Economia

Empreendedorismo pode ajudar mulheres a escapar da violência, diz Luiza Trajano

Em Campo Grande, liga empreendedorismo à superação de relações abusivas

Por Kamila Alcântara | 09/03/2026 14:55
Empreendedorismo pode ajudar mulheres a escapar da violência, diz Luiza Trajano
Empresária Luiza Helena Trajano, fundadora do Magalize Luiza, ao lado do governador Eduardo Riedel (PP) (Foto: Renan Kubota)

A empresária Luiza Helena Trajano afirmou nesta segunda-feira (9), em Campo Grande, que o combate à violência contra mulheres passa necessariamente pela união entre homens e mulheres e pelo fortalecimento da autonomia econômica feminina. Durante o evento “Todas Diferentes, Todas Importantes: Elas Protagonistas”, o Governo de Mato Grosso do Sul realizou o encontro no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, dentro da programação do mês dedicado às mulheres, onde ela fez essa declaração.

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Durante a participação no painel sobre empreendedorismo feminino, a fundadora do grupo Magazine Luiza afirmou que enfrentar a violência exige mobilização coletiva da sociedade e não pode ser tratado como um problema exclusivo das vítimas. “Eu não acho que é só o empreendedorismo. Primeiro é uma união entre homens e mulheres, porque se o homem não entrar nessa luta dificilmente a gente tira essa violência. Todo mundo perde com isso. Os homens perdem, as famílias perdem e os filhos carregam esse trauma para o resto da vida”, afirmou.

A empresária também relembrou um caso ocorrido dentro da própria empresa, que, segundo ela, marcou a atuação do Magazine Luiza no tema. “O Magazine Luiza perdeu uma funcionária há 13 anos e a gente prometeu que nunca mais ia perder uma. A partir disso os homens da empresa se envolveram muito com essa causa, porque é um perde-perde muito grande para toda a sociedade”, declarou.

Para Luiza, além da atuação do poder público e das empresas, a independência financeira das mulheres é uma ferramenta importante para romper ciclos de violência doméstica. “A mulher também precisa ter independência econômica. O empreendedorismo pode dar essa libertação econômica, porque muitas conseguem sair desse ciclo quando passam a ter renda própria, quando conseguem sustentar os filhos e tomar decisões sobre a própria vida”, disse.

Ela também sugeriu que empresas e governos criem mecanismos para ampliar oportunidades de trabalho e empreendedorismo para mulheres em situação de vulnerabilidade. “Se 3% ou 4% das empresas reservarem vagas para mulheres vulneráveis nos serviços que contratam, isso já ajuda muito. São iniciativas simples que geram oportunidade real para quem precisa”, afirmou.

Luiza aproveitou para conhecer os produtos vendidos pelas empreendedoras e comprou um bracelete (Foto: Renan Kubota)

Ao falar sobre o papel da sociedade civil, a empresária criticou a ideia de que situações de violência doméstica não devem ser questionadas por terceiros. “Existe aquela frase antiga de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. O Magalu mete há muito tempo. A sociedade civil precisa estar junto com o governo, junto com as empresas e junto com as famílias para eliminar essa violência de uma vez por todas”, disse.

Durante a entrevista, Luiza também comentou sobre o cenário econômico brasileiro e criticou as taxas de juros elevadas, afirmando que elas dificultam o crescimento de pequenos negócios e, consequentemente, a geração de empregos. “Eu sei que isso pode virar manchete, mas eu falo isso há muito tempo: o juro precisa baixar. Com juros altos, nenhum pequeno empreendedor consegue crescer. Quem realmente gera emprego no país é o pequeno e médio empresário, e eles precisam de crédito, inovação e condições para vender”, afirmou.

O governador Eduardo Riedel (PP) destacou que a presença da empresária no evento representa uma inspiração para políticas públicas voltadas ao empreendedorismo e à autonomia feminina. Segundo ele, a trajetória de Luiza Trajano demonstra como iniciativas voltadas à inclusão econômica podem transformar realidades e abrir novas oportunidades. “Inspiração é uma palavra que traduz a presença da dona Luiza aqui. Inspiração para mulheres, para desenvolvimento e para empreendedorismo. A história dela mostra que é possível ampliar oportunidades, principalmente para aquelas mulheres que têm menos acesso”, afirmou.

Riedel também comentou questionamentos sobre a eficácia de cadastros de agressores e disse que mudanças mais profundas dependem de ajustes na legislação federal. Segundo ele, algumas ferramentas legais poderiam ser aprimoradas para ampliar a proteção às vítimas. “Esse é um trabalho que a gente precisa aperfeiçoar o tempo todo. Muitas dessas questões dependem de mudanças na legislação federal, e esse debate precisa avançar para que possamos melhorar os mecanismos de proteção”, disse.

O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha (PSD), afirmou que Mato Grosso do Sul tem buscado fortalecer tanto a repressão aos crimes quanto as políticas preventivas voltadas às mulheres. Ele destacou que os casos de feminicídio no Estado são investigados com prioridade e que há investimentos em medidas de prevenção e conscientização social.

Governador Eduardo Riedel (PP) (Foto: Renan Kubota)

“Mato Grosso do Sul utiliza hoje algumas das melhores ferramentas de celeridade e resposta nesses casos. Os inquéritos são relatados, as autorias são esclarecidas e os responsáveis são presos. Mas além da repressão é fundamental trabalhar a prevenção e a mudança cultural”, afirmou.

Segundo Barbosinha, o enfrentamento da violência contra mulheres também depende da transformação de padrões culturais que ainda persistem na sociedade. “Infelizmente ainda existe uma cultura machista em muitos lugares que coloca a mulher em posição de submissão. Quando essa mulher decide romper uma relação, em alguns casos surge a violência. Por isso é importante trabalhar com as novas gerações para mostrar que quem ama não agride e não exerce violência”, declarou.

A secretária estadual da Cidadania, Viviane Luiza da Silva, afirmou que o governo estadual tem ampliado ações de prevenção e fortalecimento de políticas públicas voltadas às mulheres. Segundo ela, o Programa Protege tem ganhado reconhecimento internacional pelas estratégias de enfrentamento à violência.

De acordo com a secretária, representantes do programa estão atualmente em Nova Iorque apresentando as experiências do Estado. “A subsecretária de políticas públicas está em Nova Iorque, a convite da ONU, para apresentar as boas práticas que desenvolvemos aqui, principalmente na área de prevenção da violência contra mulheres e meninas”, afirmou.

Secretária estadual da Cidadania, Viviane Luiza da Silva, fala com a imprensa durante a coletiva (Foto: Renan Kubota)

Ela também anunciou a assinatura de um acordo para formação de gestoras municipais responsáveis por políticas públicas voltadas às mulheres. Segundo Viviane, a iniciativa busca fortalecer a atuação nos municípios, que são o primeiro ponto de acolhimento para vítimas de violência. “As gestoras estão na ponta, nos municípios, acolhendo essas mulheres. Por isso vamos capacitá-las para que todas estejam alinhadas nas políticas públicas e possam replicar essas ações em suas cidades”, disse.

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