Economia

Reajustada, Bolsa Família já alcança 191 mil lares em MS

Pagamentos começam segunda-feira (19) e novo valor passa a R$ 691

Por Maurício Aguiar | 18/10/2026 09:31
Reajustada, Bolsa Família já alcança 191 mil lares em MS
Beneficiários podem manter informações atualizadas pelo app do Bolsa Família e consultar situação do cadastro (Foto: Izabela Cavalcanti)

A partir do próximo dia 19 de outubro, os beneficiários do Bolsa Família começam a receber os pagamentos com o valor mínimo reajustado, que sobe de R$ 600 para R$ 691, um aumento de 15%. Quase 191 mil lares em Mato Grosso do Sul devem ser impactados pela elevação do subsídio.

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Dados do MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome) revelam que o programa atendeu 190.938 famílias em Mato Grosso do Sul no último mês de setembro. Já o repasse total em MS somou R$ 132,5 milhões no último mês. 

Além disso, o MDS reforça que a iniciativa funciona com um fluxo contínuo de entradas e saídas de beneficiários, conforme os procedimentos de gestão e a disponibilidade de recursos. A porta de entrada para o programa exige inscrição no CadÚnico (Cadastro Único) e renda familiar per capita de até R$ 218 mensais. Porém, estar cadastrado não garante o recebimento imediato do valor.

A gerente de Gestão do CadÚnico da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) de Campo Grande, Mayara Almeida da Silva Ferreira, explica que a inclusão depende de etapas que vão além do atendimento no município.

“É muito comum dizer que a inserção dos dados neste sistema é a porta de entrada para o Bolsa Família, mas a inscrição ou atualização cadastral, por si só, não gera a concessão automática do benefício”, alerta Mayara.

Cabe à gestão municipal acolher a população, realizar as entrevistas e manter as informações atualizadas na base de dados. Já o acompanhamento da concessão é de responsabilidade direta do Governo Federal. A seleção obedece à Portaria MDS nº 897/2023, que divide o processo entre habilitação, seleção e concessão. Por se tratar de um procedimento automatizado pelos sistemas federais, não existe um tempo determinado de espera.

No processo de seleção, o sistema prioriza famílias em situação de extrema vulnerabilidade social. Entram nessa fila prioritária lares com crianças em trabalho infantil, pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão e quilombolas. 

Também têm prioridade indígenas, catadores de recicláveis, pessoas em situação de rua, famílias acompanhadas pelo Prontuário SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e lares apontados pelo Ministério da Saúde em risco de insegurança alimentar.

Após a triagem, o sistema avalia a taxa de cobertura do programa no município. Em seguida, considera a presença de gestantes, crianças de até 7 anos, jovens até 18 anos incompletos e a menor renda per capita. A gestora ressalta que ter pessoas idosas, crianças ou com deficiência na família não assegura a entrada imediata.

“A família precisa primeiro atender aos critérios de elegibilidade e estar com o cadastro consistente e atualizado”, explica. 

Para quem já está no programa e consegue ampliar a renda, vale a Regra de Proteção. Regulamentada pela Portaria MDS nº 1.084/2025, ela evita o cancelamento abrupto do benefício.

Quando a renda per capita da família ultrapassa R$ 218, mas se mantém no limite de até R$ 706 por pessoa, o domicílio pode permanecer no programa por até 18 meses, recebendo 50% do valor total.

Central do CadÚnico, principal ponto de atendimento do Cadastro Único em Campo Grande (Foto: Reprodução/SAS)

Em Campo Grande, a condução do programa é feita de forma intersetorial. O Comitê Intersetorial do Programa Bolsa Família reúne profissionais da assistência social, saúde e educação para acompanhar os beneficiários.

Mayara esclarece que os bloqueios de benefícios na Capital ocorrem principalmente por inconsistência de dados de renda na averiguação cadastral ou por falta de atualização dos registros.

“Quando uma família recebe uma comunicação de bloqueio, suspensão ou cancelamento, é importante verificar o motivo específico registrado no sistema ou procurar um dos postos de atendimento mais próximos para receber orientação. A gestão municipal trabalha através de ações de busca ativa e articulações com lideranças de grupos populacionais tradicionais e específicos e de outros grupos vulnerabilizados”, completa.

Um alívio – Na ponta, o reajuste para R$ 691 alivia a rotina de quem tenta equilibrar as contas de casa. A autônoma e manicure Danielle Peres recebe R$ 900 pelo programa e conta que o recurso atua como um complemento.

“Dá para pagar água e luz, gás e alimentação somente um pouco, porque o gasto é grande com alimentação”, relata Danielle. 

Danielle sustenta seus filho com o dinheiro que recebe como manicure e com o benefício do Bolsa Família (Foto: Arquivo pessoal)

Ela conta que precisa recorrer à ajuda externa em imprevistos, mas considera o reajuste bem-vindo. “Para mim funciona como um complemento e ajuda muito na estabilidade. Qualquer ajuda é bem vinda”.

Para quem não possui renda formal, o benefício assume o papel de principal sustento da casa. É o caso da desempregada Nathalia Franco, que tem no Bolsa Família a única fonte de recursos da família.

“Não é suficiente para cobrir todos os gastos. Ele cobre apenas água e produtos de higiene, como fralda, lenço umedecido e algumas coisas como bolachas e iogurte para passar o mês”, conta Nathalia.

Diante de emergências ou despesas de saúde, Nathalia diz que precisa recorrer a cartões de crédito ou empréstimos. Ela destaca que a garantia de um valor fixo mensal traz estabilidade ao planejamento do lar.

Para Nathalia, o reajuste do Bolsa Família significa mais compras para os filhos (Foto: Arquivo pessoal)

Com o novo piso mínimo que começa a ser pago a partir de 19 de outubro, a beneficiária espera melhorar a compra de itens básicos para os filhos.

“Vai ajudar mais, pois como é minha única renda, com mais dinheiro consigo comprar mais coisas para meus filhos”.

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