Cansado da CLT, Celso trocou empresa por horta à beira da estrada
Há 4 anos, ele e a família cultivam verduras e frutas para vender em uma banca no Rita Vieira

Depois de 17 anos trabalhando em uma empresa, Celso Rodrigues da Cruz, de 59 anos, decidiu mudar de vida e voltar às raízes. Criado na zona rural de Glória de Dourados, ele deixou o emprego para investir no próprio negócio e, desde 2022, cultiva verduras, legumes e frutas que vende em uma banca à beira da estrada, em Campo Grande. A rotina começa cedo, não tem folga nem aos domingos, mas trouxe a oportunidade de trabalhar por conta própria.
RESUMO
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Após 17 anos como empregado, Celso Rodrigues da Cruz, de 59 anos, deixou o emprego e, desde 2022, cultiva verduras, legumes e frutas em Campo Grande, vendidos em uma banca à beira da estrada, na Avenida Rita Vieira. Criado na zona rural de Glória de Dourados, ele trabalha com a companheira e o filho, sem folga. Evita agrotóxicos, mas não tem certificação orgânica. Chuvas e vento prejudicam a produção, mas ele não pensa em desistir.
A ideia de abrir a horta surgiu quando Celso percebeu que já havia dedicado boa parte da vida ao trabalho para outras pessoas. Ele não tinha certeza de qual negócio abriria, mas sabia que queria seguir outro caminho.
"Eu achei que já era o momento de seguir meu próprio destino e montar o meu negócio. Talvez não seria horta, mas surgiu a horta", conta.
A escolha pela agricultura não foi por acaso. Celso nasceu e cresceu em Glória de Dourados, onde aprendeu desde pequeno a cultivar alimentos. Na propriedade rural em que vivia, manter uma horta era uma necessidade, já que a cidade ficava a 18 quilômetros de distância. "Antes ninguém comprava nada. No sítio ninguém comprava. A ideia era cultivar sua horta em casa. Minha mãe sempre gostou de mexer com horta. Eu acho que isso já está no sangue", relembra.
Antes de se estabelecer definitivamente em Campo Grande, Celso também passou 6 anos na Capital, retornou ao interior e, mais tarde, voltou à cidade. Quando surgiu a oportunidade de conseguir uma área para plantar, resolveu colocar o antigo conhecimento em prática. O que começou como uma alternativa de renda acabou se transformando na principal atividade da família.
Hoje, ele divide o trabalho com Ivone Alves e o filho, que passou a ajudar na produção depois de ficar desempregado. Os três cuidam do plantio, da irrigação, da colheita e da organização dos produtos vendidos na banca com a horta de aproximadamente 4 hectares.
"A horta, o dia a dia é chegar, fazer a irrigação, aguar primeiro, tirar os produtos para entrega, tirar os produtos para venda ali na banca. É essa luta todos os dias, de domingo a domingo", descreve.
Na produção, os campeões de venda são quiabo, maxixe, jiló, rúcula, alface e couve. Mas a variedade vai além das hortaliças. A família também cultiva limão, pimenta, berinjela, tomate, mamão e banana, além de preparar conservas de pimenta em vidros. Na banca, há ainda produtos de outros fornecedores, como rapaduras, que Celso compra de produtores cuja qualidade afirma conhecer.
O agricultor procura reduzir ao máximo o uso de produtos químicos no cultivo. Segundo ele, grande parte da produção segue práticas naturais, embora não tenha certificação orgânica.
"A maioria dos meus produtos são orgânicos, né? Eu procuro evitar o máximo de agrotóxico. Claro, a gente não tem o certificado porque isso não é fácil de a gente conquistar", explica. Celso afirma que o objetivo é oferecer alimentos mais naturais aos clientes, mesmo que nem sempre tenham a aparência dos produtos encontrados nos supermercados.
Manejo com a horta - O cuidado começa ainda na horta. Depois da colheita, a família separa os alimentos, faz a limpeza e organiza o que será vendido. Alguns são embalados, enquanto outros seguem diretamente para a banca.
Celso explica que faz a seleção manualmente e que a aparência nem sempre indica a qualidade. "Na hora de colher, a gente já vai classificando. Muitas vezes o produto não está bom, que nem na época em que teve muita chuva. A gente tem um cuidado legal sobre isso", afirma.
Apesar da experiência, o clima se tornou um dos maiores desafios para manter a produção. As chuvas intensas prejudicam principalmente as folhagens e dificultam a colheita de alimentos em boas condições.
O vento também causou prejuízos à estrutura usada no cultivo hidropônico. "Nós temos alguns produtos também na hidroponia, que era uma estufa, mas aí o vento levou tudo. Aí coloquei só um sombrite", relata. Com os danos e as chuvas recentes, a quantidade de verduras disponíveis diminuiu.
Ao contrário do que muita gente imagina, Celso prefere o período de frio para produzir. Segundo ele, as temperaturas mais baixas favorecem a qualidade de algumas hortaliças, embora a procura diminua.
"A melhor época ainda é a da seca, ou o frio. No frio é o tempo do produto melhor. Só que, estando muito frio, ninguém pega uma folha de alface para comer, né? Então é mais sopa. Aí sobra produto e é produto de qualidade", explica.
A banca instalada à beira da estrada também rende situações curiosas. Celso conta que basta pendurar cachos de banana-maçã para chamar a atenção de quem passa de carro. Alguns motoristas chegam a frear e voltar de ré para comprar.
"Quando eu tenho banana-maçã pendurada aos cachos ali, a gente escuta várias freadas de carro que volta de ré e quer levar. Isso aí tem sempre, é só pendurar os cachos ali", diverte-se. Em um dos dias anteriores à entrevista, ele vendeu 4 cachos inteiros. A banana-prata, por exemplo, era comercializada a R$ 8 o quilo.
Mesmo com as dificuldades impostas pelo clima e pelo trabalho diário, Celso não pensa em abandonar a atividade por enquanto. A rotina é diferente daquela que manteve durante quase 2 décadas como empregado, mas permite que ele trabalhe ao lado da família e coloque em prática os conhecimentos adquiridos na infância.
"Do jeito que está vindo o tempo, está meio complicado para a gente produzir. Mas, por enquanto, não", afirma. Para quem quiser conhecer a horta e comprar os produtos, a banca de Celso fica no início da Avenida Rita Vieira, em Campo Grande. Os preços variam e a Horta do Celso vende também queijos, rapaduras, mel, temperos e outras variedades.
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