Direto das Ruas

Falta de material suspende atendimento odontológico em UBSs de Campo Grande

Sindicato alerta que diversos equipamentos essenciais estão danificados nas unidades básicas de saúde

Por Judson Marinho | 06/01/2026 16:05
Falta de material suspende atendimento odontológico em UBSs de Campo Grande
Fachada da USF Tiradentes na Avenida José Nogueira Vieira (Foto: Gabriel de Matos)

A falta de insumos e problemas em equipamentos têm provocado a suspensão do atendimento odontológico em unidades básicas de saúde de Campo Grande, deixando pacientes sem assistência, inclusive em casos de urgência. 

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O cenário foi confirmado pelo (Sioms) Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul e por relatos de usuários da rede pública.

Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.

A paciente Veruska Galeano de Arruda, de 53 anos, contou à reportagem do Campo Grande News que na noite de domingo (5) procurou a USF (Unidade de Saúde da Família) Dr. Antônio Pereira – Tiradentes com forte dor de dente.

Segundo ela, após passar pela acolhida e aferir a pressão, foi chamada ao consultório, sentou-se na cadeira odontológica, mas recebeu a informação de que não haveria atendimento. “Disseram que não tinha material esterilizado e nem insumos. Mandaram procurar outro lugar, mas eu não tenho condições de pagar atendimento particular”, relatou.

Ainda de acordo com Veruska, a mesma resposta foi dada quando buscou atendimento na USF Dr. Edgar Pedro Raupp Sperb – Arnaldo de Figueiredo e na UPA Coronel Antonino.

O presidente do Sioms, Dr. David Chadid, confirmou a situação e detalhou que, além de autoclaves (equipamento essencial para a esterilização de materiais) quebradas, 29 unidades de saúde estão com compressores danificados, o que inviabiliza mais de 90% dos procedimentos odontológicos. “Isso afeta de 65 a 70 profissionais diretamente”, afirmou.

Há também registro de problemas com autoclave na UPA do Jardim Leblon, USF Dom Antônio, Clínica da Família Nova Lima e USF Aero Rancho.

Na USF Cidade Morena, o sindicato informa que o compressor estragou ontem (5) e que o local já estava com a autoclave estragada.

Segundo o sindicato, há informações de que novos compressores chegaram ao município, porém em número insuficiente para resolver o problema. “Não houve atualização formal às nossas solicitações nem ao Conselho Municipal de Saúde”, disse Chadid. 

Ele também citou falta de luvas em tamanhos adequados, o que compromete procedimentos que exigem precisão, além de escassez de EPIs (Equipamento de Proteção Individual), como jalecos, em unidades e serviços 24 horas.

A categoria já está em estado de greve desde o início do mês de dezembro devido a descumprimento de decisões judiciais por parte da prefeitura e a falta de condições adequadas de trabalho nas unidades de saúde. 

O município, conforme o Sioms, estaria descumprindo desde 9 de dezembro uma decisão judicial, com multa diária de R$ 3 mil.  

Caso não haja cumprimento, a entidade afirma que haverá nova organização para deflagração de greve.

“O atendimento à população e os direitos dos servidores estão severamente prejudicados”, reforçou Chadid. Ele acrescentou que o descumprimento judicial se refere ao reposicionamento no plano de cargos da categoria, sem possibilidade de novos recursos.

As denúncias sobre os compressores danificados, segundo o sindicato, foram encaminhadas ao Ministério Público desde janeiro de 2024 e também ao Conselho Municipal de Saúde, que acompanha e cobra providências junto ao Executivo.

A reportagem do Campo Grande News entrou em contato com a prefeitura de Campo Grande sobre a situação. "A Secretaria Municipal de Saúde informa que houve um problema técnico pontual no equipamento de autoclave, mas que já foi solucionado e os atendimentos estão ocorrendo normalmente na unidade", informou a Semed.   

Enquanto isso, pacientes como Veruska seguem sem atendimento à espera de uma solução para a retomada segura dos serviços odontológicos na rede pública municipal.

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