Direto das Ruas

Com 20 pessoas por cela, presos por dever pensão reclamam de superlotação

Homem denunciou condições de higiene insalubre e falta de acessibilidade para PCD's

Gabrielle Tavares | 29/08/2022 17:30

Detentos alocados na 4 º DP (Delegacia de Polícia da Moreninhas) por falta de pagamento de pensão alimentícia denunciam superlotação de até 20 pessoas por cela e condições de higiene insalubre.

Em vídeos enviados ao Direto das Ruas, é possível ver que não existe privada na cela e um detento PCD (Pessoa com Deficiência) precisa da ajuda de outros homens para conseguir usar o banheiro, que fica no chão. Eles também precisam subir em uma mureta para conseguir ligar o chuveiro. 

“Eu fiquei 50 dias lá, foi horrível. Alimentação precária, não deixam receber visita, ficamos sem informação de nada. Eu passei mal com insuficiência respiratória e começo de covid, e os policiais falaram que só saia de lá se fosse morto, porque lá não é penitenciária então não tínhamos direito a nada”, relatou um ex-detento, que preferiu não ser identificado.

Apesar disso, ele explicou que autorizaram a entrada de remédios e ele conseguiu se curar. Contudo, aponta que ficam de 15 a 20 pessoas por cela, e que sofreu com juros abusivos da dívida.

“Fui preso por causa de R$ 650 de pensão referente ao mês de agosto de 2018, eram três meses devendo. Quando atualizou foi para R$ 22 mil, chega a R$ 100 de juros ao mês. Pessoas ficam lá de 30 a 90 dias nesta situação, todos condenados depois de uma pandemia sem emprego, sem nada, por mães que não dão o direito e para os pais. Neste caso só a mulher tem direito e o homem não tem”, reclamou.

Com 20 pessoas por cela, presos por dever pensão reclamam de superlotação
Camas da cela na 4º DP. (Foto: Direto das Ruas)

“É como se fosse uma solitária lá, com deficientes presos sem nenhuma acessibilidade e nada alimentação precária”, completou.

A reportagem procurou a Polícia Civil, mas não obteve retorno até a publicação.

Privada fica no chão do banheiro. (Foto: Direto das Ruas)

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