Educação e Tecnologia

Em MS, 215 formandos em Medicina são de faculdades com notas 2

Foram 158 alunos que fizeram a prova na Uniderp e 57 alunos na Unicesumar

Por Izabela Cavalcanti | 22/01/2026 11:41

 

Em MS, 215 formandos em Medicina são de faculdades com notas 2
Profissional atende paciente no Hospital Regional de Campo Grande (Foto: Divulgação HR/Arquivo)

RESUMO

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Em Mato Grosso do Sul, 215 alunos de Medicina estão se formando em faculdades com notas 2 no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), abaixo da nota mínima aceitável pelo MEC (Ministério da Educação).

De acordo com conselheiro federal Estevam Rivello, 2° secretário do CFM (Conselho Federal de Medicina), foram 158 alunos que fizeram a prova na Uniderp de Campo Grande e 57 alunos na Unicesumar em Corumbá. A mensalidades nessas instituições fica na média de R$ 15 mil.

A UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) de Três Lagoas, que obteve nota 5, 49 alunos se formaram; UFMS de Campo Grande (nota 5), 82 alunos fizeram a prova; UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) (nota 5); 72 alunos; e UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) (nota 4), 35 alunos. Já no Brasil, 13.871 estão se formando em faculdades com conceitos 1 e 2.

“O que o Governo Federal expôs é tudo aquilo que as entidades médicas vêm apontando há cerca de duas décadas. Até meados da década de 90 nós tínhamos uma educação genuinamente pública e de qualidade, hoje, nós temos 70% das faculdades brasileiras médicas privadas e de péssima qualidade”, enfatizou.

Rivello explica ainda que não, necessariamente, o aluno tirou a mesma nota que a universidade e que o MEC (Ministério da Educação) estipulou o ponto de corte para cada instituição. 

Ele citou alguns exemplos. “A UFMS conseguia nota 5, se mais de 90% da turma tirar acima de 6, 92,7% dos alunos tiraram acima de 6. Na Uniderp, 58,2% do grupo tirou acima de 6", disse.

Segundo o CFM, são formados em Medicina, 45 mil alunos por ano, e 650 mil médicos estão inscritos nos Conselhos Regionais de Medicina, atualmente.

Em matéria anterior, a Unicesumar justificou ao Campo Grande News que, desde a criação do curso, em 2020, vem sendo avaliada com nota 5 pelo Ministério da Educação.

"A universidade entende que, no Enamed, além do conhecimento oferecido pela instituição, o comprometimento do aluno em se dedicar ao exame interfere no resultado final do curso avaliado", diz um trecho do texto enviado à reportagem. 

Ainda conforme a instituição, foi iniciado um processo de análise das causas dos resultados obtidos e já foram implementadas melhorias necessárias para que a qualidade do ensino "siga com excelência", finalizou a nota.

Mudança – O Conselho Federal de Medicina quer tentar impedir o registro profissional dos estudantes que foram reprovados no Enamed.

“O Enamed está insuficiente nos formatos, porque hoje para avaliação do Ensino Médico não pode fazer só uma avaliação escrita, o Enamed é dessa forma, foram 100 questões, sendo 10 anuladas e 3 repetidas. Quem vai sofrer é a população mesmo, esses profissionais mal formados irão trabalhar como primeira porta de primeiro socorro. O principal direito é o direito da vida, que sobrepõe a qualquer outro”, pontuou. 

Está em tramitação no Senado, o Projeto de Lei nº 2294/2024, que institui o Profimed (Exame Nacional de Proficiência em Medicina). Se aprovado, o CFM é quem irá aplicar a prova prática e teórica.

“É necessário melhorias no Enamed, como a avaliação prática, é assim em vários países e também na residência médica. Precisa ter uma base legal para existir, precisa ser implementados melhorias. O Profimed seria o barramento, impediria que o aluno não seja inscrito no Conselho Regional”, explicou. 

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