Educação e Tecnologia

Falta de documentos e erro no local eliminam estudantes do vestibular

Edital previa que identificar o local da prova era dever do candidato e que não aceitava documentos digitais

Por Mylena Fraiha e Maria Gabriela Arcanjo | 14/12/2025 10:35
Falta de documentos e erro no local eliminam estudantes do vestibular
Portas do bloco Multiuso da UFMS fechado às 8h (horário de MS) para realização das provas do Passe (Foto: Paulo Francis).

Trocar o documento físico pelo digital ou errar o prédio da prova foi suficiente para impedir que alguns estudantes realizassem o Passe (Programa de Avaliação Seriada Seletiva) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) neste domingo (14), em Campo Grande. Ao todo, mais de 18 mil candidatos fazem a 1ª, 2ª e 3ª etapas do programa em 11 municípios de Mato Grosso do Sul, com início às 8h.

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Entre as candidatas que não conseguiram fazer a prova está Emanuele Alves, de 15 anos, estudante do primeiro ano do ensino médio. Ela chegou ao local, mas foi impedida de entrar por portar apenas o documento digital, o que é impedido pelo edital.

“Eu esqueci o documento físico e eles não aceitaram o digital. Fiquei um pouco decepcionada, eu tinha que ter olhado isso direitinho. Achei que poderia usar o digital, mas não deu”, contou Emanuele. 

Emanuele explica que chegou ao local da prova, mas foi impedida de entrar por portar apenas o documento digital (Foto: Paulo Francis).

Apesar do contratempo, Emanuele diz que pretende continuar tentando. “As outras fases também importam e têm mais peso”, comenta. A estudante afirma que ainda está decidindo qual curso pretende seguir, mas tem interesse em Direito. “Gosto bastante de humanas, principalmente português”, diz.

Situação semelhante viveu a estudante Lorrayne Dutra, também de 15 anos, que participaria da primeira fase e considera esta sua estreia em vestibulares. Nervosa desde a chegada, ela relata que perdeu a prova após confundir o local indicado com o da amiga. Ela concorreria a uma vaga no curso de Direito.

A candidata foi acompanhada pela mãe, Francielle Carina Dutra, de 35 anos, que relatou como o erro aconteceu ainda no trajeto. “Ela tirou um print com o endereço dela e o da amiga. Quando fomos pedir informação, mostrou o print da amiga sem perceber. O funcionário indicou que era no Multiuso e nós viemos”, explicou.

Lorrayne (à esquerda) e sua mãe Francielle (à direita) explicam o erro na hora de identificar local da prova (Foto: Paulo Francis)

Ao chegar à sala, o nome da estudante não constava na lista. “Foi quando ela disse: ‘mãe, eu mostrei a foto da minha amiga’. Aí vimos que era em outro prédio e, infelizmente, perdemos”, relatou Francielle. O local correto, segundo a mãe, ficava no início do campus, próximo à Reitoria. 

Mesmo assim, a família tentou amenizar a frustração. “Ano que vem tem mais. Acontece, ainda mais sendo o primeiro vestibular”, disse a mãe da estudante.

Estudante procura o nome em lista disponibilizada no local de prova, no bloco Multiuso (Foto: Paulo Francis).

Além dos que perderam a prova, houve quem enfrentasse dificuldades para encontrar o local, mas conseguiu chegar a tempo. Foi o caso de Emily Beatriz da Silva Eloi, de 17 anos, que presta o Passe com o objetivo de cursar arquitetura.

Ela contou que era a primeira vez no campus da UFMS e não soube identificar o seu bloco logo de início, que era o prédio Multiuso. “Acho que deveria ter uma pessoa perto de cada placa. Eu achei que era ali porque estava marcando 15. O meu era 18, aí fui seguindo e a numeração foi diminuindo. Depois percebi que tinha me perdido”, relatou. Apesar da confusão, Emily conseguiu se orientar antes do fechamento dos portões.

Orientações - De acordo com o diretor de Planejamento e Gestão Acadêmica da Pró-Reitoria de Graduação da UFMS, Dionísio Machado Leite Filho,  todas as orientações constam em edital e são reforçadas pela universidade antes da aplicação. 

“A UFMS faz campanhas nas semanas que antecedem a prova, alertando sobre a necessidade de chegar com antecedência, por causa do trânsito e do grande fluxo, além de trazer documento de identificação e caneta”, afirmou Dionísio.

Em relação às reclamações de candidatos que levaram apenas documento digital, Dionísio explicou que a exigência do documento físico está relacionada às regras de segurança da prova. “Não é permitida a presença de dispositivos eletrônicos na sala. Quando o candidato entra, ele deposita o aparelho, então não tem acesso a ele”, explicou. 

Ainda assim, ele reconheceu que a situação exige atenção dos candidatos. “Isso também passa por conscientização, por se programar para fazer as avaliações”, disse o diretor de Planejamento e Gestão Acadêmica da Pró-Reitoria de Graduação da universidade.

Segundo o diretor, a universidade avalia constantemente os desafios do processo seletivo. “Dentro da legislação e das boas práticas, a gente vai buscar o que pode ser feito para melhorar e evitar que esse tipo de situação se repita nos próximos eventos”, afirmou.

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