina do túmulo de alvenaria construído ainda este ano. O jovem perdeu a irmã em junho.

Já o escoteiro Victor Gabriel Coelho, 19, não está no local com a família nem para visitar algum ente querido, embora o avô esteja sepultado ali desde 2022. Sua companhia são os amigos da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Família reza em frente a túmulo (Foto: Juliano Almeida)

Ele distribui água gratuita aos visitantes e entrega um livro e panfletos com mensagens religiosas sobre luto. "A morte é algo a que o ser humano não está acostumado. As pessoas não estão acostumadas a se despedir, mas eu acredito que a gente não tem que ver isso como um fim", fala.

Mudas - A Prefeitura de Campo Grande realiza distribuição de mudas de árvores frutíferas nos cemitérios públicos. Além do Santo Amaro, a ação ocorre no Santo Antônio e São Sebastião, também conhecido como Cruzeiro.

Horários de visitas - A visitação nos cemitérios públicos de Campo Grande, neste Dia de Finados, iniciou às 7h e vai terminar às 17h. 

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