Artes

Jornalista que foi agredido em MS lançará livro sobre retomadas indígenas

Livro “Retomada” estava sendo produzido quando jornalista Renaud Philippe e cineasta Carol Mira foram atacados

Por Mylena Fraiha | 28/03/2025 12:38
Jornalista que foi agredido em MS lançará livro sobre retomadas indígenas
O jornalista canadense Renaud Philippe e a cineasta e antropóloga Ana Carolina Mira Porto durante entrevista concedida ao Cimi (Foto: Ruy Sposati/Cimi)

O jornalista canadense Renaud Philippe, que foi agredido por um grupo de pistoleiros próximo à área de retomada da Fazenda Maringá, em Iguatemi, a 460 km de Campo Grande, está prestes a lançar o livro Retomada, um foto documentário que retrata a luta dos povos indígenas, incluindo as áreas de retomada no Mato Grosso do Sul.

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O jornalista canadense Renaud Philippe, agredido por pistoleiros em MS, lançará o livro 'Retomada', um foto documentário sobre a luta indígena. Em 2023, ele e sua equipe foram atacados enquanto documentavam áreas de retomada. Após o incidente, registrado em vídeo, eles deixaram o estado, mas retornaram em 2024 sob escolta para concluir o projeto. O livro, com 216 páginas, destaca a resiliência dos povos Guarani Kaiowá e Avá Guarani, e será lançado em três idiomas. A obra será distribuída nas comunidades indígenas e financiada por crowdfunding.

No dia 22 de novembro de 2023, Renaud, sua esposa e também autora do livro, a antropóloga Ana Carolina Mira Porto, e o engenheiro florestal Renato Farac Galata, foram cercados por um grupo de pistoleiros nas proximidades da área de retomada Pyelito Kue/Mbaraka’y.

Conforme noticiado anteriormente, o grupo estava no estado no fim de semana anterior para captação de imagens para o documentário. Depois, visitaram os locais das filmagens e participaram da Assembleia Aty Guassu Guarani Kaiowá, em Caarapó, mas foram surpreendidos por uma barreira formada por 30 caminhonetes na estrada vicinal. O caso chegou a ser registrado em vídeo.

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De acordo com o boletim de ocorrência, os três foram cercados antes de chegarem ao local do conflito e foram agredidos com socos e chutes por homens em caminhonetes, alguns deles encapuzados, que estariam a serviço dos produtores rurais da região. Philippe foi o principal alvo e, além das agressões, teve o cabelo cortado com uma faca. O grupo também roubou celulares, câmeras fotográficas e documentos da equipe.

Em entrevista ao Campo Grande News, Ana Carolina afirmou que os agressores estavam armados e invadiram o veículo, espancando o grupo. Ela ainda relatou que os equipamentos roubados causaram um prejuízo de cerca de 20 mil dólares.

Logo após as agressões e o roubo, os três registraram a ocorrência na Polícia Civil de Amambai, temendo retornar a Iguatemi após escaparem do cerco. Passaram por exame de corpo de delito, que confirmou que as lesões eram compatíveis com "histórico por ação contundente".

Após o ataque, Renaud e Ana Carolina deixaram Mato Grosso do Sul e só conseguiram voltar em maio de 2024 para a área de Pyelito Kuê, para concluir o documentário fotográfico. "O retorno foi estrategicamente pensado em termos de segurança", explicou Ana Carolina.

Os dois integram o PPDDH (Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas) e, ao retornar, foram acompanhados sob escolta da Força Nacional. Também receberam apoio do Programa Tim Lopes da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

Barraco sob o sol na retomada Guarani Kaiowá no Tekoha Laranjeira Nhanderu, Rio Brilhante, um dos locais visitados pelos documentaristas (Foto: Renaud Philippe/projeto Retomada da Terra).

Apesar das dificuldades enfrentadas, a produção do livro Retomada seguiu em frente. A obra, que conta com 216 páginas, é composta por fotografias e relatos colhidos nas áreas de retomada, destacando a beleza, a poesia e a resiliência do povo Guarani, assim como a luta deles para recuperar suas terras.

“Infelizmente, a violência é recorrente. Mesmo por telefone, estamos sempre recebendo informações de comunidades sobre ataques, atropelamentos, suicídios, feminicídios e abusos sexuais”, afirmou Ana Carolina em entrevista ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

O projeto foi iniciado em janeiro de 2022, e 25 áreas de retomada foram visitadas nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. "Retornamos a algumas dessas comunidades diversas vezes. O livro retrata principalmente dois povos: Guarani Kaiowá e Avá Guarani, mas também visitamos duas comunidades Mbya Guarani", revelou Carolina.

Para financiar a impressão do livro, os documentaristas abriram um site de financiamento coletivo, que pode ser acessado neste link. A edição será bilíngue, em inglês e francês, e também terá uma versão em português.

Após o lançamento, a obra será distribuída nas comunidades indígenas com as quais os autores trabalham, bem como nas que pretendem visitar no futuro.

Capa do livro "Retomada" que será lançado em francês, inglês e português (Foto: Divulgação).

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