Sua empresa vende, mas não cresce? O problema pode estar na gestão
Com mais de 20 anos de experiência, Michelle ajuda negócios a organizar equipes e preparar líderes

A empresa vende, tem clientes, funcionários e até planos para crescer. Mas, na prática, tudo depende do dono. É ele quem resolve os problemas, acompanha os pedidos, cobra a equipe e toma praticamente todas as decisões. Quando isso acontece, o negócio pode até funcionar, mas dificilmente consegue avançar como deveria.
Para a consultora de gestão empresarial Michelle Annita Seibert Kist, esse é um problema comum entre pequenas e médias empresas. Muitas começam com o esforço de uma pessoa ou de uma família, conquistam espaço no mercado, mas chegam a um momento em que precisam organizar melhor a gestão para continuar crescendo.
“A dor principal do negócio é quando a empresa para de crescer porque ela não tem a maturidade suficiente”, explica Michelle.
Com mais de 20 anos de experiência em gestão de pessoas e negócios, ela atua ajudando empresários a identificar o que está impedindo o crescimento da empresa. O trabalho envolve preparar lideranças, desenvolver funcionários, organizar processos e criar condições para que os resultados não dependam apenas do proprietário.
Quando o dono precisa resolver tudo
Segundo Michelle, um dos maiores erros é acreditar que centralizar todas as decisões significa cuidar bem da empresa. Na verdade, essa postura pode atrasar o trabalho e impedir que os funcionários assumam responsabilidades.
“Não adianta o dono centralizar toda a decisão, ter que passar tudo por ele, porque ele acaba virando gargalo”, afirma.
O problema também aparece quando a empresa não possui processos definidos. Cada funcionário executa uma tarefa de um jeito, os erros se repetem e o empresário passa boa parte do dia resolvendo situações que poderiam ser evitadas.
Michelle explica que os principais problemas costumam estar em três áreas: pessoas, processos e satisfação dos clientes. Uma equipe sem orientação pode cometer mais erros. Funcionários que não recebem treinamento têm dificuldade para melhorar o desempenho. E, quando os problemas internos chegam ao atendimento, quem sente as consequências é o consumidor. A consultora lembra que isso também afeta a imagem do negócio.
“Marca e reputação não é algo que a gente recupera rapidamente”, alerta.
Funcionário sai, outro entra e o problema continua
A troca frequente de funcionários é outra dificuldade enfrentada pelos empresários. Contratar, ensinar o trabalho e perder alguém pouco tempo depois gera custos e compromete a rotina.
Mas Michelle chama a atenção para uma questão que muitas vezes passa despercebida: nem sempre o problema está apenas em quem pede demissão.
A falta de orientação, o ambiente de trabalho e a postura da liderança também influenciam a permanência dos profissionais.
Para ela, investir no desenvolvimento da equipe não significa apenas oferecer benefícios ou promover confraternizações. É preciso preparar as pessoas, deixar claras suas responsabilidades e acompanhar o trabalho.
Isso inclui algo que muitos gestores evitam: conversar sobre erros, cobrar resultados e dar feedback.
“A maioria dos líderes que eu atendo, o pior medo que eles têm é do tal do feedback, da conversa difícil”, conta.
Michelle explica que uma liderança preparada precisa saber reconhecer o bom trabalho, mas também orientar quando algo não está funcionando. Quando isso não acontece, os problemas se acumulam. Funcionários desmotivados podem influenciar os colegas, o atendimento perde qualidade e a empresa corre o risco de afastar clientes.
Experiência de quem já esteve à frente da gestão
Aos 47 anos, Michelle construiu sua carreira na administração e na gestão de pessoas. Formada em Pernambuco, onde começou a vida profissional, retornou a Mato Grosso do Sul em 2004.
Passou por empresas como a Unimed e trabalhou por quase 17 anos no Senac, onde iniciou sua trajetória na área de recursos humanos e chegou ao cargo de diretora de Gestão Corporativa.
Nesse período, esteve à frente de áreas como financeiro, orçamento, qualidade, infraestrutura, logística e gestão de equipes. A experiência permitiu que ela conhecesse diferentes partes de uma organização e entendesse como as decisões de uma área afetam as demais.
Um dos trabalhos que se destacam nessa trajetória foi sua participação na construção de uma cultura de gestão de pessoas que contribuiu para o reconhecimento do Senac em avaliações do GPTW (Great Place to Work).
Segundo Michelle, a instituição avançou nos rankings regionais e chegou, em 2026, à 63ª posição entre as melhores empresas para trabalhar no Brasil, resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de vários anos.
A consultora considera essa experiência uma demonstração de que investir nas pessoas também faz parte da estratégia de crescimento de uma organização.
Da experiência em grandes organizações à realidade dos pequenos negócios
Michelle decidiu levar sua experiência para empresas que nem sempre possuem uma estrutura completa de gestão. Hoje, seu trabalho de consultoria é voltado principalmente aos pequenos e médios empresários que precisam organizar o negócio, mas não sabem por onde começar.
O trabalho começa com um diagnóstico. Michelle procura entender como a empresa funciona, quais são os principais problemas e o que já dá certo. A partir dessa avaliação, são definidas ações para organizar processos, desenvolver lideranças e melhorar o desempenho da equipe.
Não existe uma solução igual para todos. Uma empresa pode precisar melhorar a comunicação entre os funcionários. Outra pode enfrentar dificuldades na contratação ou ter uma equipe que depende de orientações constantes do proprietário.
A proposta é encontrar soluções que façam sentido para a realidade de cada negócio.
O primeiro passo é reconhecer o que precisa mudar
Para o empresário que percebe dificuldades na gestão, Michelle diz que o primeiro passo é reconhecer que a empresa pode precisar de mudanças. Isso não significa desvalorizar o trabalho de quem construiu o negócio. Pelo contrário, a consultora defende que a história de cada empresa precisa ser respeitada.
O desafio é entender que aquilo que funcionava quando o negócio era pequeno pode não ser suficiente para uma estrutura maior.
Na consultoria, Michelle trabalha com três pilares: pessoas, processos e gestão. A ideia é identificar onde estão as falhas e preparar a empresa para crescer de forma mais organizada.
Ela também destaca que as mudanças precisam envolver os funcionários. Não adianta o empresário decidir por uma nova maneira de trabalhar se a equipe não entende o que precisa fazer.
“A gente consegue sair do ponto A pro ponto B fazendo uma transformação quando a gente gera confiança”, explica.
Uma gestão melhor começa pelas pessoas
Para Michelle, colocar as pessoas no centro dos resultados não é deixar de cobrar metas ou abrir mão das exigências do negócio. É justamente preparar os funcionários para que consigam entregar o que a empresa precisa.
Isso passa por comunicação clara, treinamento, divisão de responsabilidades e lideranças capazes de orientar suas equipes.
A consultora também chama a atenção para as mudanças na forma de trabalhar. Com diferentes gerações dividindo o mesmo ambiente, os gestores precisam aprender a se comunicar e compreender melhor o perfil de cada profissional.
O modelo em que o chefe apenas dá ordens, sem ouvir ou orientar, já não atende a todas as necessidades das empresas. É nesse cenário que Michelle oferece sua consultoria de gestão empresarial, unindo a experiência em recursos humanos ao conhecimento de processos e estratégias de negócio.
Seu trabalho é voltado a empresários que desejam organizar a empresa, reduzir problemas internos, desenvolver suas equipes e criar condições para crescer.
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