O Brasil escolheu. Agora, o presidente precisa governar para todos
Segurança exige presença na fronteira e combate ao tráfico de drogas e armas

Encerrada a votação, o Brasil precisa começar a superar a campanha. O presidente eleito recebeu das urnas a responsabilidade de conduzir um país que pertence também a quem votou no adversário, anulou o voto ou deixou de comparecer. A primeira demonstração de grandeza será compreender que a vitória eleitoral não dá a ninguém o direito de tratar parte da população como inimiga.
RESUMO
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Unificar o Brasil exige atitudes. Ouvir críticas, respeitar a oposição, dialogar com governadores e prefeitos e distribuir recursos segundo as necessidades da população. Um hospital não pode esperar porque o prefeito pertence a outro partido. Uma obra necessária não pode ser abandonada porque começou em outro governo. O dinheiro público deve atender ao cidadão, sem perguntar em quem ele votou.
O resultado das urnas também precisa ser respeitado por quem perdeu. Fiscalizar, cobrar e apresentar alternativas são tarefas essenciais da oposição. Alimentar permanentemente o conflito, porém, prolonga uma campanha que já terminou e dificulta a construção de respostas para problemas que atingem todos.
A pacificação depende, ainda, de instituições confiáveis. O sistema de Justiça precisa estar aberto a mudanças que ampliem a transparência, fortaleçam a prestação de contas e reduzam a demora dos processos. A sociedade tem direito a decisões fundamentadas, regras claras sobre conflitos de interesse e tratamento igual, independentemente do patrimônio, do sobrenome ou das relações políticas de quem procura os tribunais.
O presidente eleito deve assumir esse debate com responsabilidade e buscar, junto ao Congresso e às instituições, reformas que preservem a independência judicial e enfrentem privilégios e falhas. A independência de um Poder precisa conviver com fiscalização e responsabilidade. Reformar exige compromisso com o interesse público, sem perseguições ou tentativas de controlar decisões judiciais.
Na economia, a prioridade deve ser a vida de quem trabalha, paga contas e tenta manter um pequeno negócio. Inflação baixa protege o salário, sobretudo de quem gasta quase tudo com alimentação, moradia e transporte. Juros menores facilitam investimentos e reduzem o peso do crédito. Para alcançar essas condições de forma sustentável, o governo terá de combinar responsabilidade com as contas públicas, qualidade do gasto, estabilidade e estímulo à produção.
Prometer crédito barato enquanto se desperdiça dinheiro público não resolve. Cortar despesas essenciais para preservar benefícios de grupos influentes também não. O desafio está em estabelecer prioridades, avaliar resultados e fazer cada real arrecadado devolver à sociedade algum benefício concreto.
O Brasil também precisa investir com continuidade em sua logística. Ferrovias, hidrovias, rodovias, portos e integração entre diferentes meios de transporte devem fazer parte de um planejamento que atravesse mandatos. Transportar melhor reduz custos, aproxima mercados, melhora o abastecimento e torna a produção mais competitiva. Para estados como Mato Grosso do Sul, essa agenda influencia diretamente as oportunidades de desenvolvimento.
Na saúde, a população espera atendimento, exames e tratamento em tempo adequado. Na educação, precisa de escolas com estrutura, professores valorizados e alunos que aprendam. No transporte público, quer trajetos menos demorados, veículos em boas condições e tarifas compatíveis com a renda. São serviços cuja melhoria exige cooperação entre União, estados e municípios, financiamento e cobrança de resultados.
A segurança merece lugar central nessa agenda. O medo interfere na liberdade de sair de casa, trabalhar, estudar e manter um comércio. Enfrentá-lo exige investigação, inteligência, valorização dos profissionais, prevenção e capacidade de atingir o dinheiro que sustenta as organizações criminosas. A apreensão de uma carga deve ajudar a chegar aos financiadores, aos responsáveis pela logística e aos agentes públicos que eventualmente protegem o esquema.
Nesse esforço, a fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia precisa receber atenção permanente. As rotas usadas para a entrada de drogas e armas conectam a realidade fronteiriça à violência em outras regiões do país. Fiscalização, tecnologia e cooperação internacional devem funcionar de forma integrada, acompanhadas de investigação financeira e combate à corrupção.
Quem vive na fronteira também precisa de escolas, atendimento de saúde, emprego e presença cotidiana do Estado. Proteger essa população e impedir o aliciamento de jovens faz parte da mesma política de segurança que deve combater os grupos criminosos.
O presidente eleito encontrará demandas maiores que os recursos disponíveis. Por isso, terá de fazer escolhas, explicar decisões e apresentar metas que possam ser acompanhadas. A população tem direito de saber o que será feito, quanto custará e em que prazo os resultados poderão aparecer.
A partir desta segunda-feira, a principal cobrança começa a mudar de endereço: sai do palanque e vai para o futuro governo. A vitória terá valor para o país se chegar à mesa das famílias, à sala de aula, à fila do SUS, ao ônibus lotado e às ruas onde hoje falta segurança. É para melhorar essa vida concreta que se elege um presidente.