Comportamento

Atrás do portão, Doraci guarda "quintal secreto" até com pé de caju

Há 17 anos na mesma casa, moradora cultiva frutas, sombra e sossego no bairro José Pereira

Por Natália Olliver | 19/01/2026 07:30
Atrás do portão, Doraci guarda "quintal secreto" até com pé de caju
Casa que Doraci mora tem "jardim secreto", até com pé de caju (Foto: Natália Olliver)

Quem olha o portão da casa de Doraci Parecido Oliveira, de 66 anos, não imagina que dentro se esconde um jardim até com pé de caju. Ela mora no bairro José Pereira há 30 anos e há 17 na mesma casa, na Rua Elenir Amaral. Quando chegou, o terreno já tinha as árvores frutíferas, incluindo uma goiabeira. O resto das plantas que fazem parte do jardim foram “teimosia” dela e do marido.

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Ela conta que ele não pode ver uma muda que quer levar para casa, de presente para ela. O casamento deles já dura 26 anos e sempre foi assim, cercado de verde e natureza simples. Além das frutas, o quintal é lugar de sombra e sossego, principalmente para ela, que passa os dias cuidando das inúmeras espécies que tem por ali.

Goiaba colhida direto da árvore da dona de casa, Doraci (Foto: Natália Olliver)

Hoje, a casa mistura horta e improviso. Tem figo, mamão, goiaba, cactos, suculentas, samambaia, rosa-do-deserto. Quantas plantas? Ela já não sabe e não parece se importar.

“Eu sempre coloquei planta. Gosto demais delas. Elas são minha vida. Planta é bom, é alegria. A gente gosta e, onde meu marido vai, traz uma mudinha. Nem sei quantas plantas tenho aqui”.

As goiabeiras produzem sempre e não são das miúdas, são daquelas que crescem bem e que lembram a infância. Para tornar a experiência ainda melhor para quem aparece querendo a fruta, ela pega as que estão nos galhos mais longes com a ajuda de um gancho feito pelo marido.

Pés de goiabada e caju já estavam na casa quando Doraci chegou (Foto: Natália Olliver)

O caju anda de mau humor. Dois anos seguidos sem produzir direito. Segundo Doraci, por causa das chuvas. “Ele não gosta”, resume. Quando resolve colaborar, a colheita vem em baldes. Literalmente.

“Eu junto de balde e não sei o que fazer. Faço doce, que meu marido gosta, e suco. Na vizinhança o povo não gosta muito, ninguém quer”.

Nada ali parece comprado para impressionar. O marido reaproveita o que encontra na reciclagem. Carcaça de ventilador vira suporte de planta. Até vaso sanitário ganha nova função.

No fundo do terreno, um fogão a lenha marca o ritmo das visitas. Quando os netos aparecem, sai feijoada, carreteiro, comida que junta gente. Quem passa pela rua costuma parar. 

“O pessoal gosta do meu quintal. Quer ficar na sombrinha. Aqui é tranquilo, fresquinho. Bom demais”.

Ela reutiliza até sanitários adandonados para transformar em vasos de flores (Foto: Natália Olliver e Osmar Veiga )


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