Economia

Bioceânica pode tirar cargas do Sul e transformar MS em atalho comercial

Corredor deve encurtar rotas, reduzir custos e deslocar o fluxo do Norte e do Nordeste no continente

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 21/05/2026 15:26
Bioceânica pode tirar cargas do Sul e transformar MS em atalho comercial
Acesso a ponte Bioceânica que ligará o Brasil ao Paraguai por Porto Murtinho (Foto: Toninho Ruiz)

Além de ampliar a integração do Brasil com os mercados asiáticos por meio dos portos do norte do Chile, a consolidação da Rota Bioceânica tende a criar um corredor terrestre mais direto para o transporte de cargas dos estados do Norte e Nordeste do País, por Mato Grosso do Sul, com destino aos países da América do Sul.

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Os dados são do ministro João Carlos Parkinson, diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores, antecipados ao Campo Grande News. O mapeamento será apresentado na próxima segunda-feira, 25, em Campo Grande, no decorrer do 3° Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária.

A tendência, segundo o diplomata, é de que haja uma migração gradual dos embarques via terrestre, principalmente da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Rondônia e Tocantins, que exportaram US$ 1,1 bilhão em 2025 para os países vizinhos pelos tradicionais corredores da região Sul do País.

Comércio exterior - O montante significa 2,6% do comércio exterior de produtos brasileiros escoados por rodovias no ano passado, que somou US$ 43,1 bilhões, o equivalente a 26% do total exportado. O restante dos embarques ocorreu por vias áreas e marítimas.

Esse cenário deve ser um dos efeitos mais imediatos do corredor internacional. “Não fará sentido percorrer um trajeto mais longo levando cargas originadas nas regiões Norte e Nordeste do País até São Borja (RS) ou Uruguaiana (RS). Com o corredor, você reduz distância, diminui o tempo de entrega e ganha competitividade”, analisa o diplomata, que também é coordenador nacional dos Corredores Rodoviários e Ferroviários Bioceânicos no âmbito do Itamaraty.

Hoje, a maioria (60%) das exportações brasileiras via terrestre depende de corredores que passam pela região Sul do País para acessar mercados sul-americanos, como Paraguai, Argentina e Chile, que são países parceiros do Brasil na Rota Bioceânica.

No Rio Grande do Sul, São Borja responde por 29% do fluxo total, seguido por Uruguaiana, responsável por 27% do total. Foz do Iguaçu, no Paraná, representa 19% do fluxo.

Como exemplo hipotético, Parkinson traçou o trajeto de uma carga da Bahia em direção à Argentina, cujo tempo pode ser reduzido em dois a três dias pelo Corredor Bioceânico em relação às rotas da região Sul do País. Ou seja, a carga sairia da Bahia em direção ao Centro-Oeste e em Mato Grosso do Sul pegaria a ponte sobre o Rio Paraguai que conectará Porto Murtinho à cidade paraguaia Carmelo Peralta. Daí seguiria até a Argentina utilizando uma rota mais curta em relação às da região Sul do País para acessar países vizinhos. A obra está em fase de conclusão.

Trabalho de pavimentação em rodovia que fará parte da rota (Foto: Toninho Ruiz)

Benefícios e projeções - O mesmo cenário se aplica a produtores dos países vizinhos que poderão ampliar as vendas para o Norte e Nordeste via o Corredor Bioceânico.

Ou seja, o comércio exterior do eixo Norte-Nordeste e, especificamente, o dos países sul-americanos podem se beneficiar do corredor internacional bioceânico, que os quatro países projetam transformar em uma grande via de escoamento de produtos e mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos. As previsões para esse trajeto apontam redução de 30% a 40% nos custos logísticos e de até 15 dias em relação a rotas marítimas tradicionais, como o Canal do Panamá.

O entendimento do diplomata é de que além de fortalecer Mato Grosso do Sul como eixo estratégico de integração logística entre o Brasil e os mercados sul-americanos, a consolidação do Corredor Bioceânico pode alterar significativamente a logística terrestre brasileira.

O chamado Corredor Rodoviário de Capricórnio é uma rota rodoviária com extensão de 2,3 mil quilômetros, que conecta o Oceano Atlântico aos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, cortando o Brasil, Paraguai e Argentina.

Apesar do avanço das obras físicas, o empreendimento ainda depende de acordos entre os quatro países para solucionar entraves institucionais e regulatórios e, assim, viabilizar processos transfronteiriços entre todas as partes envolvidas.

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