Comportamento

Aos 62 anos, Simone supera acidente grave e retoma aventuras de bicicleta

Empresária até perdeu a memória em acidente, mas não desistiu do esporte e pedalou até Bonito após recuperação

Por Clayton Neves | 12/04/2025 07:22
Aos 62 anos, Simone supera acidente grave e retoma aventuras de bicicleta
Simone exibe vista exuberante após trilha de bike em Santa Catarina. (Foto: Arquivo Pessoal)

Aos 62 anos, Simone Arruda é dona de uma história de superação e aventura sobre duas rodas. Em 2023, a empresária viu a memória se apagar após um acidente grave de bicicleta que a deixou inconsciente, com fraturas no rosto e sem lembrar de situações que vivei com próprio filho.

Mas, apesar do trauma e das sequelas, ela não desistiu insistiu do esporte que ama. Pelo contrário, depois de seis meses de recuperação, voltou a pedalar gradualmente e foi além. Encarou uma viagem até Bonito de bike, num trajeto de 160 km.

Sobre o dia do acidente, Simone se lembra de poucos detalhes. "Eu não lembro nem de ter saído de casa. Foi como se tivesse apagado tudo”, conta.

A queda aconteceu em uma descida conhecida como “Valetão”, a caminho da saída para Três Lagoas. Simone usava uma bicicleta nova, mais potente, e não tinha experiência com a velocidade que ela podia alcançar.

Primeiro desafio após recuperação foi pedalar até Bonito. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Estava a 58 km/h. Olhei para trás para ver se vinha caminhão, e quando voltei para frente, desequilibrei. Caí, apaguei e até convulsionei na hora”, explica, a partir do relato que ouviu das amigas que estavam junto com ela.

O resgate foi rápido graças às amigas do pedal. Levada para o hospital, a empresária ficou três dias na UTI e passou semanas sob forte medicação. “Eu conversava, me alimentava, mas repetia tudo o que falava. Ligava três vezes para a mesma pessoa e não lembrava. Meu filho veio de fora para cuidar de mim, dormia do meu lado, e eu não lembro de nada disso”, detalha.

A recuperação foi longa. “Fiquei 20 dias sem saber o que estava acontecendo. Eu andava torta, sem equilíbrio, e via meu rosto deformado no espelho por causa de uma fratura no maxilar”, afirma. 

Mesmo diante de todo trauma, a paixão pelo pedal falou mais alto. “Minha maior preocupação era parar por medo. Se eu parasse por medo, ia parar pra sempre”, revela. 

Apaixonada pelo esporte, atleta coleciona aventuras sobre duas rodas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Com a bicicleta destruída no acidente, Simone acionou o seguro e recebeu outra igual. A retomada foi devagar, treinando em casa com a bike presa à um rolo. 

“Fui ganhando força aos poucos e quando a neurologista liberou, voltei a pedalar na rua, dando voltas na quadra. “Eu tremia, mas subia na bicicleta e me desafiava”, conta.

O retorno completo levou cerca de seis meses. Primeiro vieram as voltas curtas no Parque dos Poderes. Depois, os reencontros com as amigas que estavam no dia do acidente e teve espaço até para fazer novos companheiros de pedal. 

“Queria pedalar bem, não competir. Aí conheci pessoas que tinham o mesmo ritmo, e fui aprendendo a usar a bicicleta de forma correta”, pontua.

Em cima da bike, Simone conheceu paisagens paradisíacas. (Foto: Arquivo Pessoal)

A evolução veio tão rápido que, um dia, os colegas sugeriram um desafio maior: pedalar até Bonito. Simone hesitou. “Perguntei: ‘Você acha que eu aguento?’ E eles: ‘Claro que sim!’”. 

Foram 160 km em cerca de 12 horas, com paradas para descanso, água e alimentação. “Cheguei lá moída, mas tão feliz. Era um desafio meu, uma superação. E eu consegui”, completa. 

No Carnaval deste ano, ela encarou um novo desafio ao lado de amigos e pedalou em três trilhas do estado de Santa Catarina. “Foi uma sequência de coisas boas depois de tanto sofrimento. Me mostrou que, se eu quiser, eu posso", finaliza.

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