Bisavô de Chico Buarque e Afonso Pena derrotados, a 1º eleição no Brasil

O eleitorado era irrisório em 1.894. As mulheres respondiam por metade da população, mas não votavam. Os negros, recém libertos, eram quase todos iletrados, não votavam. Mesmo entre os brancos, poucos liam e escreviam, somente 800 mil estavam habilitados a votar. Apenas 5% da população podia ir às urnas, mas a metade desse número insignificante não comparecia. Sofriam restrições brutais: soldado não votava, padre também. O eleitor deveria ter 21 anos. Era um jogo de cartas marcadas.
Prudente de Morais foi “aclamado”.
Na prática, Prudente de Morais, o personagem que deu o nome à cidade paulista de Presidente Prudente, foi “aclamado”. Fruto de um amplo acordo das elites, as urnas lhe concederam 291 mil votos do total de 351 mil. Esse advogado abolicionista de Itu foi o primeiro presidente civil do Brasil. Antes, tinha sido vereador de Piracicaba. Após longa carreira politica, conseguira chegar ao governo de São Paulo. Para a presidência, foi um pequeno pulo, bastaram alguns poucos acordos.
205 candidatos a presidente.
Não é possível imaginar como transcorreram essas eleições. Era algo surreal. Apareceram nada menos de 205 candidatos. Quem estuda essa época, diz que a comparação com os pleitos de hoje no máximo enxerga uma vaga semelhança. No final da longa lista de candidatos, 116 tiveram um só voto, talvez o deles mesmo. Quem “lutou” bravamente contra a candidatura de Prudente de Morais foi Afonso Pena, o homem que deu nome à nossa principal avenida, amealhou tão somente 38 mil votos. Logo abaixo, aparece a figura de Cesário Alvim, bisavô mineiro de Chico Buarque, governador do Rio de Janeiro, e pivô acidental da queda da monarquia.
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