Fios soltos nas ruas de Campo Grande. Vão esperar outro acidente para agir?
Prefeitura, Energisa e operadoras devem agir nos pontos de risco e dar prazo para retirar cabos irregulares

Vão esperar o quê? Que um motociclista seja atingido no pescoço por um cabo atravessado na pista? Que um ciclista caia diante de um carro ao tentar desviar de um fio? Em julho, o Campo Grande News já alertou para o perigo e registrou que havia acidentes. Passados mais de três meses, a fiação solta continua nas ruas. Quem tem a obrigação de agir deve explicar por que o risco persiste e dizer quando vai eliminá-lo.
RESUMO
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A Prefeitura, a Agems e a Energisa já mostraram que conseguem trabalhar juntas. Em novembro de 2025, a operação piloto do Rede Limpa retirou cerca de 15 quilômetros de cabos irregulares e abandonados de 43 postes no Centro. A Prefeitura anunciou que pretendia levar o trabalho aos bairros. Quase um ano depois, onde está o cronograma? Que bairros foram atendidos? Quantas empresas foram notificadas e quantas corrigiram as irregularidades? É esse balanço que a cidade tem direito de cobrar.
A Prefeitura deve coordenar o atendimento e garantir a sinalização dos pontos de risco no trânsito. A Energisa, como distribuidora, tem o dever de zelar pela ocupação regular dos postes e notificar as operadoras. As empresas de telefonia e internet devem corrigir suas instalações e arcar com os custos da regularização. À Agems, que assumiu a fiscalização técnica na força-tarefa, cabe tornar públicos os resultados dessa atuação. A discussão sobre a propriedade de um cabo pode correr em paralelo. Se o fio está sobre a pista, o atendimento tem de ser imediato.
O editorial de julho já registrava que a Câmara aprovou uma proposta para disciplinar a ocupação dos postes e que a Prefeitura a vetou. O veto deixou uma pergunta para o Executivo. Qual é a sua proposta? A cidade precisa de regras que se traduzam em fiscalização na rua, com identificação dos cabos, controle de novas instalações, cobrança pela retirada da fiação desativada e encaminhamento das infrações para que os órgãos competentes apliquem as sanções cabíveis.
A cobrança imediata é por equipes na rua, prioridade para os trechos perigosos e um calendário público de vistorias e retirada de cabos, do Centro aos bairros. Cada denúncia deve gerar um protocolo, com identificação de quem ficou encarregado do atendimento e registro de quando o problema foi resolvido. Assim se mede o trabalho depois que passa o dia do mutirão.
Campo Grande também precisa pôr no papel um plano para levar as redes de energia e telecomunicações para o subsolo. Obras de drenagem e reurbanização podem servir para instalar dutos onde houver viabilidade técnica. A Prefeitura deve discutir com as concessionárias e operadoras por onde começar, quanto vai custar e quem vai pagar. Cada obra de grande porte é uma oportunidade de preparar o trecho para a mudança.
A rede subterrânea exige projeto e investimento. O fio que ameaça derrubar alguém na rua exige equipe hoje. Prefeitura, Energisa, Agems e operadoras já conhecem o problema. O que falta é dizer, com endereço e prazo, onde vão agir e cumprir o que anunciarem.