Comportamento

Bar Vitorino’s fecha em luto pela morte de dona Ana Rosa

Ela era braço direito de Vitorino no bar e ajudou a fazer do local um dos pontos mais tradicionais da cidade

Por Natália Olliver | 03/12/2025 12:48
Bar Vitorino’s fecha em luto pela morte de dona Ana Rosa
Bar tradicional de Campo Grande fechou as portas hoje pela morte de Ana Rosa (Foto: Marcos Maluf)

Quem foi até o Bar Vitorino's nesta quarta-feira encontrou uma cena nada comum: portas fechadas e um comunicado de luto. Hoje, a família Fonseca se despede de quem ajudou a fazer do local um dos pontos mais tradicionais da cidade. Ana Rosa de Souza Fonseca, de 77 anos, foi o braço direito do português e marido, Vitorino Martos Caetano, de 75 anos. Casada há quase meio século, Ana deixa a lembrança de companheirismo, dedicação e amor.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Ainda tentando aceitar a partida da esposa, Vitorino conta um pouco de como Ana amava a fazenda, as plantas e os animais. Ele explica que, apesar de ela lutar com as sequelas de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) sofrido há 5 anos, tanto ele quanto os filhos não esperavam que dois novos derrames cerebrais acabassem por levá-la.

Dona Ana e Vitorino estavam juntos há quase 50 anos (Foto: Arquivo pessoal)

“É uma dor muito grande, foi uma grande companheira. A gente tem que encarar a vida, tenho minhas filhas e netos, a vida continua, mais triste, mas continua. Quando começamos, há quase 28 anos, ela comandava a cozinha, a última palavra era dela, ela sempre ficou ao meu lado, viveu tudo quando eu iniciei.”

Apesar de amar o que fazia no bar, Ana gostava mesmo era de estar na fazenda da família em Rio Verde de Mato Grosso. “Era nosso refúgio. A gente amava ir embora para a fazenda. A gente estava lá, curtia, mas também trabalhava porque ela gostava de criação e planta.”

Vitorino com as filhas Carol e Patrícia; a última filha, Camila, não apareceu no registro na ocasião (Foto: Paulo Francis)

O português relembra quando os dois se conheceram ainda jovens, mas explica que a história é longa demais para um momento tão difícil. Antes de se casarem, namoraram por 9 anos, e Vitorino só se casou após a bênção do finado sogro.

“Tive que chegar ao finado sogro e pedir permissão para casar porque só me casaria depois que me formasse. Ela me aguentou por 9 anos e acabamos casando em 1976 e durou até hoje. A gente iria fazer 50 anos de casados agora, dia 7 de fevereiro. Nunca foi de muita festa, a gente reunia os familiares e curtia.”

Para o esposo, Ana era uma pessoa totalmente disposta à vida, sem tempo ruim. Ela só se afastou do bar quando sofreu o AVC, e desde então estava presente do jeito dela.

“Ela sempre tomava a frente das coisas, dando ideias e ajudando. Sempre gostou da fazenda. Depois que reinauguramos o bar em 1998, quando eu comecei a tomar conta, ela abraçou a cozinha e comandava. Depois que deu o AVC, ela ficou uma pessoa diferente, com cuidados especiais, e a gente estava se preparando, mas nem pensava nisso. Ela deixou um bom legado, foi uma companheira de primeira.”

Além de Vitorino, Ana deixou três filhas e dois netos, Vitor e Eduardo. O velório será no Parque das Primaveras, a partir das 16h. O sepultamento será amanhã, às 10h.

Bar e restaurante está na Rua Jornalista Belizário Lima desde 1998, mas legado existe há 70 anos (Foto: Marcos Maluf)

História e legado 

O Restaurante do português é quase um patrimônio da cidade e foi fundado antes mesmo do Mercadão Municipal. A história do restaurante começa em 1955, quando o pai, Vitorino Fonseca, e a esposa, Maria José, chegam ao Brasil em busca de uma vida melhor. Em Portugal, a família trabalhava na área da agricultura.

Inicialmente chamado de 'Casa Fonseca', o empreendimento não começou como um restaurante. Na época, o negócio funcionava como uma sorveteria e cafeteria em frente à antiga feira livre, onde hoje é o Mercadão. A família permaneceu lá até 1959.

O ponto comercial mudou de endereço e passou a funcionar nas ruas Jornalista Belizário Lima e 24 de Outubro, onde permaneceu por 10 anos. Em 1969, a família abriu a cafeteria Vitorino's na Rua Cândido Mariano, entre a Rua 14 de Julho e a Rua 13 de Maio, em frente ao Rio Hotel, um dos prédios mais famosos da época.

Após o falecimento do pai, o filho mais velho resolveu continuar o legado da família e, em 1998, Vitorino Filho levou o restaurante de volta ao endereço anterior, na Rua Jornalista Belizário Lima, onde permanece até hoje.

"Bar" está de luto pela morte de Ana Rosa de Souza Fonseca (Foto: Marcos Maluf)

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.

Veja Mais