Direto das Ruas

"Não é só plaquinha": motorista acha poste em vaga para pessoa com deficiência

Mães relatam sufoco e barreiras que impedem, por exemplo, que um cadeirante desça do carro com segurança

Por Cassia Modena e Murilo Medeiros | 21/02/2025 18:01
"Não é só plaquinha": motorista acha poste em vaga para pessoa com deficiência
Vaga na Rua Barão do Rio Branco, em frente ao Pátio Central, tem um poste ao lado (Foto: Marcos Maluf)

Mães que dirigem pelo Centro de Campo Grande têm muitas reclamações a fazer sobre a localização e tamanho das vagas de estacionamento reservadas para PcDs (Pessoas com Deficiência) na rua. O assunto foi sugerido pelo canal Direto das Ruas. 

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Vaga reservada bem em frente ao shopping Pátio Central, por exemplo, fica ao lado de um poste de energia. Não dá para abrir a porta completamente para retirar alguém com segurança e conforto do banco de trás do veículo. 

É o que a bancária Isleni Oliveira, 45, enfrenta com a filha de 12 anos. A menina tem uma síndrome rara que causa mobilidade reduzida e deficiência intelectual. "Quando não é em frente a um poste, é um bicicletário", diz.

Isleni Oliveira pede acessibilidade nas vagas, não só sinalização (Foto: Marcos Maluf)

A mãe chama atenção para o direito desprezado. "Não é só colocar plaquinha! As pessoas com deficiência têm direito à acessibilidade", fala. 

Espaço apertado e esquina - A secretária Vanessa Pita vive esse sufoco com o filho. Ele tem paralisia cerebral e usa andador. 

A motorista sente falta de modelos de vagas maiores, que caibam uma pessoa atrás para abrir o porta-malas e retirar, sem dificuldade, uma cadeira de rodas ou outros pertences da pessoa com deficiência. 

Por causa do aperto, ela, às vezes, prefere pagar estacionamento privado a usar o público. "Eu tenho que parar o carro, eu tenho que abrir o porta-malas, eu tenho que montar o andador dele e aí eu tenho que descer ele do carro, descer com ele. Você entendeu? Muitas vezes ou quase sempre eu prefiro parar em estacionamento pago", conta. 

Outro detalhe é a localização das vagas. Algumas estão nas esquinas, daí, manobrar vira um desafio. 

"São umas vagas apertadas, são vagas de difícil acesso, são vagas próximas a uma esquina... como que você vai manobrar um carro para entrar ali? Ou é atrás de uma banca de revistas, é uma vaga junto à vaga para idosos e motos. Pensa você na Rua Dom Aquino, tentando manobrar carro para entrar numa vaga pequena?", finaliza. 

Exemplo - As mães pedem que as vagas para PcDs comecem a se adequar ao modelo das vagas da 14 de Julho. A via foi revitalizada durante a pandemia e os estacionamentos foram mais bem-planejados. 

Ainda sobre a 14 de Julho, acrescentam que a rua poderia ter mais vagas reservadas do que têm hoje. 

Outros endereços no Centro onde a reportagem registrou dificuldade para estacionar foram: Rua Sete de Setembro, entre a Rui Barbosa e a 13 de Maio; Rua Dom Aquino, entre a Avenida Calógeras e a Rua 14 de Julho; Rua Sete de Setembro, entre a Padre João Crippa e Rua Pedro Celestino. 

Vistoria - Em nota enviada nesta sexta-feira (21), a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) se compromete a reavaliar as vagas para PcDs. 

"Serão realizadas vistorias nos locais necessários e prestadas orientações à população. Em casos que demandem fiscalização, a Agetran solicita que os cidadãos entrem em contato com a prefeitura pelos canais de comunicação disponíveis: telefone 156 ou e-mail ouvidoria@agetran.campogrande.ms.gov.br, garantindo assim uma resposta rápida e eficiente".

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