Entre versos e lembranças, Marlene abre ao leitor os escritos de uma vida
Com 12 poemas e artigos, livro aproxima experiências femininas, fé e reflexões sobre a passagem do tempo

Há textos que esperam anos pelo leitor. Permanecem guardados enquanto a vida segue, os filhos crescem, as perdas deixam marcas e o tempo modifica a maneira de compreender o que aconteceu. Em Quando o Coração Escreve, Marlene Figueira da Silva abre esse acervo pessoal e transforma escritos de diferentes momentos em uma conversa sobre a existência.
RESUMO
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Em Quando o Coração Escreve, Marlene Figueira da Silva reúne 12 poemas e artigos escritos em diferentes momentos da vida. A obra aborda fé, maternidade, memória, experiências femininas, cidadania e vida pública, com o olhar de uma autora ligada ao universo jurídico. Os poemas tratam de perdas, esperança e passagem do tempo, e os artigos relacionam vivências individuais a valores e direitos coletivos. Ao publicar textos guardados por anos, a autora permite que leitores deem novos sentidos a eles.
O livro reúne 12 poemas e artigos nos quais convivem fé, maternidade, memória, experiências femininas e questões da vida pública. Entre um assunto e outro, aparece uma autora interessada tanto no que se passa dentro de casa quanto no que acontece além de suas portas. Sua trajetória profissional, ligada ao universo jurídico, também participa desse encontro entre sentimentos e reflexão.
A variedade de temas acompanha o próprio movimento da vida. Uma lembrança pode despertar um verso; uma inquietação pode pedir o desenvolvimento de um artigo. Marlene recorre a essas duas formas de escrita para compartilhar aquilo que a toca, seja no campo dos afetos, seja nas relações entre o indivíduo e a sociedade.
Nos poemas, o percurso passa por crenças, perdas, esperança e pela passagem do tempo. As feridas encontram espaço, assim como a possibilidade de continuar depois delas. São experiências que, embora pertençam à história de quem escreve, podem alcançar o leitor por caminhos conhecidos: a saudade, o vínculo com os filhos, a busca de amparo ou a tentativa de compreender as mudanças da própria vida.
A maternidade e as vivências femininas integram esse universo de observação. Ao lado da memória e da fé, ajudam a compor um retrato feito de diferentes papéis, responsabilidades e afetos. A mulher que escreve carrega consigo os conhecimentos da profissão e as perguntas que a experiência pessoal mantém abertas.
Nos artigos, o olhar se amplia para a cidadania e a vida pública. A experiência no campo jurídico oferece outra perspectiva à reflexão: o que é vivido individualmente também se relaciona com valores, direitos e questões coletivas. O livro transita, assim, entre a intimidade e o espaço público, aproximando dimensões que se cruzam no cotidiano.
Há ainda uma história no próprio gesto de reunir esses escritos. Publicar textos guardados significa voltar a eles com a distância dos anos e permitir que cheguem a pessoas que não participaram de sua origem. O que nasceu de uma circunstância particular passa a receber outros sentidos, conforme a memória e a sensibilidade de cada leitor.
Essa passagem exige mais do que disposição para se expor. Entre sentir e escrever existe o trabalho de escolher palavras, encontrar ritmo e dar forma ao que, muitas vezes, se apresenta de maneira confusa. É nesse intervalo que uma lembrança procura tornar-se narrativa e uma emoção busca espaço no poema.
Ao organizar Quando o Coração Escreve, Marlene desenha um percurso de perguntas, crenças, afetos e descobertas. Seus textos partem da vontade de compartilhar percepções, sem a pretensão de encerrar os assuntos que abordam.
O reencontro da autora com a escrita abre, desse modo, a possibilidade de outros encontros. Uma experiência registrada há anos pode despertar uma lembrança recente em quem lê.
Um poema sobre perda pode encontrar alguém atravessando uma despedida. E aquilo que permaneceu guardado por tanto tempo ganha uma vida que a autora já não conduz sozinha.
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