Economia

Prefeitura busca alternativas de emprego para trabalhadores da Vetorial em Ribas

Município prepara capacitação profissional diante do fechamento da siderúrgica, previsto para dezembro

Por Inara Silva | 06/11/2026 11:18
Prefeitura busca alternativas de emprego para trabalhadores da Vetorial em Ribas
Uma das unidades da usina da vetorial localizada em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação)

Diante do anúncio de encerramento da produção da Vetorial Siderurgia em Ribas do Rio Pardo, a 97 quilômetros de Campo Grande, a prefeitura começou a organizar alternativas para tentar absorver os trabalhadores que poderão perder o emprego. A proposta é oferecer capacitação profissional e encaminhar os funcionários para vagas disponíveis em outros setores da economia local, especialmente nas atividades ligadas à indústria de celulose e à silvicultura.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Segundo o prefeito, Roberson Luiz Moureira, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico já está organizando uma reunião com representantes dos trabalhadores, do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e do Governo do Estado para identificar as qualificações dos profissionais que poderão ser desligados e preparar cursos que facilitem a recolocação no mercado de trabalho.

Moureira afirmou que Ribas do Rio Pardo enfrenta dificuldades para preencher vagas em diferentes atividades industriais e florestais. Entre os profissionais mais procurados estão motoristas, mecânicos, soldadores, eletricistas, operadores de máquinas e trabalhadores envolvidos no plantio e na colheita de eucalipto.

Conforme o prefeito, parte dessas vagas acaba sendo ocupada por pessoas de outras cidades devido à falta de mão de obra qualificada no município. A intenção agora é aproveitar essa demanda para oferecer novas oportunidades aos empregados da siderúrgica.

Ainda não existe um levantamento oficial sobre quantos trabalhadores serão afetados pelo fechamento. O prefeito estima que a operação industrial da Vetorial empregue entre 200 e 240 pessoas, mas ressalta que o número precisa ser confirmado pela empresa. A estimativa também não inclui funcionários de carvoarias e outras atividades vinculadas à cadeia produtiva.

Outra possibilidade mencionada pelo prefeito é o aproveitamento de parte dos empregados em operações da própria Vetorial em Corumbá, onde a empresa mantém atividades ligadas ao minério de ferro, com produção destinada aos mercados interno e externo. Ainda não há informações sobre quantos profissionais poderão ser transferidos.

Fechamento - Em comunicado encaminhado ao STISC (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá), no dia 4 de novembro, a Vetorial informou que pretende encerrar a produção em Ribas do Rio Pardo em 11 de dezembro de 2026.

Segundo a empresa, a decisão foi motivada principalmente pelas dificuldades de abastecimento de carvão vegetal, matéria-prima utilizada no processo siderúrgico. O problema estaria relacionado à crescente concorrência pela madeira de eucalipto com outros segmentos industriais, especialmente os setores de celulose e etanol de milho.

No documento, a Vetorial afirma que enfrenta essa situação há aproximadamente um ano e que chegou a avaliar alternativas de fornecimento, incluindo a importação de matérias-primas. Entretanto, não conseguiu estabelecer condições regulares e economicamente viáveis para manter a produção.

Custos operacionais e logísticos, dificuldades de competitividade da indústria brasileira e retração em segmentos das cadeias siderúrgica e mineral também foram apontados como fatores que contribuíram para a decisão.

O comunicado informa que o encerramento deverá resultar no desligamento de trabalhadores, embora a empresa avalie a possibilidade de aproveitar determinados profissionais em outras unidades ou atividades.

Antes das demissões, a Vetorial solicitou uma reunião com o sindicato, conforme a exigência de intervenção sindical prévia prevista para dispensas em massa. Na ocasião, a empresa deverá apresentar o número de empregados afetados, as funções exercidas, o cronograma de desligamentos e as medidas previstas para reduzir os impactos sobre os trabalhadores.

Mercado de madeira - O prefeito afirmou que já circulavam comentários extraoficiais sobre o possível fechamento da siderúrgica, mas que tomou conhecimento da decisão por meio do comunicado enviado ao sindicato. Desde então, entrou em contato com a diretoria da Vetorial e com a Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) para avaliar possíveis alternativas.

Apesar das articulações, considera difícil reverter a decisão no curto prazo, por entender que o encerramento está relacionado a questões comerciais e às condições do mercado de madeira.

Na avaliação do prefeito, a expansão da indústria de celulose em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, as florestas destinadas ao projeto da Arauco em Inocência e a demanda de empreendimentos de etanol de milho em municípios como Dourados, Maracaju e Sidrolândia contribuíram para elevar o custo da madeira.

Além da fabricação de celulose, as grandes indústrias do setor também utilizam resíduos de madeira e subprodutos do processo produtivo para gerar eletricidade. Em Ribas do Rio Pardo, a Suzano já produz energia para consumo próprio e disponibiliza o excedente ao sistema elétrico nacional. Em Inocência, a futura fábrica da Arauco também prevê geração própria, com parte da eletricidade destinada à comercialização. Esse modelo amplia o aproveitamento industrial da biomassa, embora ainda seja necessário verificar em que medida interfere na disponibilidade de madeira para a produção de carvão vegetal. 

Segundo ele, esse cenário tornou mais cara a produção de carvão vegetal e comprometeu a viabilidade econômica da siderúrgica. 

Outro lado - O Campo Grande News procurou a Vetorial Siderurgia para obter informações sobre o número de trabalhadores que poderão ser demitidos, as possibilidades de transferência para outras unidades e as medidas previstas para reduzir os impactos do fechamento. Até a publicação desta reportagem, a empresa não havia encaminhado resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

Veja Mais