Comportamento

Casa vira bazar com quadros, panelas de ferro e relíquias a partir de R$ 5

Evento marca despedida do imóvel onde a família Silvestrini morou e reúne memórias de uma vida toda

Por Natália Olliver | 03/09/2026 08:01
Casa vira bazar com quadros, panelas de ferro e relíquias a partir de R$ 5
Whiskies, cachaça de degustação estão na lista de coisas do bazar (Foto: Juliano Almeida)

Paola Silvestrini, de 38 anos, está se despedindo da casa onde cresceu, mas, para que os objetos de uma vida não acabem no lixo, ela, a mãe e a irmã resolveram fazer um bazar neste sábado (5), com quadros, esculturas, panelas de ferro, livros, vinis e eletrodomésticos a partir de R$ 5. A ideia é que os itens que fizeram parte da história da família Silvestrini e que ainda têm valor sentimental fiquem com pessoas que cuidarão bem deles.

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Despedir-se da casa não é fácil, porque foi ali que viveu os melhores e piores momentos da vida dela. Um deles foi a partida trágica do irmão Breno Luigi Silvestrini de Araújo. Ele foi sequestrado e assassinado em 2012 junto do amigo de infância Leonardo Batista Fernandes.

A dor ainda aparece nos olhos de Paola, mas o tempo fez com que falar sobre o assunto não fosse um tema restrito. O Lado B esteve na preparação para o bazar. Quem procura objetos que marcaram vai aproveitar para garimpar por um precinho acessível.

Réplica de busto feito por artista frânces e panelas de ferro (Foto: Juliano Almeida)

“É um lugar cheio de memórias e histórias felizes. Estamos encerrando esse ciclo e passando esse carinho adiante. Isso já era um desejo antigo desde que o Breno partiu, que foi uma coisa muito difícil para todos nós. Foi uma tragédia na nossa família. E também estamos querendo nos despedir desse momento, dessa casa e de todas essas memórias, mas queremos que fique com pessoas que também têm muito carinho pela gente”.

A despedida do imóvel ocorreu depois da morte do pai, Rubens Milton Silvestrini de Araújo, ou Rubinho, como era conhecido. Ele era engenheiro e professor e colecionava inúmeras coisas na casa, entre elas, guampas de tereré, que já têm destino certo, segundo Paola.

Paola e o irmão, Breno Luigi Silvestrini de Araújo (Foto: Arquivo pessoal)

“Vamos fazer um projeto com isso, mas algumas colocamos para venda. A gente quer que as pessoas levem isso com carinho e aproveitem um terezinho. Algumas coisas eram da minha avó, que era italiana e veio para cá na 2ª Guerra Mundial. Ela viajava muito. Também tem coisas que ela trouxe da Índia, da Grécia. Meu pai trazia também, trouxe do México e do Peru, Bolívia”.

Além disso, a lista de objetos disponíveis no bazar conta com um busto, réplica da obra de um artista francês, e muitos pires de alumínio e inox, vendidos de R$ 10 a R$ 50. Há também algumas, cachaças de degustação e vários whiskies, vendidos a partir de R$ 20.

Inúmeros livros e revistas estarão à venda neste sábado (Foto: Juliano Almeida)

Já os quadros têm preços diversos: R$ 100, R$ 120, R$ 150. Uma réplica de Salvador Dalí sai a R$ 250, as panelas a partir de R$ 100. Mas Paola garante que tudo será vendido por um preço justo e acessível.

“Tem coisa que está a menos de R$ 1, os cabides, por exemplo. Estou fazendo kits de R$ 5, R$ 10. Tem muita coisa e a maioria custa menos de R$ 100”. Entre os livros, inúmeros acadêmicos, mas incontáveis de romance, ficção e gêneros diversos. 

Na parte dos vinis, o catálogo traz Michael Jackson, Stevie Wonder, Vinícius de Moraes, Elis Regina, entre outros grandes nomes da música nacional e internacional. CDs também estão disponíveis.

Na foto de cima Breno e as irmãs; na de baixo, o amigo de infância de Breno, Leonardo Batista (Foto: Arquivo pessoal)

Voltando à casa, a família toda morava ali. Depois da morte de Breno, as coisas mudaram muito. As visitas que enchiam o ambiente foram sumindo. Ninguém sabia como lidar com a tragédia.

Paola relembra que Breno era um jovem simples e muito carinhoso, que valorizava estar junto com as pessoas que amava. “Ele, ao contrário do meu pai, que sempre gostou de muitas coisas, ele nunca gostou disso. Era mais apegado às pessoas e às memórias. E o que fica é justamente isso. Ele nunca se apegou a isso, (bens materiais), pra ele eram as memórias e as vivências e a gente continua tendo ele dentro de cada um de nós”.

Até hoje, Paola se pega pensando no que o Breno faria ou como agiria em determinada situação da vida. “Ele segue com a gente, assim como meu pai. Inclusive muita gente virá aqui porque eram do Rubinho essas coisas”.

Paola mostra peças que estarão no bazar deste sábado, 5 (Foto: Juliano Almeida)

Após a morte do irmão, a mãe fundou a Associação Mulheres da Fronteira, que atuou no estado até 2019. A ideia veio como forma de cobrar o poder público sobre a segurança na cidade.

“Foi muito difícil e vai ser sempre, principalmente para minha mãe. Na época, a gente estava vivendo uma mudança sobre a segurança pública. As pessoas estavam sentindo mais isso do tráfico porque sequestraram meu irmão para trocar o carro por droga”.

O bazar será apenas neste sábado (5), na Rua José Oliva, número 46, no bairro Monte Castelo. O evento acontecerá das 8h às 16h.

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