Acesso barato a streamings piratas atrai, mas expõe usuários a riscos virtuais
Manter 3 serviços legalizados não sairia por menos de R$ 75,00 ao mês; já os clandestinos ficam metade disso

A escolha entre a diversão e o risco é bem pequena quando se trata da assinatura dos streamings piratas. O preço atrativo para o acesso a um grupo imenso de filmes, séries e campeonatos esportivos acaba fechando os olhos para o outro lado da moeda: a exposição de dados pessoais a uma rede completamente desconhecida e não regulada pelas leis brasileiras.
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Serviços de streaming piratas atraem consumidores em Campo Grande com mensalidades entre R$ 20 e R$ 50, valor inferior ao de três plataformas legalizadas, que somam ao menos R$ 75. Especialista em segurança da informação alerta para riscos de vírus, programas espiões e vazamento de dados, pois o usuário conecta sua rede doméstica a servidores desconhecidos e não regulados no Brasil. Em novembro, a Operação 404 derrubou 303 sites ilegais e um aplicativo de streaming pirata.
Enquanto um plano simples dos streamings tradicionais não sai por menos de R$ 25,00 cada um, as atuais TVs piratas mantêm uma mensalidade que gira entre R$ 20,00 e R$ 50,00, conforme apuração. Isso para ter acesso a milhares de filmes e programas presentes nos serviços legalizados e todos de uma só vez.
Para se ter uma ideia, manter três serviços legalizados não sairia por menos de R$ 75,00 ao mês. Nos planos mais caros, que custam cerca de R$ 70,00, o valor sobe para R$ 210,00.
Um usuário que falou com a reportagem sob anonimato disse que escolheu o streaming ilegal pela comodidade de ter acesso fácil e rápido a um conteúdo que ficaria muito caro se tivesse que ser contratado em cada uma das plataformas. “Dá pra ver pelo celular ou computador. E, no caso das TVs smarts, ainda consegue ‘espelhar’ o sinal do celular para a TV”, disse.
Ele reforça ainda que tem acesso a filmes que ainda estão no cinema e nos streamings pagos “em questão de dias” e, por fim, que “o valor também é bem atrativo e cabe dentro do orçamento”. O entrevistado usa os streamings piratas há pelo menos cinco anos.
Segundo o policial civil e especialista em segurança da informação Michel Weiler Neves, os riscos na contratação dos serviços irregulares são grandes, mas nem sempre levados em conta.
“O problema maior é que o usuário permite um padrão de conexão com uma rede de servidores desconhecida, sem regras definidas, e que estão agindo sobre esse equipamento (no caso de TV Box). E, dependendo da rede doméstica, pode haver vazamento de informações pessoais se porventura houver algum programa espião”, detalhou.
A presença de algum sistema espião não é regra, mas é um risco, assim como a ocorrência de vírus. Segundo Neves, quando se contrata um streaming pirata, o cliente permite o acesso de um sistema desconhecido à sua rede, criando uma “rede paralela entre a sua casa e um servidor que você não sabe quem é. Isso expõe a vulnerabilidades, como os vírus”, destaca.
Outro ponto é sobre o monitoramento. Caso o streaming pirata contratado seja, além de irregular, uma fonte para o cometimento de outros crimes, o especialista explica que pode ser feito um escaneamento do sistema do cliente, roubando dados que interessem a essa rede clandestina. Mais uma vez, a situação não é regra, mas é um risco.
“É o mesmo risco que existe com as câmeras de segurança que podem ser compradas pela internet. Os dados do usuário ficam expostos a terceiros, porque usa a mesma rede pela qual ele acessa aplicativos de banco, por exemplo. São aparelhos irregulares, sem regras definidas e legalizadas pelo sistema brasileiro. Você não sabe onde está alocado o servidor desse serviço, não passa pela regulamentação. A regulamentação brasileira é eficiente e, por isso, tem custos”, defende.
Para o usuário entrevistado pela reportagem, os riscos não superam os benefícios. “Nunca tive e não tenho nenhum problema quanto a isso. Era dito, quando a gente usava receptor do Paraguai, que a Polícia Federal ia derrubar os sinais, mas o pessoal vai atualizando os apps. O que eu acho é que as marcas de streaming perdem consumidores e aí ficam lançando fakes sobre isso”, afirmou.
Derrubados - Em novembro do ano passado, uma fase da Operação 404, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, tirou do ar 303 sites ilegais e um aplicativo de streaming que reproduziam conteúdo multimídia pirata. O objetivo era desmontar redes criminosas que atuam com a distribuição ilegal de conteúdos protegidos por direitos autorais, como filmes, séries, músicas e jogos.
A ação incluiu atuação coordenada de Polícias Civis de 15 estados do Brasil, além de Argentina, Equador, Paraguai, Peru e Reino Unido. Além destes, México e EUA participam como observadores ativos, visando conhecer a metodologia de trabalho aplicada na repressão à pirataria digital.
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