Economia

Curvas dos Andes limitarão produtos que poderão seguir na Bioceânica

Bitrens são proibidos em países vizinhos; carnes e manufaturados serão prioridade na Rota

Por Maristela Brunetto e Izabela Cavalcanti | 19/02/2025 12:03

 

Curvas dos Andes limitarão produtos que poderão seguir na Bioceânica
Trecho da Rota Bioceânica: Curvas e subidas são um desafio e deverão limitar cargas que poderão utilizar o caminho (Foto: Lucimar Couto)

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As condições da Rota Bioceânica, que tem parte de seu trecho de pouco mais de três mil quilômetros na Cordilheira dos Andes, impõem uma barreira para o transporte de determinados produtos no caminho que promete encurtar em até 17 dias a distância entre o Brasil e a Ásia na ida e vinda de produtos.  

Carnes e outros produtos manufaturados deverão ser incluídos no trajeto, mas commodities, como grãos, não teriam viabilidade no transporte, explicou esta manhã o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck.

Desde ontem, Campo Grande sedia um encontro sobre a Rota, reunindo representantes dos países envolvidos - Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Conforme Verruck, transitarão pela Rota caminhões que levam conteiners, com carga média de 35 toneladas. 

No trecho dos Andes, entre Salta, na Argentina, e Iquique, no Chile, há muitas subidas e curvas que tornariam impossível a passagem de caminhões com vários eixos. Verruck mencionou que bitrens, que se tornaram muito frequentes nas rodovias do Estado carregando eucalipto, são impedidos de transitar nas estradas do Paraguai e Argentina.

Ele apontou ainda outra condição que não possibilitaria o transporte de grãos ou minérios, por exemplo. O porto chileno tem condições de receber conteiners, mas não há terminal para armazenamento.

O secretário mencionou que futuramente será possível enviar suco de laranja, uma vez que há expansão da citricultura na área rural de Mato Grosso do Sul com a promessa de vinda de indústria tão logo haja matéria-prima para a produção do suco. A China é o principal comprador de produtos do Estado e já indicou interesse no suco.

Conforme Verruck, hoje o caminho das exportações são os portos no Oceano Atlântico- Santos e Paranaguá, com a travessia no Canal do Panamá, um trajeto que pode levar 40 dias. Com a Rota, a previsão é de encurtar em 17 dias e impactar na redução dos custos, tornando os preços mais competitivos.

Ele diz que deverá ser natural a saída de caminhões pelo Mato Grosso do Sul com produtos nacionais e o retorno com industrializados exportados pela Ásia, incluindo a China. “Acho que quanto mais a gente conseguir esse fluxo de levar e trazer, vai dar mais economicidade, mais competitividade e Campo Grande pode se tornar exatamente um grande hub de distribuição de produtos importados da Ásia para o Brasil.”

Ontem, em entrevista ao Campo Grande News, Sérgio Longen, sugeriu que a Capital precisa se acelerar para criar condições atrativas para empreendimentos já pensando na Rota Bioceânica, sugerindo a criação de um “ambiente de negócios” favorável às atividades econômicas.  


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