Esportes

Aos 10 anos, Maria Luíza alcança ouro no badminton e vira orgulho na periferia

Ela entrou no esporte por meio de um projeto social do Bairro Lageado e evoluiu rápido

Por Cassia Modena | 15/06/2026 07:09
Aos 10 anos, Maria Luíza alcança ouro no badminton e vira orgulho na periferia
A atleta Maria Luiza e seu treinador no Instituto Misericordes, Daniel Silveira (Foto: Osmar Veiga)

Maria Luíza da Silva Santos descobriu o badminton em um projeto social do Bairro Lageado, na periferia de Campo Grande. Logo gostou. O esporte pede agilidade e uma postura dinâmica que ela esbanja em quadra, aos 10 anos.

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Dedicada, a menina virou atleta e ganhou uma medalha de ouro muito mais cedo do que ela mesma imaginava, após quatro anos de treinos. A posição mais alta do pódio foi conquistada durante a Copa Centro-Norte de Badminton, realizada entre 5 e 7 de junho deste ano em Palmas (TO).

A única medalha no campeonato trazida para Mato Grosso do Sul foi a de Maria Luíza e de sua dupla Vitória.

Maria conta sobre o histórico no projeto com as medalhas no pescoço (Foto: Osmar Veiga)

Professor de Educação Física, Daniel Silveira, foi quem notou as habilidades da menina durante as aulas do projeto e a inscreveu na primeira competição oficial de sua vida, ainda este ano.

"Ela começou a se destacar e aí a gente levou para participar do campeonato estadual primeiro, em abril, em que ela foi vice-campeã. Foi daí que a Maria conseguiu a vaga para o Centro-Norte", conta o treinador.

O badminton é um esporte parecido com o tênis, explica Daniel. Devem ser marcados 21 pontos na disputa que é feita com raquetes e uma espécie de peteca chamada de volante.

Daniel lança o volante para Maria pegar, na quadra do projeto social (Foto: Osmar Veiga)

Maria jogou na categoria dupla feminina com uma colega que até então não conhecia, mas também é de Campo Grande. A adaptação foi ligeira. "Eu ficava no fundo da quadra e ela ficava na frente", conta a atleta sobre a estratégia.

Projeto - Outros alunos do mesmo projeto social em que Maria Luíza é matriculada, no Instituto Misericordes, treinam badminton, futebol, balé, capoeira, vôlei e fazem várias outras atividades gratuitamente. Maria tem quatro irmãos, sendo que três também participam. A mãe aprova. "Bom para tirá-los da rua, dar um futuro", afirma.

"Coordenação motora e respeito ao companheiro e ao competidor são os principais benefícios. Tanto que é um esporte que você não pode comemorar o ponto de frente, tem que ser de costas. A gente ensina valores aqui também", resume o professor sobre o esporte escolhido pela criança.

Mãe de Maria (sentada) fala sobre os benefícios para os filhos; ela é babá do menino que está no colo, a menina ao lado é irmã de Maria (Foto: Osmar Veiga)

Outros alunos do projeto foram medalhistas, mas ninguém havia chegado tão longe quanto Maria. E a menina quer continuar. "É bem esforçada no esporte. Ela mesma pede que pegue no pé dela para poder evoluir mais", finaliza Daniel.

Maria Luíza virou orgulho no instituto e no Bairro Lageado, onde mora há dois anos. Os planos agora são continuar ganhando medalhas e estudar.

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