Comportamento

Amizade dos anos 2000 virou 20 famílias e resiste firme ao tempo

Grupo começou com amizade de adolescentes e agora reúne 20 famílias cheias de histórias

Por Clayton Neves | 30/07/2025 07:54
Amizade dos anos 2000 virou 20 famílias e resiste firme ao tempo
Viagem ao Pantanal teve direito a foto com bandeira da turma. (Foto: Arquivo Pessoal)

Tudo começou lá pelos anos 2000, quando um grupo de adolescentes de Campo Grande se conheceu nas salas de aula e nas ruas do bairro. Com a rotina de 'rolês', momentos compartilhados e piadas repetidas mil vezes, nasceu uma amizade que atravessou o tempo, virou família e, hoje, coleciona histórias, pescarias, viagem internacional, festas juninas e até o nome oficial de 'Lambizames'.

RESUMO

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“Falar da nossa turma é motivo de muito orgulho e amor”, resume Glauberth Holsback, de 36 anos, um dos primeiros integrantes do grupo. “Nossa amizade começou entre os homens, ali no ensino fundamental, ensino médio e depois na faculdade. A maioria se conhece há 15, 20, até mais de 20 anos”, detalha.

De um grupo de adolescentes que andava junto pra cima e pra baixo, os Lambizames se tornaram um coletivo de cerca de 24 casais e suas famílias. “Hoje não são só casais. É uma turma de 15 a 20 família, a maioria com filhos. Uns com um, outros dois ou três”, explica Glauberth.

Grupo começou com os homens que se conheceram na adolescência. (Foto: Arquivo Pessoal)
Esposas foram agregadas e também formaram o grupo só delas. (Foto: Arquivo Pessoal)

O nome inusitado surgiu em uma pescaria. Leonardo Carvalho, de 37 anos, lembra com detalhes a história que deu origem à marca do grupo. “É um causo antigo, uma história que a gente ouvia no YouTube durante as pescarias. A gente imitava a voz do narrador, uivava e ria demais. Por conta disso começamos a nos chamar de Lambizames como apelido, e depois virou o nome oficial do grupo”, conta.

A brincadeira foi tão longe que tem até logomarca, adesivos, bonés, camisetas, página no Instagram e um "presidente" eleito informalmente. “A gente chegou a registrar o domínio de um site, pensou até em uma linha de produtos, mas o projeto não foi para frente”, relata Leonardo. Mesmo sem virar franquia, o grupo manteve a essência da união mesmo com a correria que cada um tem no dia a dia.

Quando os primeiros casais começaram a se formar, as esposas foram sendo incorporadas à turma. “Das esposas, eu fui a primeira a entrar, já tem 13 anos”, conta Mariana Passos, de 37 anos, casada com Leonardo. 

Pescaria no Pantanal foi momento de descontração, alegria e união. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eles sempre andaram de bando. No começo era estranho porque a gente ia viajar e era eu, meu marido e o grupo todo junto. Mas eles sempre foram muito legais e respeitosos”, ressalta.

Com o tempo, um a um foi assumindo relacionamentos e as mulheres também ficaram amigas. “Hoje em dia a gente se encontra pra fazer bike indoor juntas uma vez por semana. Tem o grupo dos homens, tem o grupo das meninas, e também tem a turma toda”, explica Mariana.

“É muito legal, porque quando eles se juntam parece que voltam no tempo. As brincadeiras são bobas, mas é isso que faz sentido. Manter esse vínculo todo, mesmo depois de tanto tempo, é raro hoje em dia", avalia.

Esposas se tornaram amigas por causa da amizade de anos dos maridos. (Foto: Arquivo Pessoal)

E a união do grupo não é só discurso. Todo ano eles se reúnem em pelo menos dois eventos fixos, a festa junina e a confraternização de fim de ano. “A gente sempre tenta alugar uma chácara, seja em Campo Grande, Bonito ou em outro lugar. É muita prosa, cervejinha gelada e churrasco”, diz Glauberth.

A festa junina, por sinal, é itinerante e cada ano é feita na casa de um casal. “A gente já organiza tudo, faz rateio da comida, bebida e paga monitora para as crianças, porque já virou uma creche. E a festa acontece”, completa Mariana.

E quando o grupo viaja, ninguém fica pra trás. Os Lambizames já foram juntos pra Maresias, Bonito, Rondonópolis e até pra ilha de San Andrés, no Caribe, onde um casal aproveitou para casar. “Fomos mais de 20 pessoas de Campo Grande”, lembra Glauberth.

Festa junina é um dos encontros anuais dos Lambizames. (Foto: Arquivo Pessoal)

No fim deste ano, parte da turma vai embarcar para um safári na África. “Sempre que pinta uma promoção de passagem, alguém já joga no grupo e organiza”, explica Mariana.

Nem mesmo a distância atrapalha os amigos quando decidem se encontrar. Um dos casais, que mora no Rio de Janeiro, faz questão de vir para participar das festas. Eles estiveram na festa julina deste ano, realizado no últimofim de semana. “A gente se programa com antecedência e faz questão de estar junto”, detalha Mariana.

Mais do que amigos, os Lambizames se tornaram compadres, comadres, padrinhos de casamento e de batismo dos filhos uns dos outros. “Essa relação tem muitos tentáculos hoje em dia”, resume Glauberth.

Mulheres montaram até grupo de bike indoor. (Foto: Arquivo Pessoal)

E apesar de parecer fechado, o grupo continua aberto para quem chega de coração leve. Tem amigos de amigos que foram agregando e ficaram. Os filhos também se enturmam na rede de afeto que só cresce.

“Na correria do dia a dia, manter uma turma dessas é muito raro. Mas a gente faz questão de manter e cultivar essa amizade”, finaliza Mariana.

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