Comportamento

Com "parente" na Copa do Mundo, aldeia se veste de verde e amarelo

Moradores da Marçal de Souza e crianças da comunidade preparam decoração para acompanhar Éderson na Seleção

Por Gabi Cenciarelli e Natália Olliver | 08/06/2026 11:41
Com "parente" na Copa do Mundo, aldeia se veste de verde e amarelo
Aldeia decorada para a Copa (Foto: Natália Olliver)

As primeiras fitas verdes e amarelas já começaram a aparecer pelas ruas da Aldeia Urbana Marçal de Souza, no Bairro Tiradentes. Mas, diferente de outros anos, a decoração não tem apenas a Copa do Mundo como motivo. Desta vez, a torcida tem nome, sobrenome e raízes na comunidade.

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Convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, o volante campo-grandense Éderson dos Santos passou a mobilizar moradores da aldeia, que enxergam no jogador um motivo extra para acompanhar o Mundial. Descendente do povo terena, ele se tornou símbolo de orgulho e representatividade para a comunidade, que já começou os preparativos para os jogos do Brasil.

No Memorial da Cultura Indígena, as bandeirinhas que começam a colorir a aldeia nasceram da insistência das próprias crianças. "Foi mais por causa delas", conta a gestora do memorial, Maria Auxiliadora Bezerra, de 54 anos. 

Gestora do memorial, Maria Auxiliadora Bezerra, em conversa com o jornal (Foto: Natália Olliver)

"As crianças começaram a perguntar se a gente não ia fazer nada. Hoje são cerca de dez participando. Elas fazem as fitas e nós ajudamos a colocar."

Segundo ela, a mobilização ganhou força após a confirmação da convocação de Éderson. "A comunidade abraçou a ideia. A gente sempre torce pelo Brasil, mas agora temos um motivo a mais. Um terena foi convocado para a Seleção Brasileira."

Maria afirma que a presença do volante no elenco brasileiro tem um significado que vai além do futebol. 

"Muita gente não sabe, mas o Éderson é um filho aqui da região do Tiradentes e também é terena. É um legítimo indígena representando o Brasil. Isso nos enche de orgulho."

Enquanto as crianças penduram as bandeirinhas, o artesão e pesquisador de história indígena John Gones, de 43 anos, já conta os dias para a estreia da Seleção. "É um momento muito importante para a Aldeia Marçal de Souza participar dessa festa e compartilhar esse espírito de união que a Copa traz", afirma.

Indígena John Gones está com expectativa alta para Copa (Foto: Natália Olliver)

Apaixonado por futebol desde a infância, John diz que a convocação tornou a competição ainda mais especial para a comunidade. "A gente torce pelos jogadores da Seleção, mas principalmente pelo nosso parente. O Éderson morava aqui ao lado, a família dele continua morando aqui no Tiradentes. Existe uma identificação muito grande."

Para ele, ver um descendente terena vestir a camisa do Brasil no maior torneio de futebol do planeta representa algo que ultrapassa as quatro linhas. "Isso aproxima as crianças do esporte e mostra que elas também podem sonhar. Quando alguém com uma história parecida com a delas chega tão longe, a gente passa a acreditar ainda mais."

Bandeira do Cruzeiro esticada durante visita do volante (Foto: Arquivo pessoal)

A expectativa também aumentou dentro da aldeia. "Estou confiante. A cada dia que a Copa se aproxima, a gente acredita mais. Tem o Vinícius Júnior, o Endrick, o Raphinha, grandes jogadores, e agora o Éderson faz parte desse grupo. Parece que desta vez estamos mais esperançosos."

Na Marçal de Souza, a torcida pelo Brasil continua a mesma. Mas os moradores admitem que o sentimento ganhou uma camada especial desde domingo, quando a convocação foi anunciada. Pela primeira vez, muitos sentem que um pedaço da própria comunidade também estará em campo.


Volante em treino com a Seleção Brasileira (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)


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