Economia

Maiores PIBs da agropecuária têm baixo desenvolvimento rural em MS

Estudo aponta distanciamento entre a geração de riqueza pelo agronegócio e evolução estrutural

Por Inara Silva | 18/08/2025 07:34
Maiores PIBs da agropecuária têm baixo desenvolvimento rural em MS
Maquinário agrícola em funcionamento no campo em MS. (Foto: Divulgação)

Embora produza riqueza para a economia de Mato Grosso do Sul, o setor agropecuário não tem impulsionado o desenvolvimento rural nas localidades onde atua. Os dados fazem parte do estudo "Agro & Condições de Vida" e constataram que nenhuma cidade do Estado ou do país atingiu a faixa “alta” (≥ 0,60) na categoria.

RESUMO

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A pesquisa avaliou também o nível de desenvolvimento rural em 50 municípios que  têm maior PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário do país, sendo oito em Mato Grosso do Sul. A maioria desses municípios tem baixo desempenho no Indicador de Desenvolvimento Rural, com nota média de 0,31 em uma escala de 0 a 1

No Brasil, apenas seis municípios superaram 0,40. Entre eles está Sidrolândia, que atingiu 0,41, mas ainda bem abaixo do ideal (0,60).

Dados estaduais

Além de Sidrolândia (0,41), que apresenta a quinta melhor nota do país, Ponta Porã tem o índice de 0,40. Outros municípios que seguem são Dourados (0,33), Três Lagoas (0,32), que estão acima da média nacional.

Rio Brilhante (0,30), Maracaju (0,28) e Ribas do Rio Pardo (0,27) ficam abaixo na média geral do estudo. Já Costa Rica figura entre os municípios com menor índice de desenvolvimento rural no Brasil.

Arte: Lennon Almeida

Disparidades 

Elaborada pela Agenda Pública, esta é a primeira edição da pesquisa da pesquisa Agro & Condições de Vida. O objetivo principal da pesquisa foi analisar a relação entre a riqueza gerada pelo agronegócio e a qualidade de vida e desenvolvimento sustentável dessas localidades.

O documento demonstra que há um distanciamento entre a geração de riqueza pelo agronegócio e o desenvolvimento social e estrutural. 

O indicador de Desenvolvimento Rural abrange dez dimensões, avaliando tanto a capacidade produtiva dos territórios quanto os aspectos estruturais e sociais da atividade agropecuária, como o percentual de trabalhadores rurais que recebem assistência técnica rural. 

Dados Nacionais

Municípios como Sorriso (MT) e Formosa do Rio Preto (BA), que estão entre os maiores em PIB agropecuário, apresentam posições muito baixas no ranking de desenvolvimento rural. 

A análise mostra lacunas importantes na promoção de bases produtivas sustentáveis, na integração da agricultura familiar e na valorização do capital humano. O baixo índice de desenvolvimento rural indica que a alta produtividade não reflete, necessariamente, em mais assistência técnica, estruturas de qualidade ou inclusão de pequenos produtores.

Recomendações e Implicações

A maioria dos 50 municípios analisados está nas regiões Centro-Oeste (31) e Nordeste (11), o que reforça o papel predominante do Centro-Oeste no agronegócio nacional. 

O estudo aponta a necessidade de investir em áreas que transformem a força econômica do agro em prosperidade territorial, inclusão social e sustentabilidade. As recomendações para agentes públicos e empresas incluem:

  • Fortalecer a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), especialmente para a agricultura familiar.

  • Estimular a Sucessão Rural e a Capacitação de Jovens, com programas de formação e empreendedorismo.

  • Consolidar Políticas Públicas de Inclusão Produtiva, como a ampliação de programas de compras governamentais da agricultura familiar.

  • Fomentar Práticas Agroambientais, como sistemas agroflorestais e agricultura regenerativa.

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