Artes

Árvore diferente "liberta espíritos" para ano começar bem logo no Natal

Artistas criaram obra que mistura grafismo indígena, Espírito Santo, cerâmica e espada de São Jorge

Por Natália Olliver | 20/12/2025 08:01
Árvore diferente "liberta espíritos" para ano começar bem logo no Natal
Na Casa Amarela, até a espada de São Jorge e filtro dos sonhos são amuletos de boas energias (Foto: Paulo Francis)

Esse ano, além de receber uma bênção, tomar um passe ou escutar uma oração para começar o ano bem, dá para "libertar os espíritos" com árvore de Natal. Com guardiões representando Maria e José e o Espírito Santo com grafismos indígenas de quatro etnias presentes em Mato Grosso do Sul a ideia é reformular o simbolismo já conhecido das árvores tradicionais. Na Casa Amarela, até a espada de São Jorge e filtro dos sonhos são amuletos de boas energias. 

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Toda composição é pra lá de diferente e cheia de significado. O intuito não é gerar polêmica sobre o nascimento de Jesus, mas mostrar um jeito diferente de montar uma árvore baseada nas coisas em que os artistas acreditam. Quem explica melhor é um deles, Guido Drummond.

“As duas figuras de Maria e José são obras de um projeto de envasamento artístico, chamado de Guardião e Guardião. Eles têm furos nas costas onde plantei espada de São Jorge e a lança de São Jorge. Eles ficam lá segurando as energias e agora estão no presépio. Coloquei uma folha de cerâmica de queima de alta temperatura e elas, quando batem umas nas outras, tilintam como sino de betano, um sino de metal. A gente tem um espanta-espírito, um filtro dos sonhos". 

Espiírito Santo ganhou grafismos Indígenas na árvore de Natal da Casa Amarela (Foto: Paulo Francis)

Ele explica que no pé da árvore existe uma cerâmica terena e dentro dela há um cravo para lavar as coisas e o sangue derramado em nome da religião. “Temos vários objetos e várias peças da antiga estação ferroviária cedidas pelos moradores. Além da ancestralidade de origem, a gente procura manter essas coisas da ancestralidade territorial da ferrovia”.

Segundo o artista, a árvore mistura assuntos da crucificação de Cristo, última ceia, ressurreição e nascimento. O projeto foi feito por cinco pessoas e cada uma escolheu referências na arte e pessoas que se inspiram para colocar como os enfeites de Natal da árvore. Por lá aparecem nomes como Frida Kahlo e Van Gogh, Salvador Dali, Eduardo Galeano,  Oxtávio Araújo, Lídia Baís, Fernando pessoa, Caravaggio entre outros. 

“Cada um escolheu três profissionais que inspiram a carreira e a vida deles. Van Gogh é o dono da casa e acabamos seguindo as pegadas dele e a Casa Amarela dele. O Espírito Santo, os raios de sol, eu pintei com grafismo indígena, terena, guató, kadiwéu. Esse Espírito Santo está honrando a nossa ancestralidade”.

Árvore fica exposta até dia 6 de janeiro na Casa Amarela (Foto: Paulo Francis)

Guido acrescenta que a simbologia que ele, como artista, quis dar ao divino Espírito Santo, com os raios de sol atrás, com o grafismo indígena do território, é o respeito do divino pela ancestralidade da Terra.

“Aqui há respeito por todas as religiões, todas as cores, todas as raças. É respeitar o caminho do outro. Cada um segue o caminho que o coração indica, que o coração pede, que entende, que consegue encontrar dentro dela. Por isso tem todas as variações. É só respeitar umas às outras, é só nessa intenção que está essa junção aí”.

A árvore fica exposta na Casa Amarela até dia 6 de janeiro, mesmo período em que oficialmente se desmontam as árvores.

Quem quiser conhecer o museu fica na Rua dos Ferroviários, 118.

Menino Jesus na representação dos artistas, junto com elementos indígenas e peças da ferrovia (Foto: Paulo Francis)

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