Economia

Gastos com pessoal e custeio voltam a pressionar contas públicas de MS

Despesas com folha de pagamento consumiram 60% da receita, ocupando o 3º maior resultado no ranking nacional

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 27/10/2026 09:45
Gastos com pessoal e custeio voltam a pressionar contas públicas de MS
Governador Eduardo Riedel em reunião com a equipe da Sefaz em assinatura do contrato de gestão que definiu metas fiscais deste ano (Foto: Álvaro Rezende/Divulgação)

Sob pressão de despesas correntes, as contas públicas de Mato Grosso do Sul voltaram a apresentar sinais de alerta no quarto bimestre de 2026, de julho a agosto, segundo o Tesouro Nacional no Relatório Resumido de Execução Orçamentária em Foco dos Estados + DF, divulgado nesta segunda-feira (26). 

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O indicador que mede a capacidade de poupança do Estado, ou seja, a sobra após o pagamento das despesas correntes e que pode contribuir para financiar investimentos, ficou em 7,1% da RCL (receita corrente líquida). Esse é o segundo pior resultado entre as 27 unidades da Federação.

Nesse indicador, Mato Grosso do Sul ficou à frente apenas de Tocantins, cuja capacidade de poupança foi de 6,7%. Entre os estados com melhores resultados estão Espírito Santo, com 29,3%, e Amapá, com 27,1%, conforme gráfico abaixo.

A baixa capacidade de poupança corrente do Estado ocorre em um cenário de forte comprometimento das receitas com despesas de pessoal e custeio. Segundo os dados do Tesouro Nacional, essas categorias concentram grande parte dos gastos estaduais e reduzem a margem disponível para investimentos com recursos próprios.

Baixa capacidade de poupança compromete investimentos com recursos próprios em obras de infraestrutura e serviços, por exemplo (Gráfico: Tesouro Nacional)


As despesas com pessoal consumiram 60% da receita total, colocando Mato Grosso do Sul na terceira pior posição do ranking nacional. Rio Grande do Norte e Paraíba registraram os piores resultados, respectivamente. Piauí, Espírito Santo e Maranhão apresentaram os melhores desempenhos nesse indicador.

Já as despesas de custeio representaram 26% da receita total. O quadro aponta uma margem limitada para financiar obras e infraestrutura com recursos próprios, o que pode ampliar a necessidade de transferências federais ou de contratação de empréstimos. Os investimentos com recursos próprios corresponderam a 10% da receita bruta, enquanto 3% foram destinados ao serviço da dívida pública, que inclui o pagamento de juros e outras obrigações do endividamento estadual.

Despesas com despesas de pessoal e custeio voltam a pressionar caixa do Estado (Fonte: Tesouro Nacional)


Gastos setoriais - Os dados também evidenciam a pressão da Previdência sobre as contas estaduais. Até o quarto bimestre de 2026, o RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) apresentou resultado negativo do fundo em capitalização, por exemplo, próximo de R$ 1,02 bilhão, equivalente a 7% da receita corrente líquida.

 As despesas totais somaram R$ 19,47 bilhões no período analisado. Do total, 22% foram destinados à Previdência Social; 17%, à educação; 9%, à saúde; 6%, ao Judiciário; 9%, à segurança pública; 9%, ao transporte; 7%, à administração; e 21%, às demais áreas. O percentual destinado à saúde foi o menor entre os estados.

Resultado primário - Diante do cenário, as contas fiscais de Mato Grosso, mensuradas pelo indicador que mede gastos e arrecadação sem contar os juros da dívida pública, apresentaram piora na comparação com o mesmo período do ano passado. O déficit do resultado primário subiu de R$ 100 milhões, no acumulado até julho e agosto de 2025, para R$ 710 milhões no mesmo período de 2026. Esse indicador incluiu o RPPS. Em relação à receita corrente líquida, o déficit fiscal subiu de 0,72% para 4,63%, uma piora de 3,91 pontos percentuais.

Sem considerar o resultado da Previdência Social, o déficit fiscal estadual aumentou de R$ 170 milhões para R$ 810 milhões este ano no acumulado até agosto. Em relação à receita corrente líquida, o rombo passou de aproximadamente 1% para 5%, indicando ampliação do desequilíbrio entre receitas e despesas primárias na comparação anual.

A dívida consolidada de Mato Grosso do Sul também aumentou. O estoque cresceu 13% até o quarto bimestre de 2026, em comparação com o registrado em 31 de dezembro de 2025. 

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