A origem do boicote aos comerciantes e o famigerado “Judenboykott”

Seu nome era Charles Boycott. Um militar inglês que tinha poucas terras na Irlanda, mas administrava uma colossal fazenda pertencente a Lorde Erne. Boycott era um daqueles sujeitos insuportáveis. Passando por dificuldades, os trabalhadores rurais da Irlanda pediram a ele uma redução nos aluguéis que pagavam aos dois proprietários de terras. Boycott não só negou como deu inicio ao despejo de todos.
A revolta pacifica.
Em 1.880, Michael Davitt dá inicio a um movimento de revolta contra Boycott. Consegue retirar todos que para ele trabalhavam na colheita. Quando Boycott tentou contrapor-se à campanha levando membros da “Orange Order”, uma organização protestante irlandesa, para trabalhar nas fazendas, Davitt lançou um movimento para isolá-lo na comunidade. Os vizinhos deixaram de falar com Boycott. As lojas nada lhe vendiam. Na igreja, não falavam com ele e nem se sentavam em sua proximidade. O movimento tomou relevância mundial e a palavra “boicote” ganhou todos os rincões da Terra. Era um movimento pacifista, propugnava pela não-violência. E assim permaneceu por longo tempo. Até que surgiram os nazistas. E tudo mudou.
“Judenboykott”.
O boicote nazista aos comerciantes judeus, conhecido como “Judenboykott”, foi a primeira ação coordenada em massa do regime nazista contra a população judaica na Alemanha. Em 1 de abril de 1.933, membros da tropa de choque nazista - as famigeradas SA - e da Juventude Hitlerista postaram-se em frente dos estabelecimentos para intimidar clientes. Picharam e pintaram as vitrines com a Estrela de Davi ou com a palavra “Jude” (judeu). Espalharam cartazes como o slogan: “Alemães! Defendam-se! Não comprem de judeus!”. Excluir judeus da vida econômica alemã, asfixiar seus meios de subsistência e forçá-los à ruína financeira e à imigração, marcou o inicio de uma escalada sistemática de leis excludentes e violência que culmino no Holocausto.
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