Educação e Tecnologia

Veteranos na vida, candidatos buscam no Enem novos rumos no mercado de trabalho

Na porta de escola, conheça histórias de pessoas com idade entre 30 e 60 anos que irão enfrentar a prova

Por Silvia Frias e Geniffer Valeriano | 08/11/2026 11:19


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Entre os jovens candidatos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), há pessoas que já têm mais experiência de vida e estão no mercado de trabalho, como a pedagoga de 61 anos que faz a prova para avaliar os próprios conhecimentos e outros que vão enfrentar o exame para mudar de profissão.

Neide Santos, de 61 anos, não pretende fazer outra faculdade. Professora dos anos iniciais, ela participa do Enem todos os anos para acompanhar o conteúdo exigido dos estudantes e aproveitar a experiência no próprio trabalho. “Eu acho que é um bom termômetro, principalmente a redação”, explicou. Neide preferiu não fazer foto para a reportagem.

Mesmo com a experiência em sala de aula, ela admite que o exame continua sendo um desafio. “A expectativa está boa, mas o conteúdo está cada vez mais denso, é um pouco complicado, apesar de já ter visto tudo, é como se fosse a primeira vez”.

Ela conta que costuma ter bom desempenho nas questões, mas a redação ainda é uma dificuldade. Geralmente, consegue notas entre 7 e 8 e espera melhorar o resultado neste ano. A experiência também rende assunto com os alunos. “Conversar com os adolescentes é muito bom sobre isso, todo ano eu procuro fazer”.

Veteranos na vida, candidatos buscam no Enem novos rumos no mercado de trabalho
Juliana quer cursar Farmácia e concilia trabalho e estudo (Foto: Geniffer Valeriano)

Para Juliana Ferreira Valenzuela, de 34 anos, o Enem representa a chance de avançar na profissão. Técnica em análises clínicas, ela já trabalha na área, mas quer uma vaga no curso de Farmácia. Esta é a terceira tentativa e, apesar da experiência, o nervosismo continua.

“Estou bem ansiosa”, contou. O maior receio é com a redação. “Para mim, é o foco da prova inteira, então a redação é a mais complicada, é o que me deixa mais apreensiva e ansiosa”.

Para tentar realizar o sonho, Juliana precisou encaixar os estudos nos intervalos do expediente e nos dias de folga. “Você tem que se virar nos 30; o tempo que você tem de folga e de intervalo, você tem que estar estudando e se dedicando, é bem cansativo e bem corrido”. Ela não tem filhos e reconhece que isso facilita um pouco a organização da rotina.

Ademilson está de olho na dinâmica do mercado de trabalho (Foto: Geniffer Valeriano)

O enfermeiro Ademilson Fernandes, de 40 anos, também quer ampliar as possibilidades no mercado de trabalho. Ele pretende cursar Fisioterapia e espera conseguir uma bolsa para a segunda graduação. “Mercado de trabalho sempre está mudando, a gente nunca pode focar só em uma coisa, a gente tem que ir melhorando sempre”, afirmou.

Há cinco anos longe da sala de aula, Ademilson admite que o retorno aos estudos provoca ansiedade. “Vai ser tudo novo de novo, altas expectativas”. A preparação, dividida com a rotina de trabalho, foi cansativa, mas ele considera o esforço necessário. “Todo esforço vale a pena sempre, a gente tem que buscar o melhor”.

Já o guarda patrimonial do Estado Ivaldo Batista, de 49 anos, pensa no que fará quando chegar a hora de se aposentar. Servidor público há 27 anos, ele é formado em Gestão Pública pela UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e agora quer cursar Pedagogia na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

“Já tenho 27 anos de serviços prestados, daqui a pouco posso me aposentar e posso trabalhar na educação”, explicou. Ele tem dois filhos que estudam na universidade federal e pretende aproveitar a nova graduação para ampliar o currículo.

Ivaldo busca nova profissão para quando se aposentar como servidor (Foto: Geniffer Valeriano)

Esta é a quinta vez que Ivaldo participa do Enem, mas a primeira desde que concluiu a faculdade. Para se preparar, montou um roteiro de estudos e resolveu questões de provas anteriores. Como trabalha em escala de 12 por 36 horas e ainda mantém outra atividade durante o dia, precisou aproveitar os períodos livres para estudar.

“Tenho 49 anos, tenho base boa, uma bagagem, principalmente na área de Humanas; o que vou pecar um pouco vai ser na área de Exatas e Ciências”, avaliou.

A expectativa também é voltar a frequentar uma universidade diariamente. O curso anterior era semipresencial, com encontros uma vez por mês. Agora, Ivaldo pretende deixar o trabalho diurno para se dedicar à nova formação, sem abandonar o cargo público. “Eu vou pegar integral, entrar na sala de aula de novo e pegar o chão da fábrica”, afirmou.

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