Artes

Henrique Rodrigues critica falta de continuidade em programas de leitura

Mesmo com tom crítico, escritor celebrou a experiência em Bonito

Por Thailla Torres | 19/09/2025 10:56
Henrique Rodrigues critica falta de continuidade em programas de leitura
Carioca de 1975, mestre e doutor em Literatura pela PUC-Rio, Henrique é autor de romances, crônicas, poesias e livros infantojuvenis.

Na 9ª Feira Literária de Bonito (FLIB), o escritor, gestor cultural e jornalista Henrique Rodrigues foi direto ao ponto: falar de literatura e inclusão só faz sentido se houver compromisso real com quem geralmente não tem acesso aos livros.

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Carioca de 1975, mestre e doutor em Literatura pela PUC-Rio, Henrique é autor de romances, crônicas, poesias e livros infantojuvenis. Em obras como O próximo da fila (2015) e Áurea (2024), seu olhar está voltado aos invisibilizados, jovens de periferia, trabalhadores comuns e personagens atravessados por racismo e desigualdade.

Na palestra “Quem sou quando falo”, realizada no dia 18 de setembro no Pavilhão das Letras e mediada pela pesquisadora Marcelle Saboya, o escritor lembrou a própria trajetória nos anos 1990, quando conciliava escola pública com empregos em videolocadora e rede de fast food.

“A gente trabalha para que a exceção se torne regra. Eu fui invisível social e me tornei escritor. O que me interessa são justamente os não leitores, porque todos são leitores em potencial”, afirmou.

Para o escritor, não basta reunir multidões em torno de grandes feiras: é preciso continuidade. “O evento é eventual, como o nome diz. A gente precisa ter a leitura trabalhada no dia a dia, de forma inclusiva, trazendo para dentro do universo literário pessoas que geralmente ficam de fora”, defendeu.

A crítica ressoa em um cenário em que a literatura, muitas vezes, ainda circula em nichos de prestígio e não alcança as camadas mais populares. Para o escritor, inclusão significa garantir o direito de acesso e a permanência da leitura como prática cotidiana, e não apenas em datas comemorativas ou eventos pontuais.

Mesmo com tom crítico, o escritor celebrou a experiência em Bonito: “É a primeira vez que venho como autor e estou maravilhado com essa feira linda. É uma alegria poder falar sobre literatura aqui”.

Além da palestra, ele também ministrou oficina para estudantes, reforçando o diálogo entre literatura e juventude.

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