Artes

Medeirozz fez do rap um refúgio e transformou a timidez em arte

Com apenas 22 anos, artista campo-grandense fala de temas profundos com letras que compõe e canta

Por Clayton Neves | 14/09/2025 07:33
Medeirozz fez do rap um refúgio e transformou a timidez em arte
Artista começou participando de batalhas de rima em Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)

A vida de João Pedro Medeiros, o Medeirozz, sempre teve referências de arte. Desde pequeno, ele cresceu cercado pela influência da mãe, que já vivia o universo do hip-hop. Hoje, aos 22 anos, o jovem que venceu a timidez escrevendo e participando de batalhas de rima pelas ruas de Campo Grande, é um nome em ascensão no rap sul-mato-grossense.

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“Minha vida sempre foi muito musical. Minha mãe ouvia muito rap, black music e isso ficou marcado em mim”, conta. 

Segundo ele, o desejo de cantar veio cedo, mas a vergonha adiava o sonho. Foi na adolescência que Medeirozz encontrou na escrita um alívio para lidar com os dilemas típicos da idade. “Comecei a escrever poemas como forma de expressão. Com o tempo, percebi que queria transformar aquilo em música”, detalha.

Com 22 anos, Medeirozz compõe as próprias canções. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em 2023, ele gravou sua primeira faixa. No ano seguinte, lançou oficialmente “Jovem Adulto”, uma composição intimista que marcou o início de sua carreira. “Essa música fala muito sobre responsabilidades, amizades e sobre o peso de se tornar adulto. Talvez seja minha faixa mais pessoal”, lembra.

De lá para cá, vieram novas experiências, com rimas conscientes e batidas mais animadas. Agora, Medeirozz está prestes a lançar um álbum dividido em dois volumes, cada um com seis músicas. O projeto, batizado de ‘Músicas de amores que não duraram’, explora diferentes vertentes do rap, mas também dialoga com gêneros como piseiro e funk.

“Quando comecei, eu dizia que nunca ia falar sobre amor. Mas percebi que existem muitas formas de tratar o tema. No primeiro volume, falo sobre o lado negativo: ciúmes, término, insegurança. Já no segundo, vou trazer o lado positivo, sobre estar apaixonado”, explica.

Medeirozz já finalizou álbum autoral com 12 músicas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Além das composições, Medeirozz também atua como produtor cultural, organizando batalhas de rima e outros eventos ligados ao hip-hop. Atualmente, ele integra o projeto Bolsa Artista da UEMS, onde prepara sua primeira apresentação oficial.

Para ele, a arte é ferramenta de amadurecimento e sobrevivência. “Tudo começou como uma forma de me expressar. A arte me ensinou a organizar o que eu sentia e a transformar isso em música. Não acho que seja sobre idade, e sim sobre quem acredita na arte e se entrega a ela”, finaliza. 

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