Economia

Bancos físicos "desaparecem" do Centro com avanço da digitalização

Segundo o Sindicato dos Bancários, nos últimos 3 anos, 14 agências do Santander, Itaú e Bradesco fecharam

Por Izabela Cavalcanti e Raíssa Rojas | 04/07/2025 13:59
Bancos físicos "desaparecem" do Centro com avanço da digitalização
Prédio desocupado onde funcionava uma agência do Itaú, na Rua Barão do Rio Branco (Foto: Raíssa Rojas)

Ir ao Centro de Campo Grande para sacar dinheiro, pagar contas ou abrir uma conta bancária está se tornando cada vez mais raro e ficando no passado. Com a digitalização acelerada dos serviços financeiros, os bancos físicos estão desaparecendo, especialmente, no Centro.

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A popularização de bancos digitais, como Nubank e Next, também contribui para esse movimento. A facilidade de abrir uma conta pelo celular, sem enfrentar filas ou apresentar documentos pessoalmente, tem conquistado diferentes perfis de clientes, das novas gerações até quem antes resistia ao digital.

Segundo o Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região, entre os anos de 2023 e 2025, pelo menos 14 agências bancárias encerraram suas atividades na região, sendo duas do Itaú, três do Santander e nove do Bradesco. Até a publicação desta matéria ainda não havia sido informado dados sobre a Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.

O Campo Grande News entrou em contato com as cinco agências citadas e aguarda o retorno.

O Bradesco afirmou que tem feito mudanças no seu formato de atendimento, transformando parte de suas agências em unidades de negócio. “Este é um processo que vem sendo adotado há algum tempo, visto que atualmente 98% do total de operações feitas pelos clientes do banco acontecem por meio dos canais digitais. Dentro desse processo, algumas agências passam por uma adequação do seu tamanho físico e outras por uma unificação”, disse em nota.

Segundo a Caixa Econômica Federal, a rede em Campo Grande conta com 23 agências e pontos de atendimento, 63 lotéricas e 78 Correspondentes Caixa Aqui.

O banco também informou que disponibiliza aos clientes, atendimento por meio dos canais remotos e digitais, como o Internet Banking Caixa, o WhatsApp Caixa (0800 104 0104) e os aplicativos Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS, dentre outros. Pelo Caixa Tem, além de poder fazer movimentação de recursos de forma digital, é possível realizar compras.

O novo cenário também muda o comportamento da população. Muitos clientes já preferem e até dependem do celular para resolver questões bancárias, sem nunca terem pisado em uma agência.

Prédio desocupado na Rua Dom Aquino funcionava agência do Bradesco (Foto: Raíssa Rojas)

A técnica de enfermagem Gabrielly Cristine Dias, de 25 anos, é um exemplo dessa realidade. “Não tenho nem noção. Eu uso o banco digital”, disse aos risos. 

Ela tem conta em dois bancos, Itaú e Nubank, e fez todo o processo pelo celular. “Onde eu trabalho, eu uso Itaú, mas nunca precisei ir na agência, porque eu abri direto no aplicativo. Eu particularmente, nunca tive problema, então, nunca precisei ir”, pontuou.

A confeiteira Rosimar Fonseca de Lima, de 52 anos, também mudou os hábitos e lembra em como diminuiu a necessidade de ir ao banco.

Rosimar, na Rua 14 de Julho, dando entrevista sobre fechamento dos bancos (Foto: Raíssa Rojas)

“Às vezes tinha que ir duas vezes no mês, agora, eu vou a cada seis meses e quando precisa muito. Muito difícil ir ao banco agora, porque tem o aplicativo que faz tudo", relatou.

A consultora de vendas, Gleiciane de Oliveira, de 34 anos, é um exemplo de quem mudou o comportamento com o tempo. Ela afirma que há muito tempo não vai no banco e que agora é só aplicativo. 

“Só aplicativo e prefiro. Essa questão da condução, para mim, pega um pouco, então, ficou mais fácil o aplicativo. Uso tudo por lá”, pontuou. 

Ela explica que fez a mudança da conta do Santander para o Banco do Brasil e só precisou ir ao banco para fazer essa transição. “Eu tive que ir lá para fazer alguns reajustes na conta, para abrir, transação de Pix, limite, tudo hoje é muito online”, completou. 

A servidora pública, Ana Luísa Brasil, de 58 anos, lembra como era difícil ter que ir à agência antigamente. Enfrentar fila e pegar senha eram alguns do problemas.

Ana Luísa, no Centro de Campo Grande, dando entrevista (Foto: Raíssa Rojas)

“Faz tanto tempo que eu não desço na cidade, não mexo com banco. Tinha que enfrentar fila, pegar senha, às vezes perdia o dia inteiro. Hoje é mais prático mexer com o aplicativo, faço Pix, pago boleto, transferência”, pontuou. 

Na visão da presidente do Sindicato dos Bancários, Neide Rodrigues, os bancos aproveitam a popularização das plataformas digitais para cortar custos.

“Na verdade, os bancos estão se aproveitando da utilização com mais frequência dos meios digitais para lucrar mais com fechamento de agências, o que dificulta muito para aqueles que tentam ter atendimento presencial, tirar dúvidas, resolver problemas. Colocam os funcionários para vender produtos fora das unidades, só pensam no lucro”, destacou.

Diante disso, existe a preocupação em manter os empregos. “Estamos em negociação constante para manutenção do emprego. O banco tem papel social e precisa manter um bom atendimento. Essa questão ajuda muito, porém, facilita golpes constantes com clientes. Somos contra a redução de postos de trabalho e precarização de atendimento à população, principalmente as mais carentes”, finalizou.

Rua 13 de Maio esquina com a Dom Aquino funcionava uma agência do Banco do Brasil (Foto: Raíssa Rojas)

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* Matéria atualizada no dia 7 de julho, às 7h20 para acrescentar nota da Caixa e do Bradesco

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