Comportamento

Após 19 anos sonhando, atleta correu com ídolo que ganhou a São Silvestre

Fabiano assistiu Franck Caldeira em 2006 e encontro aconteceu 19 anos depois, em Bonito

Por Natália Olliver | 07/01/2025 06:39

Há 19 anos, Fabiano da Silva Pereira via televisão pela primeira vez. Na zona rural de Ponta Porã, o recurso chegou tarde, assim como a energia elétrica. Com as cores, vieram também as primeiras competições de corrida de rua, transmitidas na época pelos canais abertos. Foi aí que Fabiano, hoje corredor profissional, assistiu ao atleta Franck Caldeira ganhar a maratona de São Silvestre de 2006. O homem se tornou ídolo para o jovem e, anos depois,  o sonho de correr com ele virou realidade. 

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Em uma das vindas de Franck para Bonito, cidade onde Fabiano mora, o encontro aconteceu e o treino finalmente saiu do imaginário. 

“Minha história com a corrida começou na região de assentamento. Foi a primeira vez que vi televisão, quando acompanhei a corrida foi justamente quando ele ganhou. Ali já peguei gosto pelo esporte. Nesse período passei a acompanhar mais. É um cara que viveu e vive o esporte por muitos anos. Para gente como atleta da cidade, que está tentando construir uma história no esporte, é muito gratificante correr com ele”.

Após 19 anos sonhando, atleta correu com ídolo que ganhou a São Silvestre
Fabiano na 4ª corrida Trailrun Serra da Bodoquena (Foto: Arquivo pessoal)

Há 14 anos no meio, o atleta sul-mato-grossense conta que a influência do ídolo ajudou o processo de descobrimento dele como corredor e que o treino juntos foi a realização de um sonho de menino. 

“Em um dia você  tem 15 anos, está sentado vendo tudo, vendo ele ser campeão e, no outro, tanto tempo depois, 19 anos depois, ter a oportunidade de treinar com ele é muito gratificante e satisfatório. Espero que eu tenha mais oportunidades de treinar com ele”. 

A corrida ganhou espaço definitivo no coração de Fabiano em 2016, durante o tempo em que serviu o Exército. Antes, o que era para manter a saúde e um bom condicionamento físico virou coisa séria é sinônimo de várias conquistas. Algumas delas são a Maratona de Campo Grande, Bonito 21k, Trail Run Serra da Bodoquena e La Misión Brasil. 

No pesçoso, as medalhas da Maratona de Campo Grande, Bonito 21k, Trail Run Serra da Bodoquena e La Misión Brasil (Foto: Arquivo pessoal)

“Sempre tive muita admiração e vejo que no nosso país não tem muita valorização dos atletas que construíram a história do esporte. O que eu faço corrida influencia muito outras partes da minha vida. Pra mim ela é mais que competição e performance. Corrida é qualidade de vida e válvula de escape do estresse, da rotina". 

Sem conseguir viver apenas do esporte, Fabiano divide o tempo entre os treinos e o serviço de almoxarifado em um hotel da cidade. Aos 33 anos, o corredor comenta que recebe mensagens de incentivo e relatos de pessoas que começaram a correr por causa dele. 

“Através do esporte consegui ajudar muitas pessoas, fui instrutor de artes marciais também. Saber que tinham algumas que nunca praticaram atividade física e hoje correm é incrível. Acho que a coisa mais gratificante é receber uma mensagem da pessoa falando que começou a correr por causa de você”. 

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