Prefeitura busca alternativas de emprego para trabalhadores da Vetorial em Ribas
Município prepara capacitação profissional diante do fechamento da siderúrgica, previsto para dezembro

Diante do anúncio de encerramento da produção da Vetorial Siderurgia em Ribas do Rio Pardo, a 97 quilômetros de Campo Grande, a prefeitura começou a organizar alternativas para tentar absorver os trabalhadores que poderão perder o emprego. A proposta é oferecer capacitação profissional e encaminhar os funcionários para vagas disponíveis em outros setores da economia local, especialmente nas atividades ligadas à indústria de celulose e à silvicultura.
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Segundo o prefeito, Roberson Luiz Moureira, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico já está organizando uma reunião com representantes dos trabalhadores, do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e do Governo do Estado para identificar as qualificações dos profissionais que poderão ser desligados e preparar cursos que facilitem a recolocação no mercado de trabalho.
Moureira afirmou que Ribas do Rio Pardo enfrenta dificuldades para preencher vagas em diferentes atividades industriais e florestais. Entre os profissionais mais procurados estão motoristas, mecânicos, soldadores, eletricistas, operadores de máquinas e trabalhadores envolvidos no plantio e na colheita de eucalipto.
Conforme o prefeito, parte dessas vagas acaba sendo ocupada por pessoas de outras cidades devido à falta de mão de obra qualificada no município. A intenção agora é aproveitar essa demanda para oferecer novas oportunidades aos empregados da siderúrgica.
Ainda não existe um levantamento oficial sobre quantos trabalhadores serão afetados pelo fechamento. O prefeito estima que a operação industrial da Vetorial empregue entre 200 e 240 pessoas, mas ressalta que o número precisa ser confirmado pela empresa. A estimativa também não inclui funcionários de carvoarias e outras atividades vinculadas à cadeia produtiva.
Outra possibilidade mencionada pelo prefeito é o aproveitamento de parte dos empregados em operações da própria Vetorial em Corumbá, onde a empresa mantém atividades ligadas ao minério de ferro, com produção destinada aos mercados interno e externo. Ainda não há informações sobre quantos profissionais poderão ser transferidos.
Fechamento - Em comunicado encaminhado ao STISC (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá), no dia 4 de novembro, a Vetorial informou que pretende encerrar a produção em Ribas do Rio Pardo em 11 de dezembro de 2026.
Segundo a empresa, a decisão foi motivada principalmente pelas dificuldades de abastecimento de carvão vegetal, matéria-prima utilizada no processo siderúrgico. O problema estaria relacionado à crescente concorrência pela madeira de eucalipto com outros segmentos industriais, especialmente os setores de celulose e etanol de milho.
No documento, a Vetorial afirma que enfrenta essa situação há aproximadamente um ano e que chegou a avaliar alternativas de fornecimento, incluindo a importação de matérias-primas. Entretanto, não conseguiu estabelecer condições regulares e economicamente viáveis para manter a produção.
Custos operacionais e logísticos, dificuldades de competitividade da indústria brasileira e retração em segmentos das cadeias siderúrgica e mineral também foram apontados como fatores que contribuíram para a decisão.
O comunicado informa que o encerramento deverá resultar no desligamento de trabalhadores, embora a empresa avalie a possibilidade de aproveitar determinados profissionais em outras unidades ou atividades.
Antes das demissões, a Vetorial solicitou uma reunião com o sindicato, conforme a exigência de intervenção sindical prévia prevista para dispensas em massa. Na ocasião, a empresa deverá apresentar o número de empregados afetados, as funções exercidas, o cronograma de desligamentos e as medidas previstas para reduzir os impactos sobre os trabalhadores.
Mercado de madeira - O prefeito afirmou que já circulavam comentários extraoficiais sobre o possível fechamento da siderúrgica, mas que tomou conhecimento da decisão por meio do comunicado enviado ao sindicato. Desde então, entrou em contato com a diretoria da Vetorial e com a Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) para avaliar possíveis alternativas.
Apesar das articulações, considera difícil reverter a decisão no curto prazo, por entender que o encerramento está relacionado a questões comerciais e às condições do mercado de madeira.
Na avaliação do prefeito, a expansão da indústria de celulose em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, as florestas destinadas ao projeto da Arauco em Inocência e a demanda de empreendimentos de etanol de milho em municípios como Dourados, Maracaju e Sidrolândia contribuíram para elevar o custo da madeira.
Além da fabricação de celulose, as grandes indústrias do setor também utilizam resíduos de madeira e subprodutos do processo produtivo para gerar eletricidade. Em Ribas do Rio Pardo, a Suzano já produz energia para consumo próprio e disponibiliza o excedente ao sistema elétrico nacional. Em Inocência, a futura fábrica da Arauco também prevê geração própria, com parte da eletricidade destinada à comercialização. Esse modelo amplia o aproveitamento industrial da biomassa, embora ainda seja necessário verificar em que medida interfere na disponibilidade de madeira para a produção de carvão vegetal.
Segundo ele, esse cenário tornou mais cara a produção de carvão vegetal e comprometeu a viabilidade econômica da siderúrgica.
Outro lado - O Campo Grande News procurou a Vetorial Siderurgia para obter informações sobre o número de trabalhadores que poderão ser demitidos, as possibilidades de transferência para outras unidades e as medidas previstas para reduzir os impactos do fechamento. Até a publicação desta reportagem, a empresa não havia encaminhado resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.
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