Em Pauta

Deve ter um sapo enterrado: a dificílima história da mineração no MS

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 18/10/2026 08:00
Deve ter um sapo enterrado: a dificílima história da mineração no MS

As jazidas de minério de ferro e manganês do Mato Grosso do Sul estão localizadas nos municípios de Corumbá e Ladário. Apesar de eternamente mal exploradas, as reservas são grandes, mas as explorações são irrelevantes nacionalmente. A região detém 28% do total nacional de minério de ferro, segunda maior reserva, mas responde por irrisórios 0,8% da produção. O manganês tem um sapo enterrado semelhante. Terceira maior reserva nacional, com 8,2% e produção de 9,8% do total nacional. Mas sempre foi assim… ou pior.


De mão em mão, sem um tostão.

Da descoberta até meados de 1.900, as concessões para exploração desses minérios foram sucessivamente transferidas de um concessionário a outro sem que fosse retirada uma só tonelada. Em 1.860, o governo mandou Rodolfo Waehnndelt fundar uma fabrica de ferro e pólvora na localidade. A seguir, a mineração foi transferida para o Barão de Villa Maria. O resultado foi idêntico. Nada aconteceu. Com o falecimento do barão, sua viúva, Maria da Glória Pereira Leite, assumiu a concessão em 2 de agosto de 1.876. Nada foi concretizado. Em 1.880, a concessão foi parar em três nomes: J.B. Vieira de Carvalho, G.Gama e Francisco Couto e Silva. O resultado foi idêntico aos anteriores. Esse último, Francisco do Couto e Silva, passa a receber sozinho a concessão logo a seguir. Ele se uniu a uma empresa famosa de Minas Gerais, a Ayrosa, com os mesmos resultados anteriores.


Enfim, entram os belgas.

Da Ayrosa, a concessão foi parar em uma empresa belga. A Compagnie D ‘Urucum, em 1.906, contratou operários locais e trouxe um grupo de mineradores do Uruguai. Eram de 150 a 175 mineiros. Contando com outros profissionais como ferreiros, foguistas, carpinteiros, marinheiros e suas famílias, as duas cidades receberam em torno de 1.500 pessoas. Nessa fase, a exploração mineral conferiu um grande dinamismo econômico a Corumbá. Foi tão grande que tiveram a necessidade de levar profissionais bolivianos, de São Paulo, Portugal, Itália e Espanha. Essa história não termina nunca. As eternas transferências continuam ocorrendo até os dias atuais. Dorme, acorda, os concessionários já são outros. Só pode ter um sapo enterrado debaixo do ferro e do manganês.

 

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