Credores da Raízen podem perder 80% da dívida e receber só em 2047
Empresa abriu prazo até 3 de dezembro para escolha das condições de pagamento previstas na recuperação

Credores da Raízen poderão receber apenas 20% do valor que têm a receber da empresa, em parcela única, no dia 31 de março de 2047. A condição faz parte das três alternativas de pagamento detalhadas pela companhia nesta terça-feira (3), em documentos encaminhados ao TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O prazo para a escolha termina em 3 de dezembro.
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Credores da Raízen terão três opções para receber o que a empresa deve, conforme documentos enviados ao TJSP e à CVM. A primeira prevê pagamento de 20% do valor, em parcela única, em 31 de março de 2047, com desconto de 80%, e vale para quem não escolher até 3 de dezembro. A segunda troca o crédito por ações e novos títulos de dívida. A terceira paga 75% em dinheiro, até R$ 9.750 por emissão. O plano reestrutura R$ 61,4 bilhões em dívidas.
Conforme divulgado pela Folha de S.Paulo, a alternativa prevê um desconto de 80% sobre a dívida original. Quem não apresentar uma escolha válida dentro do prazo será enquadrado automaticamente nessa modalidade, conforme as regras do plano. A empresa poderá antecipar o pagamento nas condições previstas no acordo.
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Outra opção permite trocar o crédito por uma combinação de ações e novos títulos de dívida. Nesse caso, para cada R$ 1 devido, o credor receberá o equivalente a R$ 0,45 em ações, R$ 0,374 em debêntures e R$ 0,176 em títulos da Raízen Energia, empresa que será criada com a separação dos negócios do grupo.
A terceira alternativa atende credores com valores menores e prevê pagamento em dinheiro de 75% do crédito, limitado a R$ 9.750 por emissão. A Raízen reservou até R$ 150 milhões para essa modalidade. Os créditos que não forem contemplados dentro desse limite serão direcionados à opção de conversão em ações e títulos de dívida.
Nos investimentos em títulos do mercado nacional, a escolha seguirá regras específicas. Para certificados de recebíveis do agronegócio, a decisão caberá à securitizadora. No caso das debêntures, o agente fiduciário fará a escolha, salvo nas situações em que o investidor tenha manifestado previamente a intenção de decidir individualmente.
A medida integra a recuperação extrajudicial da Raízen, que prevê a reestruturação de R$ 61,4 bilhões em dívidas. Conforme o Campo Grande News noticiou na sexta (30), os acionistas aprovaram medidas para executar o plano, incluindo novos aportes de capital e a divisão da companhia em duas empresas independentes.
Vale lembrar que em Mato Grosso do Sul, a Raízen já vendeu as três usinas de açúcar e etanol que mantinha no Estado. As unidades Rio Brilhante e Passa Tempo foram negociadas com a Cocal, enquanto a usina de Caarapó passou para a Adecoagro.