Economia

Em MS, mudança no cálculo de tributos pode beneficiar 9 setores

Decisão reduz carga tributária de empresas de serviços

Por Izabela Cavalcanti | 28/10/2026 14:21
Em MS, mudança no cálculo de tributos pode beneficiar 9 setores
Consumidor mostrando compras na nota fiscal (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em excluir o ISS (Imposto Sobre Serviços) da base de cálculo do PIS e da Cofins pode beneficiar 9 setores em Mato Grosso do Sul.  No dia 21 de outubro, ficou decidido que o ISS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Com isso, a mudança pode reduzir a carga tributária de prestadores de serviço.

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Conforme o IPF-MS (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS), entram na lista: hospitais, clínicas e laboratórios; instituições de ensino privado; empresas de tecnologia da informação; escritórios de engenharia e arquitetura; empresas de construção civil; empresas de vigilância e segurança privada; empresas de limpeza e conservação; e prestadoras de serviços terceirizados.

O impacto financeiro da decisão alcança principalmente as empresas prestadoras de serviços enquadradas nos regimes de Lucro Presumido e Lucro Real.

Já aquelas enquadradas no Simples Nacional e os MEIs (Microempreendedores Individuais) não são diretamente beneficiados pela decisão, pois recolhem seus tributos em regime simplificado e unificado.

"A decisão do STF reconhece que o ISS não integra a receita das empresas e, por isso, não deve compor a base de cálculo dessas contribuições. É um entendimento que traz mais segurança jurídica e previsibilidade para o ambiente de negócios", afirmou o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer.

A entidade orienta empresários do setor de serviços a consultarem seus contadores ou advogados tributaristas para verificar se possuem direito ao benefício e dimensionar eventuais créditos tributários passíveis de recuperação.

Ainda conforme explica a Fecomércio, existe uma modulação dos efeitos da decisão, que determinará a partir de quando o entendimento do STF produzirá efeitos práticos. A questão ganha relevância porque o PIS e a Cofins serão substituídos pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) a partir da implementação da reforma tributária prevista para 2027.

Lojas abertas na Rua 14 de Julho, em Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Economia prevista - Segundo a economista da Fecomércio MS, Regiane Dedé, a estimativa é de uma redução entre 0,07% e 0,46% do faturamento proveniente dos serviços. No entanto, o impacto financeiro varia conforme a atividade econômica, a alíquota de ISS aplicada pelo município e o regime tributário adotado pela empresa.

Em um exemplo prático, uma clínica médica tributada pelo Lucro Presumido e com faturamento anual de R$ 10 milhões, pode conseguir economizar cerca de R$ 18 mil por ano. Já se estiver enquadrada no Lucro Real, a economia pode ultrapassar R$ 46 mil anuais.

"Não se trata de uma mudança capaz de transformar completamente o caixa das empresas, mas é um recurso que permanece na atividade produtiva e pode ser direcionado para investimentos, geração de empregos, modernização e melhoria dos serviços prestados", explicou. 

A economista também pontua o que significa cobrar o PIS e a Cofins. "Esse valor apenas transita pelo caixa da empresa antes de ser repassado ao município. Cobrar PIS e Cofins sobre o ISS significava, na prática, tributar um imposto com outro imposto", concluiu.

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