Comportamento

Cachorro da paróquia pede carinho, mas recado alerta: “ele é falso”

Na paróquia, cachorro que é padroeiro dos coroinhas virou caso de aviso, mas todo mundo ama ele

Por Thailla Torres | 08/09/2025 07:07
Cachorro da paróquia pede carinho, mas recado alerta: “ele é falso”
No altar, Tarciso mostra que a paróquia também é território dele, com direito a bocejo solene (Foto: Osmar Veiga)

Na porta da Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório, no bairro Serradinho, um cartaz avisa com letras firmes: “Por favor, não acaricie o cachorro. Ele é falso, pede carinho e depois morde.” Mas basta olhar para Tarcísio , o vira-lata de olhar pidão e corpo peludo, para desconfiar da acusação.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

“Na verdade ele não morde, é só aquele nhac que assusta”, explica Carla Amaral, paroquiana que adotou o cão no ano passado, quando ele apareceu na igreja em uma noite fria, machucado e sem destino.

O olhar pidão de Tarciso, o cão da paróquia que conquistou a comunidade (Foto: Osmar Veiga)

O cenário estava cheio de adolescentes em retiro e, entre eles, algumas veterinárias que improvisaram o primeiro socorro. “Quando o padre chegou na segunda-feira, já tinha sido eleito padroeiro dos adolescentes. O nome veio rápido: Tarcísio.”

Desde então, o cão passou a morar na paróquia. Tem cama, ração, portão que se fecha para não deixar escapar e até ar-condicionado na secretaria nos dias quentes. Já precisou ser internado por envenenamento e foi resgatado pelo próprio padre, que chegou a buscá-lo em outra região da cidade. “Todo mundo cuida dele. Se o portão fica aberto e ele foge, a igreja inteira sai atrás”, conta Carla.

Tarcísio circula como se fosse parte da liturgia. Durante as missas, prefere se esconder em cantos frescos; em dias de eventos, ganha um espaço isolado para não se incomodar com o excesso de mãos curiosas. “A gente percebeu que ele não é muito fã de criança passando a mão. Ele tem essa cara de coitado, aí a pessoa tenta um carinho e ele dá aquele nhac. Por isso preguei cartazes avisando.”

O aviso, em vez de afastar, parece reforçar a aura de personagem. Tarcísio virou um símbolo de pertencimento. “As missionárias passam para ver ele, os paroquianos compram ração, e tem até gente que leva para passear. Ele é da igreja, não tem como imaginar a paróquia sem o Tarcísio.”

Carla, que se define como apaixonada por cães, admite que teria levado o bichinho para casa, não fosse a impossibilidade de acolher tantos outros que encontra. “Mas a verdade é que ele já tem casa. Ele mora na igreja. É o cachorro da paróquia.”

Entre missas e fiéis, Tarciso também encontra tempo para brincar e se jogar no chão (Foto: Osmar Veiga)
Na igreja, ele acompanha a rotina como mais um paroquiano de quatro patas (Foto: Osmar Veiga)

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.

Veja Mais