Comportamento

Com tanta proposta, Fusca de 64 tem placa para afastar interessados

Carro tem 96% de originalidade e dono que já recusou pagamento até R$ 90 mil por ele

Por Clayton Neves | 12/12/2025 06:55

O dono do Fusca “Cinza Diamante”, Samuel Rocha Pereira, de 60 anos, já recebeu propostas que chegaram a R$ 90 mil pelo carro. Nenhuma delas o convenceu, pelo contrário. Para evitar novas investidas, ele mandou fixar uma placa em um dos vidros escrita “Atenção! Último dono”, como aviso claro de que o veículo não está à venda e não vai sair da família.

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O Fusca 1964 tem 96% de originalidade e até placa preta, de colecionador. Samuel conta que comprou o clássico em 2023 e, a partir daí, ele mesmo executou cada detalhe de uma restauração que durou todo o ano de 2024. 

Metódico, o proprietário desmontou e remontou o Fusca. Trocou frisos, vidros, lentes, forros e detalhes internos. Apenas a pintura ficou nas mãos de um amigo. “Eu ia corrigindo, corrigindo, até ficar pronto. O objetivo era deixar do jeito que eu sempre quis”, conta. Em 2024, depois de pronto, o veículo recebeu a placa preta. “Agora é de colecionador mesmo”, comenta.

Com tanta proposta, Fusca de 64 tem placa para afastar interessados
Fusca foi comprado em 2023 e totalmente restaurado. (Foto: Juliano Almeida)
Placa é aviso que dono não está interessado em vender o veículo. (Foto: Juliano Almeida)

O Fusca que já tem 61 anos, um a mais que o próprio dono, foi batizado de “Cinza Diamante” e atrai olhares por onde passa. Motor clássico, acabamento impecável, meia-luz funcionando, tudo original. Samuel conta que quase todas as vezes que sai na rua é parado por alguém. 

“Essa semana mesmo, um homem quase pulou da janela do carro da esposa. Mandou parar porque queria ver de perto. Disse que o pai dele tinha um igual”, recorda. Horas depois, no sinal, outra cena. “A mulher começou a gritar para eu parar porque queria mostrar para a filha. Pensei: meu Deus, será que tá tão bonito assim?”, brinca.

A paixão de Samuel por carros antigos não começou com o Diamante. Ele sempre gostou de restaurar veículos, mexer com detalhes e trazer vida nova a clássicos. Antes do Fusca, já teve uma Belina 1, um Corcel e um Chevette. 

“Eu gostava de ter carro, ir restaurando devagarzinho. Sempre mexi com essas raridades”, conta. Mesmo assim, admite que nenhum deles se compara ao Fusca. “O Fusca é apaixonante. Esse ninguém ganha dele”, avalia.

Samuel conta que comprou o Fusca pensando em curtir com a esposa, Márcia, que morreu há dois meses, aos 57 anos. “Ela conseguiu dar apenas uma voltinha no carro antes de partir”, desabafa.

Agora, o resto do sonho ficou para ele e os netos, que hoje são parte essencial da história do Fusca. “São quatro netos, duas meninas e dois meninos. Eles são apaixonados. Quando vamos sair, não querem saber de outro carro, querem ir no Fusca”, relata. 

Parte interna segue originalidade do fusca. (Foto: Juliano Almeida)
Carro tem placa preta, que indica ser um item de colecionador. (Foto: Juliano Almeida)

E é justamente por isso que o avô rejeita cada proposta que aparece. Com o passar do tempo, o carro já virou patrimônio afetivo. “Já me ofereceram R$ 90 mil e não aceitei. O maior pagamento é o povo olhar, achar bonito e bem feito”, resume.

Agora, Samuel se prepara para mais um toque especial. A pintura do Fusca será vidrificada para ficar ainda mais brilhante. “Já que é pra chamar atenção, vamos chamar de verdade”, finaliza. 

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