Abelhas que não picam, mas fazem falta, mobilizam defensores
Encontro em Campo Grande reuniu criadores e pesquisadores para incentivar a preservação das abelhas sem ferrão

Pequenas, sem ferrão e fundamentais para a natureza, as abelhas nativas ganharam um encontro só para elas em Campo Grande. No sábado (31), criadores, pesquisadores e curiosos se reuniram no Parque das Nações Indígenas para falar sobre a importância desses insetos, que ajudam a manter a biodiversidade, mas enfrentam dificuldades para sobreviver às mudanças do clima.
RESUMO
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A 1ª Jornada de Meliponicultura de Mato Grosso do Sul foi realizada neste sábado (31), no Centro Estadual de Educação Ambiental, no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. Organizado pelo agrônomo francês Olivier Vilpoux, o evento reuniu expositores de méis e caixas de colmeias, palestras e dois cursos sobre abelhas sem ferrão, importantes para a polinização e hoje escassas por causa do clima. Olivier prevê um congresso de criadores em novembro de 2026.
A 1ª Jornada de Meliponicultura de Mato Grosso do Sul foi organizada pelo agrônomo francês Olivier Vilpoux, no Centro Estadual de Educação Ambiental. O encontro reuniu quatro expositores de diferentes tipos de mel natural e caixas para colmeias, além de palestras sobre a criação e preservação das abelhas sem ferrão.
“O primeiro objetivo é agregar as pessoas que se interessam por abelhas sem ferrão. Que se interessam pela criação, preservação e pelo papel que elas têm com a biodiversidade e a polinização das árvores, da flora nativa e agrícola”, explica o agrônomo.
Olivier também quer despertar o interesse de estudantes de escolas e universidades. A ideia é incentivar a criação e a multiplicação dessas abelhas, que, segundo ele, estão cada vez mais escassas diante das variações do clima em Mato Grosso do Sul.
A Associação de Meliponicultura do MS foi fundada por Olivier há 1 ano, que veio com minicursos em universidades, palestras em escolas e agora o evento no Parque das Nações, atraindo pessoas que desconhecem o assunto.
Na Jornada, ocorrem dois cursos. “Um é para iniciantes, para aprender a fazer uma isca, como funciona uma caixa de abelha, como se cria abelha. Um curso de base”, explica. O outro é uma roda de conversa, cada um dura 2 horas.
Um dos fatores ensinados no curso é o processo de pegar abelhas da natureza com uma isca. Isso precisa ser feito porque as abelhas sem ferrão devem ser preservadas e muitas vezes são roubadas para venda ilegal se ficam soltas.
A isca é feita por meio de uma mistura dentro de uma garrafa PET, que atrai as abelhas, facilitando o transporte para um criadouro legalizado.
Olivier destaca a importância da preservação das abelhas. “O interessante é porque hoje a maior parte das plantas, das árvores, para se reproduzir precisa de polinização. A agricultura também, muitas produção agrícola, se você não tem abelha ou não tem polinizador, você não produz nada”, o que vale para todos os tipos de abelha.
O agrônomo explica que as abelhas com ferrão são importadas de lugares como o continente africano e Itália. Já as sem ferrão são brasileiras. “Elas são mais especializadas, aguentam melhor o clima. São mais especializadas com as plantas que tem aqui na região”.
Atualmente, Olivier cria 100 caixas de colmeias na Chácara dos Poderes, com cerca de 200 a 300 abelhas, mas pretende expandir. O problema é que o clima do estado dificulta a reprodução dos insetos.
O evento também contou com degustação de méis puros, das abelhas Borá, Jataí e Mandaçaia. Todas sem ferrão e raras.
Uma das expositoras foi Raquel Vendrasco, sommelier de mel e criadora da marca Vendrasco Abelhas, que veio de São Paulo (SP) e pretende trazer sua marca para Campo Grande. “A gente tentou trazer nessa linha produtos que vocês encontram nas prateleiras dos supermercados, porém, tirando totalmente o açúcar e substituindo por mel”, explica.
Entre os produtos, estão mel, favos de mel, molhos, doces no pote e xaropes. Mas o que se destaca é o mel da abelha sem ferrão Tiúbia, cujo mel tem o gosto diferente dependendo do estado do Brasil de onde a abelha vem.
“O mel, que ele vai ter um gostinho de frutas tropicais. Mas não é só frutas não. Tem mel com gosto floral, com gosto achocolatado, até com gosto de chuchu, de queijo. Então, cada abelhinha ali, conforme a espécie e a florada local, vai produzir um mel diferente”, explica Raquel.
Olivier planeja um congresso de criadores de abelhas em novembro de 2026, sempre visando à preservação do animal e a buscar interessados. Se você tem interesse no assunto e quer saber dos próximos cursos, as informações vão estar no Instagram @amemsoficial.
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